Posts Tagged ‘teísmo

08
ago
10

Anti-teísmo?

Comum ao afirmarmos que algo é ruim. Mais comum ainda é, quando isto ocorre, sermos rotulados como generalizadores ou exagerados.

“Seu ponto de vista é limitado! Você só vê o lado ruim da coisa!” ou “Não é assim. A maioria pode até ser, mas tem aqueles que não são assim no (insira aqui o grupo criticado)!”

E ao ouvirmos isso normal fazermos aquela cara de bunda e concordar com a pessoa que lançou esse argumento.

Acontece que…isso é um argumento?

Existem muitos assuntos que são quase que concordâncias universais e jamais são vítimas do argumento “generalização precipitada” ou “tendenciosa”. Exemplo disso? Nazismo.

Se falarmos “O nazismo era horrível!” dificilmente ouviremos “Aw, não exagere! O Nazismo não era de todo mal. Tinham alguns nazistas que nem eram radicais…”

Creio eu que esse tipo de coisa não ocorra, pois normalmente o termo “nazista” é utilizado quando queremos demonstrar que algo é radical ao extremo ou por simplesmente jamais conseguir nos sentir bem ao demonstrar simpatia por algum produto nazista. Claro que isso exclui os neo-nazistas ativistas.

Alguns outros assuntos devem se encaixar nessa quase que imunidade da “generalização”. Isso deixo aos leitores, como reflexão, pensar e identificar alguns assuntos que se encaixam nesse perfil.

Bem o ponto do meu post não é esse. O ponto é até onde generalizar na religião poderia de fato ser considerado como um argumento?

Digamos que em discussões, é fácil apontarmos nos dias de hoje (vamos deixar o passado de fora, por agora) o quão alienante as mídias evangélicas podem ser. Falo mídias, pois eles estão se expandindo de diveeeeeersas formas distintas. Internet, rádios, jornais e canais de tv dedicados 24h a propagar a doutrina evangélico-cristã.

O que encontramos nesses canais? Doutrinação de crianças e jovens, homofobia, preconceito, racismo e apologia a diversos dogmas cristãos completamente infundados. Sem contar na pitada de misticismo de algumas igrejas onde os pastores AFIRMAM operar milagres.

Certeza que já terão pessoas que ao lerem o ultimo parágrafo começarão a esboçar os primeiros sinais do “Awww mas você está generalizando! Nem todos os pastores são assim!”

De fato, nem todos os pastores são assim. Mas ai jaz a cerejinha do sundae. O ponto desse post. Aonde estão os “bons religiosos” nessa hora?

Os fanáticos surgem, propagam idéias completamente surreais e vendem idealismos recheados de ódio e preconceito. Não satisfeitos, sugam até o último centavo dos fiéis e vendem curas milagrosas que não curam nada. Enquanto de um lado as pessoas mais esclarecidas lamentam por isso, os religiosos não fanáticos e moderados, pertencentes aquele mesmo grupo dos fanáticos, fazem o que? Nada.

Eles deixam os bandidos e mau-caráteres, se instalarem de maneira legítima. Sem nenhuma forma de combate ou esclarecimento. Isso ocorre em diversos meios. Sempre sob uma liberdade incondicional e vetada de qualquer embate. Não digo de proibir a execução destes cultos, claro. Não irei entrar no mérito da liberdade de culto, protegida por lei. Digo em tentar levar esclarecimento dentro das próprias igrejas para abrir o olho dos religiosos para estes tipos de prática.

Para condenar gays, ateus, lésbicas e quaisquer outro grupo que julgam “demoníacos” eles não poupam discursos ou esforços. Mas para combater os charlatões e enganadores dentro de seus próprios grupos a coisa muda.

Seria algo “Bom, ele é radical e eu jamais concordaria com esse papo de cura milagrosa, mas bem ou mal ele tá levando a palavra de Deus…” Porra! Espero que não! Os meios justificam os fins?! Caramba, que cristão esse pensamento!

Seria religião de todo mal? Estaríamos generalizando? Podemos citar a religião como algo bom em casos isolados. Um ou outro que largou as drogas, mas virou um religioso quase que fanático. Alguém que ia se matar e encontrou conforto em uma religião. Alguém que perdeu um parente próximo e sente-se melhor por crer que o verá em breve novamente.

Mas por outro lado, temos fatores globais tão fortes que podem nos levar a concluir que religião nos dias de hoje causam muitos males e são um dos fatores que mais disseminam preconceitos. Quer pior inimigo a oficialização do matrimônio gay? Não consigo ver sequer UM ARGUMENTO BEM EMBASADO, que demonstre um bom motivo para que o casamento gay não seja aceito. Todos os argumentos tem embasamento bíblico forte, até os mais desenvolvidos acabam esbarrando em uma passagem bíblica no final.

Estamos em 2010, mas sinto que isso só tende a piorar e se firmar. Temos o Crivella (evangélico ferrenho) como senador, Garotinho também, José Serra maldizendo ateus em comícios com maioria religiosa e uma febre cristã crescendo. Aw e até na medicina! Médica norte-americana que criou vacina “anti-lésbica”. (Motivo de meu próximo post, por sinal).

Era das trevas…?

09
fev
10

Perguntas e respostas 2

Bem continuando as indagações. Nada muito específico a declarar além do nojento calor que invade meu quarto. Como eu sempre digo, calor é ótimo para ir a praia, clube e pular carnaval. Agora para trabalhar, estudar ou qualquer outra tarefa semelhante de aliado ele se torna um pé no saco.

7 – De onde viemos? Por que existimos? Qual o sentido da vida? Sendo ateu você provavelmente tem uma visão desesperadora e acredita em uma existência vazia. Isso não é deprimente?!

Não sei. Não sei. Não há. Nessa ordem. Irei explicar melhor. Viemos da onde? Segundo a teoria da evolução, somos produtos gerados pela seleção natural principalmente. Evoluimos e chegamos a o que somos hoje, fisiologicamente falando. Por que? Não sei, como lei natural das coisas, não é algo que possui um “propósito” final e sim somente a sobrevivência. Sobreviver e perpetuar a espécie, penso eu, ter sido a mola propulsora para chegarmos onde chegamos. Logicamente que isso somente, hoje em dia já não se aplica mais a nossa espécie. Sentido da vida não há. Existe apenas o que fazemos. Nossos sentidos mudam, assim como nossas prioridades, ao longo de nossa vida. Não há uma razão superior maior externa e anterior a nossa existência – algo como o destino, estávamos destinados a viver e ser X desde o início – nós significamos nossas vidas. Deprimente? Não! Tenho meus objetivos, meus próprios sentidos e muita alegria. A diferença é que não possuo um deus para ser meu norte. Só isso.

8 – Vida após a morte? Reencarnação? Não te desespera saber que tudo acaba com a morte e ponto final? Não é horrível pensar assim?! Ai, que menino esquisito você!

Adoraria conseguir acreditar em qualquer uma dessas coisas, com toda a sinceridade do meu músculo cardíaco. Imagine só, morrer e reencontrar todos aqueles parentes e figuras históricas e conviver com eles por toda eternidade. Morrer e voltar, ter a chance de corrigir erros e ser cada vez melhor. Acontece que para mim é simples assim. Morreu é poff. Por tal razão que considero a vida algo único e especial de certa forma. Somos afortunados, pois vivemos apenas uma vez, portanto devemos viver do modo que acharmos mais proveitoso possível. Sem se preocupar com o pós-vida e significar sua vida para que possa receber uma bela recompensa no final.

9 – Mais e os fenômenos espíritas? Chico Xavier? Milagres? Inri Cristo? Não acha que provam algo? Curas milagrosas e etc.

Não! Ao meu ver o espiritismo no máximo do máximo é uma hipótese acerca de tais fenômenos. Afirmar que espíritos existem, o que são espíritos baseado em uma doutrina espírita (pois aparentemente a descrição coincide com os acontecimentos) é um equívoco. Em outras palavras, ceticismo. Ao meu ver esses fenômenos chamados mediunicos, quando não respondidos pela neurologia/psiquiatria/psicologia (muitos “médiuns” possuem patologias identificáveis e controláveis/tratáveis) são algo que merecem um estudo especial para se descobrir o que possam ser. Acontece que “espíritos” em si, são coisas não evidenciadas de maneira satisfatória até hoje a ponto de serem considerados como as religiões colocam. Uma alma imortal e que persiste após a morte.

10 – Não acha importante despertarmos uma espiritualidade nas crianças desde cedo? Ensinar valores para que se tornem adultos religiosos e tementes a deus? Aonde iria parar uma criança que desde cedo é ensinada que nada existe e que ela é dona de seu nariz, nada deve temer?

Espiritualidade? Espíritos existem? Como despertar algo que mal sabemos se de fato existe ou não passa de uma interpretação equivocada? Enfim. Tementes a deus? Definitivamente não! Crianças devem ser ensinadas que a punição pelos seus atos é real e não divina. Que a consciência de respeito ao próximo deve vir, pois ela através de reflexão pode chegar a simples conclusão que é o melhor a se proceder. Não pois “deus está olhando, cuidado!” Isso soa como uma espécie de educar pelo medo. Uma criança não é dona de seu nariz. Ela depende de seus pais e de qualquer outra pessoa que exerça uma responsabilidade sobre ela. Ensine a criança a pensar, desenvolver senso crítico e raciocínio. Filosofia seria uma PERFEITA substituta para as malditas aulas de religião do ensino fundamental/médio.

11 – Pare! Respeite minha religião! Sangue de cristo tem poder e você está amarrado!

Claramente! Respeito sim! Nunca discuti com religiosos, não puxo esse assunto com pessoas que sei que acreditam em algo. Caso surja o assunto, infelizmente não irei omitir minha opinião na forma de um falso respeito. “Ai ai, não pisarei nos seus memes!” Desculpe, isso não aconteceria. Se uma pessoa tem direito de expressar que “Jesus me libertou!” eu posso muito bem dizer “Jesus existiu mesmo?” Por que não? Acontece que se as pessoas tomassem a postura de “Não sou obrigado a justificar nada, creio por que quero e ponto final!” seria ótimo. A partir do momento que você se comprometer a justificar sua crença, por favor, que o faça bem feito e suporte refutações. Contra-argumente.

Bom isso cobre boa parte. Provavelmente mais perguntas virão!

04
fev
10

Agnosticismo?

Olá pessoal, tudo bom? Melhor do pescoço e munido de pensamentos venho aqui para mais um post. Vamos lá!

Ultimamente tenho pensando acerca da postura “agnóstica” tão utilizada. Muitas vezes ela é utilizada de maneiras completamente erradas. Agnosticismo significa desconhecer algo. Apesar que a origem da palavra o a = negação e gnose = conhecimento, seria uma negação do conhecimento em outras palavras agnósticos seriam aqueles que negam um dado conhecimento existente (afinal não se pode negar um conhecimento inexistente). Acontece que o agnosticismo não é empregado neste sentido cru da palavra.

Antes de chegar no que seria uma definição um pouco mais precisa de agnosticismo, deixe-me falar um pouco acerca do emprego inapropriado do termo – Agnóstico ser utilizado como uma posição “cética” de meio termo. Quanto a crer ou não em deuses seria o “50% sim e o 50% não” o meio-a-meio. Nem lá nem cá. A segunda forma de emprego, consequentemente a mais inadequada é aquela famosa “Sou agnóstico. Não creio em deuses religiosos, mas acredito em um poder qualquer superior!” Já vi pessoas utilizando essa frase como justificativa do que seria um agnóstico. Bom ambas estão erradas e a segunda não passa de uma espécie de deísmo pessoal.

Agnóstico é aquele que simplesmente não possui conhecimentos acerca de dado assunto. Por exemplo – Sou agnóstico em relação a deuses ou seja – não tenho conhecimentos acerca da existência de nenhum deus. Você pode ser Ateu Agnóstico/gnóstico ou Teísta Agnóstico/gnóstico. Um ateu agnóstico é aquele que não acredita em deuses e não possui conhecimento acerca deles. O teísta gnóstico seria aquele que acredita em deus e possui conhecimento acerca desse deus. Exemplificando um exemplo de cada lado.

Ao meu ver a posição agnóstica não soa razoável. Atribui-se ao agnosticismo uma posição cautelosa, moderada. Quando na realidade o agnosticismo soa como algo preguiçoso. “Não tenho conhecimento acerca de X. Logo não tiro conclusões. Nem que sim, nem que não.”

Ser agnóstico é uma escolha obviamente, mas com posições estritamente agnósticas não haveriam muitos avanços, pois o agnosticismo nega/desconhece o “conhecimento” necessário acerca da questão que ele escolher ser agnóstico. Todos nós, a grosso modo acabamos sendo agnósticos em relação diversos assuntos. Desconheço diversas coisas, mas procuro estudar e conhecer aquilo que me é necessário/prazeroso. Se eu tiver uma posição agnóstica acerca das coisas, não me será necessário o conhecimento. Posso estar redondamente enganado neste parágrafo, mas ao que me parece resumidamente – Sou agnóstico em relação a X, logo assuntos sobre X acabam aqui.

Ser agnóstico é diferente do ceticismo. Onde levantam-se perguntas, críticas e procura-se obter o maior conhecimento possível acerca da questão X, afim de que um esboço de conclusão/conhecimento comece a ser levantado para X.

E quanto a ser gnóstico em relação a deuses? Possuo conhecimento sobre deuses? Quem possui? Padres? Pastores? Todo o conhecimento acerca de deuses que possuimos foram produzidos por nós mesmos. Logo a “gnose” acerca de deuses é um produto nosso. Como se tem conhecimento de algo que nunca pode ser evidenciado de maneira alguma até hoje? Eu simplesmente não consigo entender, como ser gnóstico em relação a deuses possa soar uma postura razoável e equilibrada.

Isso é um esboço. Ainda tenho algumas colocações a serem feitas sobre agnosticismo/gnosticismo e suas implicações. Parece que o texto ficou um pouco confuso, enfim, se notarem algo absurdo, por favor, sintam-se a vontade para criticar!

Abraços a todos!

30
jan
10

O que é o amor?²

Estranhamento. Curiosidade. Indiferença. Provavelmente um dos três sentimentos que algumas pessoas que olharam o “2” no título (potência) devem ter sentido. Utilizei o “2” por um simples motivo – já possuo um post com o mesmo título. O post com esse mesmo título está aqui -> O que é o amor?. Um vídeo acadêmico que fiz em grupo para um trabalho de Sociedade e Cultura. Acontece que devido a restrições disciplinares não pude aprofundar a questão devidamente. Devo admitir que o título para o vídeo produzido por nosso grupo foi deveras pretensioso. Em momento algum o vídeo define o que é amor, salvo suas reações químicas no organismo.

O que é o amor?

Essa é uma questão deveras complexa. Poucas pessoas param para pensar neste sentimento. Apenas costumam sentir algo que associam à amor, devido a experiência prévia do que lhes foi ensinado. Acontece que um sentimento que abrange tantas formas de manifestação diferentes, dificilmente teria uma definição real. Sentimos algo e esse algo por definição de padrões se torna amor. Por exemplo você sente um “gostar” por alguém, algo forte que você jamais sentira antes. Desconhecendo tal sentimento procura descobrir ou conversar acerca do que sente com outras pessoas. Contando tais sintomas para as pessoas elas lhe dirão “Cara, acho que tu tá apaixonado!” Por fim você acaba se convencendo e acreditando que o tal “amor” existe e você o sente. Isso é um exemplo de “amar” que acontece. Obviamente existem diversos exemplos, que infelizmente não poderei citar aqui.

Ok! Disse tudo e não disse nada!

Pois é. Essa é a questão. Amor não tem definição. Arriscaria dizer que o amor como nos é passado não existe. Amor é algo individual, uma percepção do sujeito. Para mim amar é uma coisa. Para o cara do lado amar é bater na mulher, demonstrando que só bate pois ama. Para outros amar é algo tão “profundo” que seriam capazes de matar o seu objeto de amor caso fosse decepcionado. Alguns matariam em nome do amor que sentem por algo, como os religiosos fanáticos o fazem. Como podem existir tantos tipos de “amor” assim? E com que autoridade nós desclassificamos o jeito de “amar” do próximo? Baseado em que? No nosso bom senso? No nosso conceito de certo/errado? No nosso conceito de amar? Quais são os critérios que determinam o “verdadeiro amor”? Sabe quais são? Nenhum. Pois o “verdadeiro amor” não passa de um conceito sem o menor embasamento (mais um deles) criado por nós.

Então você não amaria ninguém?

Amaria sim. Já amei e amo! Muitas pessoas. Acontece que uso o termo “amar” por mera convenção, pois eu não sei o que é que tantos chamam de amar. Vejo pessoas que mal se conhecem e já dizem que se amam fervorosamente. Outras que vivem meses e anos e nunca conseguiram dizer que se amam. Afinal como saber o que é amar de verdade?! Não há segurança para tal! Apenas isso que penso. Apesar dessa indefinição e minha compreensão do que seria o “verdadeiro amor” eu diria que creio nele. Pois já o senti/sinto em relação a diversas pessoas. Ceticamente falando – sinto o que seria classificável como amor por diversas pessoas. Agora se realmente é ou não é amor, não saberia dizer.

Amor = fé?!

Uma questão um tanto pertinente. Eu diria que muitos aspectos gerais sim. Falando por mim, não. Acho que amar uma pessoa ou objeto que existem é bem diferente de amar algo que não se tem a menor idéia de sua existência. Obviamente que a existência ai passa pela razão e grande parte dos que acreditam em deuses, tal existência, passa pela emoção. “Sentir o amor” do espírito santo sobre suas cabeças. Eu diria que o amor até certo ponto é evidenciável. Saber se uma pessoa te ama através das ações dela contigo. Jeito de olhar, carinhos, toques e etc. Claro que infelizmente isso irá passar por um julgamento individual seu – caso as ações daquela pessoa estejam de acordo com o seu padrão de amor, logo você verá evidências que ela te ama. Portanto não é algo realmente seguro de ser evidenciado.

Apenas assim. Amamos muitas vezes sem saber, sentimos, choramos nos deixamos levar. Mesmo sendo algo quase inexistente jamais conseguiríamos viver sem amar ou ser amado. Essas são parte de minhas idéias acerca do amor. Quem sabe um “3” apareça por ai…

24
jan
10

Insustentável utopia

Olá leitores. Bom domingo e bom início de semana para todos, de antemão. Férias acabando, aulas chegando! =)

Quanto mais eu penso, leio e encuco com a idéia de deus, menos plausível ela se torna. Costumo fazer um exercício interessante, quando quero problematizar questões assim. Faço o que chamam do papel do “advogado do diabo” e tento levantar argumentos que defendam/sustentem as idéias contrárias as minhas. Quando o assunto são “deuses” devo assumir que é bem difícil ser tal advogado.

Bom sei que muitos teístas dirão que é bem fácil concluir que deus existe e demonstrar sua existência. Pois bem, se você que está lendo esse blog está neste grupo, por favor o faça. Gostaria muito de ver tais argumentos.

Levando em conta o dia-a-dia básico, nossa vida em si, aonde está deus? Simplesmente não consigo encontrá-lo em lugar algum. Na prática diária, deus ao meu ver é insustentável demais para ao menos cogitar sua existência. A única sustentação de sua existência vem da interpretação de cada crente dos fatos ocorridos. Para eles isso configuraria uma evidência “prática” da existência de deus. Exemplo – Conseguir aquele emprego que tanto precisava ou ser bem sucedido em qualquer objetivo que tenha traçado – isso é tão comum de acontecer, mas são pequenas coisas atribuídas a existência de deus. Eu pergunto por qual razão deus iria favorecer uma pessoa específica dentre tantas para ganhar aquele emprego? As outras não merecem o emprego tanto quanto aquele merecedor? Ou simplesmente não teve deus nenhum ali, foi apenas uma análise de curriculum do RH da empresa?

Esse pensamento soa muito egoísta. Achar que deus fica 24 horas por dia prestando atenção em tudo e todos. Favorecendo você e desfavorecendo os outros. Quão cristão esse pensamento é! Que lógica é esta? Quando se acontece uma tragédia (como essa do Haiti, por exemplo) muitos dizem que era o “plano de deus” e os mais fanáticos e vingativos (ao estilo velho testamento) dirão que “O terremoto foi mais que merecido, afinal o Haiti sempre teve fama de ter um povo macumbeiro. Adoram magia negra!” Acreditem isso faz parte de um desdobramento dentro da lógica cristã. Muitos dirão que são cristãos e jamais diriam tal absurdo, mas eu digo – nem todo cristão é brando.

Há também a perguntinha básica, mas que não me satisfaz e acho meio descabida “Aonde estava deus quando aquilo tudo aconteceu?” Apenas deixo aqui, pois ela é comum e vejo muitas pessoas se questionarem acerca da malevolência de deus. Como Epícuro disse:

“Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?”

Muitos dirão que deus nos deu o livre arbítrio, portanto o mal é uma escolha nossa. Fazemos mal pois somos malvados. Ponto final. Bem eu lhes diria e aquelas crianças que nascem com doenças genéticas sem cura? Doenças degenerativas? Foi culpa do homem? Esse tipo de “mal” não é pensado. Apenas o mal direto/indireto. E os desastres naturais (como do Haiti) também é culpa do mal do homem? Talvez algum país tenha construído uma super máquina que gera choque de placas tectônicas e nós nem sabemos disso…

Apesar deu achar meio descabido atacar deus com tais argumentos, acho válido quem o faça. O fiz neste post apenas para demonstrar que são alguns questionamentos existentes. Para mim todos os “males” citados acima tem resposta e NENHUMA delas evoca deus como causa. Nem para bem nem para mal.

Acho que o que realmente “sustenta” (reforço nas aspas!) um deus é a idéia da vida após a morte. A recompensa divina ou a idéia de reencarnar e evoluir eternamente (ou quase isso de acordo com a doutrina espírita). Lembrando que as idéias por mais que nos agradem, não necessariamente constituem verdade. Portanto dizer que é bem bacana acreditar num paraíso quando morrer, não necessariamente o torna real.

Porcaria, 700+ palavras de novo. Vou parando por aqui! Abraço a todos!

19
jan
10

Crianças de cristo

O perigo do pecado

– Quanto a estes pequeninos que crêem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço. Marcos 9 – 42.

Executando minha leitura tranquila do novo testamento dei de cara com essa passagem. Jesus dando suas demonstrações de sabedoria divina (literalmente). Uma das coisas legais da bíblia é que ela nos permite ler e interpretar suas colocações cheias de sabedoria. Apesar que com certeza, acho péssimo retirar fragmentos isolados de um contexto, lhes digo que o resto do texto que o segue não menciona mais crianças.

Bom ao analisar cuidadosamente esta passagem, ao meu ver ao dizer “…estes pequeninos…” ele estaria se referindo as crianças. Provavelmente um punhado de crianças deveria estar a sua volta no momento (em Marcos 9-36 ele abraça uma criança e a coloca no meio dos discípulos). Ok tendo entendido isto, vamos prosseguir.

Bom essa passagem, claramente mostra um argumento bíblico a favor da doutrinação de crianças. Jesus até mesmo mostra sua parcialidade a respeito daqueles que porventura, instigassem suas crianças a serem céticas ou seguir qualquer outro deus que não o “seu pai”. Vou dizer que após a leitura de Mateus e agora progredindo com Marcos venho mudando minha opinião acerca de quem foi Jesus (considerando que de fato tenha existido, como narrado nos evangelhos). Não direi se para melhor ou pior, visto que ainda falta muito a ser lido. Mudando se considerada a visão de Jesus que eu costumava ter.

Considerando essa passagem agora, faz algum sentido dentro da lógica cristã de levar seus filhos aos cultos/missas o quanto antes. Afinal se Jesus com toda sua bondade, foi capaz de desejar tal destino as pessoas que desviassem crianças deste caminho, imagine o quanto isso é condenável aos olhos de deus.

Acho que o problema é que na época que a bíblia foi feita não se tinha a visão de criança que se tem hoje. Hoje em dia é sabido que uma criança não tem maturidade para discutir política, economia ou história com um grau de entendimento de um adulto. Ela pode decorar e cuspir conhecimentos, mas fazer uma reflexão e entendimento daquilo (veja bem, assuntos complexos, não qualquer coisa!) é muito difícil para uma criança. Portanto na época que Jesus viveu provavelmente crianças eram “pequenos adultos” com ligeiras diferenças. Eram outras condições, outros tempos outros VALORES.

Imagine explicar para a criança toda uma doutrina cristã, seus dogmas, suas estruturas e quem foi Jesus de modo que ela entenda de fato. Seria isso realmente possível? Dirão que sim, pois diversos pastores espertamente, desenvolveram programas de doutrinação bíblica voltado para uma criança. Os soldadinhos de deus, como são chamados carinhosamente. Queria ter a oportunidade de conversar com uma criança doutrinada (o máximo que vi foram programas, alguns chocantes, crianças com um nível de alienação e preconceito tremendo).

Devido a complexidade do assunto, creio eu que religião não deveria ser um tema abordado tão cedo. No caso das escolas – filosofia. Existem metodologias filosóficas para crianças, desde cedo, aprenderem a desenvolver raciocínio e capacidade crítica – a entender alguns conceitos básicos. Se quisessem inserir religiosidade mais adiante, que colocassem o conhecimento religioso com a clareza de um professor e não um doutrinador – A religião (escolha a de sua preferência) é uma visão de mundo, não constitui verdade absoluta e é questionável como diversas coisas. Colocando-se este conhecimento iria da criança/jovem se aprofundar mais ou não naquela religião. Mais tarde passar a acreditar ou não, mas com base em seu senso crítico e íntimo. Não pois seus pais obrigam a ir a cultos/missas todo domingo ou por que irá para o inferno caso não acredite.

Aqui no Brasil eu desconheço, mas nos EUA é muito comum igrejas evangélicas terem as famosas “Hell Houses” que são pessoas encenando em um palco coisas monstruosas. Pecados são retratados de maneira alegórica por artistas de teatro afim de demonstrar para crianças que o inferno é um lugar que elas NÃO querem ir. Engraçado que o público alvo deles são crianças de 12 anos. Abaixo segue um vídeo de uma “hell house” autêntica evangélica.

Infelizmente não achei legendado. Quem entender inglês, reparem na letra. As imagens são retiradas destas peças encenadas. Reparem na do aborto, feito de maneira bem açougueira e pasmem – o público alvo é 12 anos. Criado por um pastor evangélico, este tipo de prática tem se tornado bem comum no que chamam de “cinturão bíblico” americano.

Creio eu que é apenas uma questão de tempo até que “espetáculos” como este cheguem as nossas crianças…

18
jan
10

As origens críticas…

Como muitos já notaram falo de religião sobre este blog. Critico, reflito e a cada momento que se passa vejo o quão impossível seria sustentar deus em minha vida novamente. Quão difícil seria (se eu o tentasse de modo honesto) acreditar em toda essa fábula bíblica de deus. Quão difícil seria!

Quando critico religiosidade (cristianismo e seus desdobramentos, em geral – mas não exclusivamente) falo da grande maioria, do que vejo, do que leio. Não sou onisciente e muito menos conhecedor de todas as igrejas praticantes de tal doutrina. O motivo pelo qual religiões me incomodam é o fato de possuirem verdades fundamentais ou dogmas, onde sustentam toda a razão de sua existência. Essa seria a origem de minha crítica a diversos sistemas religiosos.

Falando brevemente do protestantismo de Lutero. Aonde teve-se uma chance de finalmente quebrar o catolicismo, acabar com todo aquele niilismo cristão! Alguém levantou-se contra a igreja, desafiou-a! Tão somente por apenas uma maldita reforma. A reforma protestante que não desconstruiu o cristianismo e seus dogmas, apenas os moldou – dando início a um novo desdobramento do cristianismo. O niilismo cristão continuaria a perpetuar-se paralelamente. Catolicismo de um lado, protestantismo do outro.

Hoje temos inúmeras igrejas evangélicas – Nova Vida, Adventista do sétimo dia, Jesus Cristo é o Senhor, Tá Amarrado em nome de Jesus etc. Cada uma com suas ligeiras peculiariedades – geradas pelas interpretações acerca do novo/velho testamento. Completamente descabidas muitas delas, algumas até explicam “biblicamente” por qual razão as mulheres não são permitidas se rasparem ou fazerem sexo oral. Incrível.

Temos o intrépido grupo dos criacionistas da terra jovem. Onde acreditam e fundamentam que a terra tem menos de 10,000 anos de idade. Qualquer geólogo daria boas gargalhadas. Temos zilhões de evidências que demonstram justamente o contrário. Afinal eles se blindam de qualquer conhecimento que venha confrontar suas verdades bíblicas, verdades essas que são passíveis de interpretação. Até onde a razão pode defender a fé?

Sem comentar no doutrinamento feito em milhares de crianças pelo mundo. Escolas associadas massivamente a religiões ensinando essas “verdades” morais e únicas as crianças. Verdadeiros abusos mentais. As aulas de “ciências” demonstram a Teoria da Evolução como uma “alternativa” ao Criacionismo. Perai?! Alternativa?! Criacionismo é teoria desde quando?! Incrível! Lamentável! Cristão! Deplorável…

Devo dizer que reconheço a existência de teístas moderados, muitos deles apenas cultuam seus deuses de maneira tranquila, sem se importar se o outro acredita ou não. Respeitam as diversas religiões e não tem problemas com isso. Sei que existem, conheço gente assim. Acontece que mesmo as pessoas de “crença moderada”, digamos assim (reconheço que o termo é meio insatisfatório), servem de base para os fervorosos. Imagine-se ao ir numa dessas migrações atrás de santa ou passeios religiosos feitos hoje em dia, você chegar em um lugar e se deparar com milhares de pessoas com o mesmo objetivo e crença que você? Que impacto teria se eu ao me inscrever numa “passeata atéia” ao chegar lá visse 1000 pessoas que partilham de uma idéia em comum comigo ao invés de 2 ou 3? Ter esse “reforço” de sua “crença” (aspas, pois no caso de uma passeata atéia, não seria bem reforço de uma crença e sim da não crença) é algo muito positivo. Ai fervorosos e moderados se misturam.

Fundamentalismo, dogmas, verdades absolutas. Ai que está o grande problema. Olhar o mundo diante de um filtro tão certo e completamente INCERTO ao mesmo tempo. O pior é acreditar veemente que este é o certo, sem titubear. Afinal a fé inabalável é uma virtude! Sejamos virtuosos! Retirar a moral da bíblia. Se não temos razões morais bíblicas para seguir, se deus não existe, por que ser bom? Incrível. Então essas pessoas são boas pois temem a deus? Não são boas pois simplesmente acreditam que fazer o “bem” é satisfatório por si só? Sistema de recompensa/punição divina? Meu palpite é que não, elas fariam o bem mesmo sem crer em deus, mas o fundamentalismo delas jamais permitiria tal conclusão.

É complicado falar desses assuntos, pois infelizmente religião em nossa sociedade tem um status de intocável. Colocou-se em um pedestal e quem ousar criticá-la (com ou sem embasamento racional) automaticamente é um ser desrespeitoso.

É acho que ando sendo desrespeitoso demais…irei ficar por aqui, contador de palavras me lembrando que não devo me exceder…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.