Posts Tagged ‘filosofia

08
out
11

O que é Design?

Em inglês a palavra design é tanto verbo quanto substantivo. Como substantivo significa – dentre outras coisas – “intenção,” “plano,” “intento,” “objetivo,” “enredo,” “padrão,” “estrutura básica,” todos estes (e outros significados) estando conectados com “astúcia,” eengano“.

Como verbo (“to design”), significa incluir “inventar alguma coisa,” “simular,” “rascunhar,” “desenhar,” “criar,” “ter design em algo.” A palavra é derivada do latim signum, que significa “signo” e possui a mesma raiz antiga. Assim, etimologicamente, design significa “de-sign.” Isso levanta a pergunta: Como a palavra design atingiu o significado que possui nos dias de hoje?

Essa pergunta não é histórica, no sentido de enviar alguém para examinar textos e documentos atrás de evidências do aonde e quando a palavra veio a ter os significados do dia de hoje. É uma questão semântica, no sentido de nos fazer considerar precisamente no por que desta palavra possuir um grande valor cultural ligado ao seu discurso contemporâneo.

– Vilém Flusser – O mundo codificado.

Flusser nos diz que a palavra design nem sempre foi “design”. Que sua humilde origem, de-sign, ou seja, des-significar, remover signifcado, negar signficado. Como a palavra atingiu este significado moderno atribuido a tantas profissões, todas curiosamente, voltadas para o âmbito criativo?

Design gráfico, design de móveis, design de embalagem, design de jóias, design até de cabelo ou “hair designer” (pois é muito mais chique assim) todas usam a criatividade. Podemos discordar que design de cabelo nunca existiu e é errado usar tal termo? Obviamente! A questão apenas não é essa.

O que é o exercício da criatividade? Ser capaz de criar, conceber, significar, desenvolver, projetar algo. Tudo é um exercício de criatividade, quando consideramos a criação apenas. Criatividade não deve ser associada com originalidade ou singularidade (no sentido de ser inédito). Criar é apenas criar. Comum vermos em requerimentos de emprego, por exemplo – “Indispensável ser criativo” – oras, criativos todos nós somos! Ao falarmos proferimos fonemas que ao atingirem um receptor apto, irão criar/gerar/ter um significado. Criar é parte de nosso cotidiano. Somos todos criativos.

Quanto a comunicação visual. Vemos constantemente como definição de design, tudo aquilo que transmite uma mensagem, comunica visualmente (no âmbito do design gráfico). Uma definição bem comum que ouço dos professores na faculdade, que todo processo gráfico que envolva comunicação através de signos ou linguagem visual em geral, é design. Portanto nossa função como estudantes é aprender/enriquecer ao máximo nosso alfabeto visual de possibilidades, para que no futuro nos tornemos grandes comunicadores visuais.

Será que design e comunicação visual são uma simbiose ou apenas coexistem? Então para ser design gráfico, tem que comunicar? Se tem que comunicar, comunica como? Objetivamente ou Subjetivamente? Se objetivamente teremos como grande exemplos do design as campanhas publicitárias por ai (o que na minha opinião, seria um exemplo muito pobre para design gráfico) se subjetivamente teríamos quadros em galerias de arte o que iria deixar muitos designers putos da vida “Belas artes não é design gráfico!” Poderia adentrar ainda mais a questão, pois existem muitos artistas plásticos que comunicam objetivamente através de suas obras.

Removendo comunicação visual e criatividade como órgãos vitais do design gráfico, o que sobra?

O que sobra é que estamos longe de uma definição satisfatória para design. Quanto mais definições surgem para design gráfico mais profundo o abismo se torna e voltamos sempre a estaca zero. Talvez não se consiga uma resposta reta e de fácil compreensão e apreensão do que é design gráfico devido ao seu apêndice cultural.

Por motivos mercadológicos seremos em grande parte vendedores de ideias. O grande desafio é conseguir fazer sua ideia tornar-se defensora do seu ideal.

 

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15
ago
11

Do Design como tecnologia

Recentemente adquiri o livro (e já o li) “Alexandre Wollner e a formação do Design Moderno no Brasil” em uma promoção destas aleatórias da vida. Como estudante deste ofício (de 5º período) a busca por um entendimento do que “design gráfico” viria a ser, vem tomando um bocado de meus pensamentos, leituras e reflexões. Sei que não há definição satisfatória o bastante para design, pois ao tentarmos definí-lo, iríamos acabar caindo na velha armadilha que já ocorre com arte. Como definir arte? A mesma dificuldade é, definir design.

Por motivos lógicos e para evitar um post prolixo, irei focar no design gráfico.

Wollner certa ocasião, em um dos seus workshops, soltou a seguinte frase, mais ou menos assim (não lembro com tanta exatidão) – “O Design não tem compromisso em ser esteticamente belo e sim, tecnologicamente correto.” Não preciso dizer o quão polêmica essa frase é, tampouco teria bagagem suficiente para falsear tal afirmativa, mas poderia tecer algumas colocações a respeito.

Tendo em vista a relação e o entendimento de Wollner a respeito deste ofício, esta frase não seria tão polêmica. Irei tentar explicar o que entendi, quando Wollner proferiu tal sentença.

Para Wollner, design gráfico está intimamente ligado a tecnologia. Para ele o designer gráfico é um projetista preocupado com o todo. Por exemplo ter um “corel” ou “.ai” de uma logo não é design para Wollner.  Projetar uma logo isolada de seu sistema, função, conceito e aplicações técnicas funcionais – para Wollner – não seria considerado design, pois uma importante etapa do processo foi pulada.

É comum vermos diversas empresas ai, até algumas com uma quantidade de tempo razoável de mercado que ignoram para este processo. Muitos pedem pra “priminhos” executarem suas logos ou até mesmo os próprios chefes o fazem, sentam no computador, abrem o seu software favorito e executam a “logomarca” de suas empresas em 30 minutos.

Mediante a grande fatia do mercado que ignora completamente a função e a importância da construção de uma identidade visual funcional e completa, passo a entender melhor o que poderia ser considerado uma opinião “radical” do Wollner acerca de alguns aspectos do design gráfico.

Fácil seria culpar o mercado, mas temos que responsabilizar também, aos profissionais e aos que estão em processo de formação. Alguns deles não fazem a menor ideia do que fazem. Ignoram muitos aspectos de seu ofício contribuindo e muito para o não reconhecimento da profissão.

Prática comum no meio empresarial o viver constantemente no simulacro. Nada se pesquisa, tudo se “emula” ou “imagina.” Irei exemplificar.

Digamos que você tem uma empresa que está já a uns anos no mercado. Agora você quer abrir um novo ramo e atingir um novo mercado. Você sabe muito pouco do seu público alvo, apenas coisas bem genéricas como “São jovens” ou “Gostam de festa.” Você não faz a real noção de onde está pretendendo pisar, portanto para não arriscar uma quantia grande de dinheiro, o sensato a fazer seria uma pesquisa e levantamento de dados acerca do que pretende-se visar. Público alvo, gastos a longo prazo, planejamento a curto ou a longo (depende do projeto).

Não. Você se reune com seus sócios e alguns de seus funcionários e em uma tarde, resolve tudo. “Como devemos projetar essa interface? Aww, tipo, o cara quando entra qual a primeira coisa que vê? Esse botão, claro. Eu pelo menos todo site que vou sempre vejo isso de cara.” Esse tipo de comportamento “simulado” é um recurso útil, quando temos uma certa segurança acerca de algo ou quando precisamos cumprir prazos apertados. Acontece que tornar este tipo de ação prática predominante em sua empresa, especialmente a respeito de sua identidade visual corporativa, pode gerar problemas a curto ou a longo prazo.

Design gráfico e sua importância no âmbito empresarial, especialmente identidade visual, é algo subestimado e constantemente ignorado aqui no Brasil. A quem cabe conscientizar e tornar esta prática mais transparente e informativa? Nós, estudantes e formados. Apesar de ser exaustivo discutir e ter de explicar milhares de vezes a mesma coisa em alguns casos, creio eu que devemos fazer a nossa parte.

Próximo post irei aprofundar mais acerca de Wollner e meu entendimento do mesmo.

22
maio
11

O motivo de crer : Introdução

Começarei uma série de posts que abordarão este tema. O motivo, o cerne, o por que, o tal qual, a mola propulsora, o sentido da vida (para muitos) – A crença religiosa. Não irei apontar uma religião específica tampouco um deus qualquer. Irei falar de modo geral dessa tão dita “virtude” – a fé no divino.

Gostaria de deixar claro de antemão que não irei cobrir todos os motivos existentes (seria, digamos, impossível) irei tratar apenas dos que eu conheço e entendo. Os mecanismos que levam esses poderosos memes a se replicarem e mutarem (em bastante casos) com tanta facilidade e velocidade.

Eu não saberia dizer quando exatamente a crença em algo misterioso e superior, uma espécie de criador oni-tudo começou, mas posso falar muito bem sobre como existe hoje.

Quanto mais procuro, menos sentido a existência de um deus faz. Intrigante ver o quão diferente as pessoas possam ser a ponto de bilhões dela pensarem completamente diferente. Mesmo. Extremo opostos. Algo como quase eu zero e eles um.

Hoje mesmo supostamente deveria ser o fim do mundo para um grupo de evangélicos norte americanos que logicamente tem espaço aqui no Brasil. Pude ver em diversos ônibus circulando pela cidade (Niterói/RJ) a propaganda do fim do mundo e o início do arrebatamento hoje. Eles afirmam ter provas bíblicas irrefutáveis deste evento. Nada aconteceu. Isso os torna mentirosos? Idiotas? Ou o que?

Seria a crença deles no fim do mundo hoje tão absurda assim? As pessoas acreditam que um espírito engravidou uma mulher, que seu filho 33 anos mais tarde foi morto e ressuscitou 3 dias após. Seu pai teria assistido tudo lá de cima e nada fez, pois era parte de um plano maior seu filho ser surrado até a morte. Sem falar em outros absurdos bíblicos, como Adão e Eva. Isso não torna qualquer cristão idiota, mas aqueles que achavam que o mundo ia acabar hoje com base em estudos bíblicos são idiotas. São alvo de chacota de outros grupos cristãos.

Curioso não?

Vejo muitos cristãos criticando o Bolsonaro (ficou famoso após polêmicas declarações homofóbicas no CQC), mas se pararmos para pensar ele sim estaria mais próximo dos valores bíblicos que estes cristãos que o criticam. Não lembro de nenhuma passagem bíblica que dissesse ou desse a entender que o homossexual era algo a ser respeitada e compreendida. Aliás o único cristão famoso que vi dizer isso foi Chico Xavier em um programa de entrevista da extinta rede Tupi.

Não consigo deixar de notar certas incoerências. O papo que rola é “Awww mas nós filtramos as coisas ruins da bíblia né! Não vamos levar tudo ao pé da letra!” – Claro. E quem seríamos nós para dizer o que presta e o que não presta no que chamam de ESCRITURAS SAGRADAS. Foi DEUS quem escreveu aquilo. Como ousa interpretar/filtrar tais palavras?

Começarei por partes. Próximo post irei especificar os motivos do crer das pessoas que conheço. Contextualizarei/tecerei comentários acerca.

08
ago
10

Anti-teísmo?

Comum ao afirmarmos que algo é ruim. Mais comum ainda é, quando isto ocorre, sermos rotulados como generalizadores ou exagerados.

“Seu ponto de vista é limitado! Você só vê o lado ruim da coisa!” ou “Não é assim. A maioria pode até ser, mas tem aqueles que não são assim no (insira aqui o grupo criticado)!”

E ao ouvirmos isso normal fazermos aquela cara de bunda e concordar com a pessoa que lançou esse argumento.

Acontece que…isso é um argumento?

Existem muitos assuntos que são quase que concordâncias universais e jamais são vítimas do argumento “generalização precipitada” ou “tendenciosa”. Exemplo disso? Nazismo.

Se falarmos “O nazismo era horrível!” dificilmente ouviremos “Aw, não exagere! O Nazismo não era de todo mal. Tinham alguns nazistas que nem eram radicais…”

Creio eu que esse tipo de coisa não ocorra, pois normalmente o termo “nazista” é utilizado quando queremos demonstrar que algo é radical ao extremo ou por simplesmente jamais conseguir nos sentir bem ao demonstrar simpatia por algum produto nazista. Claro que isso exclui os neo-nazistas ativistas.

Alguns outros assuntos devem se encaixar nessa quase que imunidade da “generalização”. Isso deixo aos leitores, como reflexão, pensar e identificar alguns assuntos que se encaixam nesse perfil.

Bem o ponto do meu post não é esse. O ponto é até onde generalizar na religião poderia de fato ser considerado como um argumento?

Digamos que em discussões, é fácil apontarmos nos dias de hoje (vamos deixar o passado de fora, por agora) o quão alienante as mídias evangélicas podem ser. Falo mídias, pois eles estão se expandindo de diveeeeeersas formas distintas. Internet, rádios, jornais e canais de tv dedicados 24h a propagar a doutrina evangélico-cristã.

O que encontramos nesses canais? Doutrinação de crianças e jovens, homofobia, preconceito, racismo e apologia a diversos dogmas cristãos completamente infundados. Sem contar na pitada de misticismo de algumas igrejas onde os pastores AFIRMAM operar milagres.

Certeza que já terão pessoas que ao lerem o ultimo parágrafo começarão a esboçar os primeiros sinais do “Awww mas você está generalizando! Nem todos os pastores são assim!”

De fato, nem todos os pastores são assim. Mas ai jaz a cerejinha do sundae. O ponto desse post. Aonde estão os “bons religiosos” nessa hora?

Os fanáticos surgem, propagam idéias completamente surreais e vendem idealismos recheados de ódio e preconceito. Não satisfeitos, sugam até o último centavo dos fiéis e vendem curas milagrosas que não curam nada. Enquanto de um lado as pessoas mais esclarecidas lamentam por isso, os religiosos não fanáticos e moderados, pertencentes aquele mesmo grupo dos fanáticos, fazem o que? Nada.

Eles deixam os bandidos e mau-caráteres, se instalarem de maneira legítima. Sem nenhuma forma de combate ou esclarecimento. Isso ocorre em diversos meios. Sempre sob uma liberdade incondicional e vetada de qualquer embate. Não digo de proibir a execução destes cultos, claro. Não irei entrar no mérito da liberdade de culto, protegida por lei. Digo em tentar levar esclarecimento dentro das próprias igrejas para abrir o olho dos religiosos para estes tipos de prática.

Para condenar gays, ateus, lésbicas e quaisquer outro grupo que julgam “demoníacos” eles não poupam discursos ou esforços. Mas para combater os charlatões e enganadores dentro de seus próprios grupos a coisa muda.

Seria algo “Bom, ele é radical e eu jamais concordaria com esse papo de cura milagrosa, mas bem ou mal ele tá levando a palavra de Deus…” Porra! Espero que não! Os meios justificam os fins?! Caramba, que cristão esse pensamento!

Seria religião de todo mal? Estaríamos generalizando? Podemos citar a religião como algo bom em casos isolados. Um ou outro que largou as drogas, mas virou um religioso quase que fanático. Alguém que ia se matar e encontrou conforto em uma religião. Alguém que perdeu um parente próximo e sente-se melhor por crer que o verá em breve novamente.

Mas por outro lado, temos fatores globais tão fortes que podem nos levar a concluir que religião nos dias de hoje causam muitos males e são um dos fatores que mais disseminam preconceitos. Quer pior inimigo a oficialização do matrimônio gay? Não consigo ver sequer UM ARGUMENTO BEM EMBASADO, que demonstre um bom motivo para que o casamento gay não seja aceito. Todos os argumentos tem embasamento bíblico forte, até os mais desenvolvidos acabam esbarrando em uma passagem bíblica no final.

Estamos em 2010, mas sinto que isso só tende a piorar e se firmar. Temos o Crivella (evangélico ferrenho) como senador, Garotinho também, José Serra maldizendo ateus em comícios com maioria religiosa e uma febre cristã crescendo. Aw e até na medicina! Médica norte-americana que criou vacina “anti-lésbica”. (Motivo de meu próximo post, por sinal).

Era das trevas…?

03
ago
10

O Gene egoísta – Intro

Olá!

Tempos sem postar, férias. Férias que aproveitei absurdamente bem. Foram ótimas. Agora as aulas começaram junto com os estudos.

Recentemente adquiri O Gene Egoísta (presente de minha namorada ninja que encontrou a edição de 89 ainda!) do ilustre Biólogo/Zoólogo Richard Dawkins. Estava atrás deste livro fazia um tempo e agora finalmente tenho minhas mãos sobre ele. =)

Logo no início, feita as considerações e resenhas têm-se a introdução do próprio Dawkins a respeito do livro.

O nome vem da conclusão e argumento central do livro – Somos máquinas programadas por nossos genes com intuito de replicá-los e assegurar sua sobrevivência. Escravos guiados por nossos genes. Egoísta pois teoricamente nossos genes nos usam para que se repliquem (reproduzam-se) com intuito de sobrevivência.

Dawkins analisará os comportamentos percebidos em nós humanos e nos animais – Egoísmo e Altruísmo.

De acordo com Dawkins, até mesmo por questões genéticas, somos egoístas. E infelizmente (isso frisado até mesmo por ele) os egoístas tem maior chance de sucesso (não só em humanos, mas especialmente nas outras espécies). Algo curioso a respeito disso foi a menção que ele faz ao dizer que temos de ensinar nossos filhos valores altruístas, como se importar com o próximo, repartir e ajudar. Normalmente só o fazemos diante a uma atitude egoísta da criança. Como se fosse natural querermos nosso benefício próprio acima do próximo. Ao ensinarmos práticas altruístas estaríamos nos “rebelando” contra nossos genes? Uma pergunta que faço e espero que seja respondida ao longo do livro.

O livro não serve de guia moral e nem tenta passar isso. O próprio Dawkins deixa isso bem claro, que o que se encontra no livro, são constatações provenientes de seu estudo e análise de artigos.

Se as pessoas ao lerem o livro se sentirem satisfeitas para praticar atitudes egoístas com a desculpa que estão apenas seguindo “sua natureza”, por favor menos cara de pau e mais inteligência.

Em suma – esse post introdutório será o primeiro de uma série que farei acerca de cada capítulo ou argumento que eu achar interessante no processo de leitura. Tentarei trazer a visão do autor juntamente com a minha de concordância ou discordância.

Então nos próximos posts saberemos mais acerca do livro e uma das correntes da sociobiologia. A memética e a teoria da evolução cultural, creio eu, serão um dos capítulos mais empolgantes!

23
jul
10

Up

O caminho havia sido seguido.

Quem disse que acertamos? Nem sempre. Essa é a coisa da vida. Rolamos dados sempre.

São tantas variáveis para que no final, mesmo após ponderarmos muito acabamos errando.

Toma-se um tombo, sente-se a dor. A cabeça pesa. O rosto encharca-se. Os braços tremem e as pernas ficam paralizadas.

De lá debaixo temos duas escolhas – ficar caído ou levantar. Muitas vezes nos confortamos com o descanso de ficar deitado, relaxar o corpo e as pernas. Apreciar o mundo lá debaixo. Facilita muito.

Mas dai nos tornamos vítimas de nossos próprios aconchegos. Deixamos a vida seguir lá em cima e ficamos muito confortáveis aqui embaixo. É tão quentinho aqui embaixo. Criamos quase que uma alternativa da realidade para nosso máximo conforto. Realidades como castelos de cartas – frágeis porém belas. Felizes somos. Lá de cima nos olham e dizem “Que tristeza viver assim…”

Dai alguns resolvem olhar pra cima com afinco. Começam a ver a vida lá em cima. As pessoas atarefadas, de um lado pro outro, mas nem todas tem um sorriso no rosto. Muitos eram como nós. Cairam, se machucaram, mas não quiseram se aconchegar. Ficaram caídas por breve momento. Momento suficiente para suspirar bem fundo e se levantarem novamente.

Agir por mimese essas horas pode ser uma boa idéia. Nem sempre precisamos ter um motivo para levantar. Levantar por si já basta!

Com a cabeça alta temos mais facilidade para enxergar o horizonte e o motivo surgirá.

Suspire bem fundo, tire o pó da roupa e coloque um band-aid na ferida.

Fique de pé e estique o corpo.

Erga o rosto e olhe para o horizonte.

O sol pode brilhar a qualquer momento.

A vida não tem um botão rebobinar…

04
jun
10

Consequência, mas causa?!

Desculpem pelo sumiço. A última semana foi um pouco prego, um trabalho de metodologia, desespero, prazo e no final não fiquei satisfeito com o produzido. Bem, é a vida. O motivo maior, obviamente é minha falta de assuntos para postar. Mencionei anteriormente que não pretendo utilizar esse espaço para apenas encher linguiça, portanto prefiro ficar 10 dias sem postar, do que postar todo dia qualquer porcaria. Igual, peço desculpas aos que acompanham esse pequeno espaço.

Quão comum é vermos amigos, parentes ou pessoas estranhas atribuindo causa a uma consequência? Atribuimos significados a eventos simples. Muita das vezes afim de que possamos entender o motivo de certas consequências, bolamos as mais mirabolantes causas, quando possuem razões bem simples. Por exemplo: Você sai para buscar pão e é atropelado. Se quebra todo, fica em coma uma semana. Danifica sua coluna e precisará de fisioterapia para poder andar novamente.

Mas por que? Eu sempre fui honesto, trabalhador, educado, amável e nunca fiz mal a ninguém! Por que eu?!

O sentimento de indignação começa a proporcionar o combustível para a procura da causa. Sentimento muito bem compreendido e comum em um caso tão drástico como esse. Temos a tendência de nos colocarmos sempre como pessoas privilegiadas, “animais” especiais acima do bem e do mal. Acima da casualidade.

Não nos perguntamos por que zebras morrem todo dia na natureza. “Claro ué, ela tem de servir de alimento para os leões!” Aw que bom! Pensei que fossem dizer que “é por que as zebras eram donas de engenho em vidas passadas, logo merecem sofrer para alcançar a evolução espiritual!” ou “Pois aquelas zebras são muito egoístas, deus agora está ensinando elas a ter humildade.”

Casos assim nós notamos as causas de maneira rápida e quase instantânea. Mas quando é conosco ou com pessoas um pouco mais próximas (em alguns casos nem tanto) nos não conseguimos ter essa clareza de raciocínio. Devido ao sentimento? Talvez. Comum é termos alguma simpatia por membros de nossa espécie? É. Talvez…

O ponto é que todos nós somos assim. Eu sei que muitas vezes sinto esse sentimento de indignação ao saber que uma criança morreu de maneira acidental. Como se crianças possuissem um “passaporte vida-livre-de-maldades” e direitos especiais sobre quaisquer outros seres. Nós possuimos idéias e sentimentos pré-concebidos acerca de coisas. Ver um adulto morrendo não dói tanto quanto ver uma criança. Por que?

Direi um motivo para o contrário:

– Uma criança mal começou a viver, um adulto já tem vida estabelecida e consequentemente pode vir a ser um pai de família que ao morrer deixará uma família inteira sem suporte. A criança deixará uma família triste, o adulto deixará uma família triste + desamparada (financeiramente ou de outro modo).

Isso respeitando uma possibilidade utópica. Sabe o mais engraçado? Me senti mal ao escrever isso. Me senti frio, canalha, sangue-frio. Um psicopata sem sentimenos quase, que analisa quem vive e quem morre por lógica somente.

Seria isso parte do sentimento da indignação?

Essa “lógica” que acabei de exemplificar acima, faz parte da vida de diversos médicos do Brasil da rede pública. Devido a falta de recursos, muitas vezes eles tem de escolher quem vive e quem morre. Para eles não há causa ou consequência boa o bastante para lhes fazerem compreender isso. Não há “punição de vidas passadas” ou “castigos de deus”.

Há um leito e duas pessoas em risco de morte. Apenas. “Brincam de deus” como costumam dizer. Eles lidam com a consequência todo dia, mas onde fica a causa?




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.