Posts Tagged ‘Deus

22
maio
11

O motivo de crer : Introdução

Começarei uma série de posts que abordarão este tema. O motivo, o cerne, o por que, o tal qual, a mola propulsora, o sentido da vida (para muitos) – A crença religiosa. Não irei apontar uma religião específica tampouco um deus qualquer. Irei falar de modo geral dessa tão dita “virtude” – a fé no divino.

Gostaria de deixar claro de antemão que não irei cobrir todos os motivos existentes (seria, digamos, impossível) irei tratar apenas dos que eu conheço e entendo. Os mecanismos que levam esses poderosos memes a se replicarem e mutarem (em bastante casos) com tanta facilidade e velocidade.

Eu não saberia dizer quando exatamente a crença em algo misterioso e superior, uma espécie de criador oni-tudo começou, mas posso falar muito bem sobre como existe hoje.

Quanto mais procuro, menos sentido a existência de um deus faz. Intrigante ver o quão diferente as pessoas possam ser a ponto de bilhões dela pensarem completamente diferente. Mesmo. Extremo opostos. Algo como quase eu zero e eles um.

Hoje mesmo supostamente deveria ser o fim do mundo para um grupo de evangélicos norte americanos que logicamente tem espaço aqui no Brasil. Pude ver em diversos ônibus circulando pela cidade (Niterói/RJ) a propaganda do fim do mundo e o início do arrebatamento hoje. Eles afirmam ter provas bíblicas irrefutáveis deste evento. Nada aconteceu. Isso os torna mentirosos? Idiotas? Ou o que?

Seria a crença deles no fim do mundo hoje tão absurda assim? As pessoas acreditam que um espírito engravidou uma mulher, que seu filho 33 anos mais tarde foi morto e ressuscitou 3 dias após. Seu pai teria assistido tudo lá de cima e nada fez, pois era parte de um plano maior seu filho ser surrado até a morte. Sem falar em outros absurdos bíblicos, como Adão e Eva. Isso não torna qualquer cristão idiota, mas aqueles que achavam que o mundo ia acabar hoje com base em estudos bíblicos são idiotas. São alvo de chacota de outros grupos cristãos.

Curioso não?

Vejo muitos cristãos criticando o Bolsonaro (ficou famoso após polêmicas declarações homofóbicas no CQC), mas se pararmos para pensar ele sim estaria mais próximo dos valores bíblicos que estes cristãos que o criticam. Não lembro de nenhuma passagem bíblica que dissesse ou desse a entender que o homossexual era algo a ser respeitada e compreendida. Aliás o único cristão famoso que vi dizer isso foi Chico Xavier em um programa de entrevista da extinta rede Tupi.

Não consigo deixar de notar certas incoerências. O papo que rola é “Awww mas nós filtramos as coisas ruins da bíblia né! Não vamos levar tudo ao pé da letra!” – Claro. E quem seríamos nós para dizer o que presta e o que não presta no que chamam de ESCRITURAS SAGRADAS. Foi DEUS quem escreveu aquilo. Como ousa interpretar/filtrar tais palavras?

Começarei por partes. Próximo post irei especificar os motivos do crer das pessoas que conheço. Contextualizarei/tecerei comentários acerca.

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07
maio
10

Crença & Pessoal

Interrompo minha estória delirante acerca de Aquiles para um assunto sério. Não se preocupem, próximo post teremos a continuação e desfecho desta aventura. =)

Bom como todos sabem eu sou contra qualquer tipo de idolatria. Seja por times de futebol (um dos piores tipos de idolatria na minha opinião) ou deuses. Por idolatria entenda-se não somente acreditar, mas fazer daquele objeto de idolatria algo mais importante que tudo. Algo que o torne fanático. Algo que o faça cometer coisas estúpidas, como agredir torcedores rivais pois apenas são do outro time ou amarrar bombas no seu corpo e se explodir, achando que está indo viver com virgens e limpando a terra de infiéis.

Algo que me deixa um bocado irritado é religião ser um dos assuntos intocados. Não se pode fazer piada com nenhum dos mitos dito “sagrados” que as pessoas que acreditam se sentem absurdamente ofendidas. Até as pessoas não fanáticas ficam ofendidas com aquilo. Isso eu já experienciei com conhecidos e amigos que acreditam, mas nem sequer vão a igreja. Eles ficam ofendidos. Se eu fizer uma piada com Jesus é como se eu tivesse feito uma piada com a mãe do cidadão/cidadã.

As coisas que eu acredito, por exemplo, vejo piadas com Darwin ou sua teoria quaisquer outros valores que eu venha seguir e não levo para o lado pessoal. Brinco rio e sacaneio. Provavelmente me ofenderia se fosse algo direto a minha pessoa e não a um conjunto. As pessoas se ofendem pois acreditam em Jesus, mas e dai?

Uma piada acerca das 300000 contradições/absurdos bíblicos não deveriam ser levados tão a sério. Fazemos piadas de diversas coisas, sobre todo tipo de assunto, até mesmo essas pessoas que se sentem ofendidas com Jesus sendo sacaneado. Faz parte da nossa cultura e digo-lhes, uma parte muito boa.

Termos a capacidade de transformar quase tudo em algo bem humorado que nos faça dar risadas. Amenizar um fato trágico e trazer um pouco de leveza em coisas mais pesadas.

Por mais doentio que eu ache a Bíblia em especial a carta de Paulo aos romanos (terminei de ler ela e simplesmente fiquei de boca aberta) tenho respeito pela crença, não fico exigindo a todos que acreditam que fiquem se justificando os por-quês. Agora ficar ofendido com piadas ou brincadeiras pois “É minha crença, está me desrespeitando!” Pro inferno!

Primeiro não é sua crença. Segundo ela já existia milênios antes de você nascer. Terceiro foi escrita por diversos autores, possui inúmeras traduções e manipulações (o que já torna duvidoso a bíblia dos dia de hoje, o quão precisa ela seria se comparada a original?). Tudo que tá na bíblia foi parte de um acordo, que excluiu diversos outros evangelhos, ou seja, o que está ali não está por ser verdade ou acaso – está por um motivo.

Sua crença não é você. Pessoas que se definem por suas crenças, deveriam parar para pensar o quão a sério elas se definem. Se quer se definir pela sua crença, então comece a seguir o estilo bíblico de vida – odeie homossexuais, apedreje adúlteros e coloque Deus acima de tudo. Mesmo. Tudo. Inclusive de sua própria vida e de seus filhos – Assim como Abraão. Parece que soa bonito e correto dizer que é “cristão” para os outros ouvirem – como se isso automaticamente o tornasse uma boa pessoa.

A verdade é que são poucos os religiosos que levam sua religião a SÉRIO MESMO. Quantos evangélicos conhecemos que fazem sexo antes do casamento? Que engravidam até antes de casar? Religiosos homossexuais e por ai vai. Isso ao meu ver é ótimo! Sinal que uma espécie de bom senso ou algo do gênero, faz com que as pessoas consigam separar e filtrar alguns absurdos que na época em que a bíblia foi feita faziam todo o sentido.

Espero que esse tipo de comportamento continue a se seguir, até que fiquem com as poucas coisas boas da bíblia e joguem todo o resto fora. Seguir uma moral bíblica inflexível nos dias de hoje seria no mínimo, uma loucura estúpida. Coloquem a graça na religião de volta.

02
fev
10

A beleza de acreditar!

Olá pessoal. Semana ótima. Início de aulas sem matéria só bla bla bla e uma brutalizada no músculo do pescoço. Essa belezinha me rendeu uma visita a emergência do hospital. Após esperar uns 30-40 mins (isso pq a emergência tava vazia e o hospital era PARTICULAR) fui atendido e meu pescoço tá voltando ao normal. Enfim!

Costumo expressar minha descrença e a razão dela através de diversos posts já feitos aqui. Falo, penso, reflito e problematizo algumas razões. Irei fazer justamente o contrário agora. Irei colocar aqui, de acordo com o que eu entendo da fé/crença algumas das razões das quais fazem crer ser algo belo, confortante. Um pouco alienante em alguns casos.

Morte?

Não tema. Se serviu a cristo durante sua vida, teve uma vida justa e pautada segundo a bíblia agora é a hora de sua recompensa. Sua alma irá para os céus onde será feliz e terá paz plena por toda a eternidade. Ao lado de Deus e Cristo. Isso serve para qualquer parente seu que cumpra os pré-requisitos para ir aos céus. Caso contrário se você blasfemou, matou, era ateu, homossexual ou qualquer coisa condenada pela bíblia, meu amigo para você – o inferno. Portanto arrependa-se enquanto há tempo. Procure a igreja evangélica mais próxima e entregue-se a Cristo que tudo estará bem. Qualquer atrocidade cometida por você será perdoada e a graça de Cristo cairá sobre você. Pois o Filho do Homem tem um bom coração!

Vida?

Ah! Indescritível viver para Cristo e por Cristo. Tão indescritível que eu vou falar sobre. Viver uma vida justa, ser bom, seguir os 10 mandamentos e louvar o senhor por qualquer graça ou conquista recebida. Aquele emprego? Glória ao senhor! Aquela moça que agora é sua namorada e você está super feliz? Glória ao senhor! Aquele carro que quase te atropelou, mas você desviou bem na hora? Glória ao senhor! Aquela nota de 10 reais que achou no chão indo trabalhar? Glória ao senhor!

Agora aquele emprego que você perdeu? Capeta! Aquele carro que te acertou atravessando a rua e agora você está hospitalizado? Capeta! Sua namorada te chifrou e você pegou no flagra? Capeta! A nota de 10 reais que achou era falsa? Capeta!

Bem acho que deu para pegar a lógica que grande parte dos evangélicos emprega no dia-a-dia (espero que percebam, grande parte, não TODA parte).

Vida? Universo?

Ora, o senhor criou tudo em 6 dias e descansou no sétimo. Homem veio do barro e a mulher de sua costela. Tudo foi feito como conhecemos hoje. Evolução? Um discurso interessante, mas nada além disso. Sabemos que o Senhor quem criou tudo. Como algo tão bem projetado, tão belo, tão perfeito, tão tão! Evolução onde é tudo aleatório?! Jamais! Impossível! Como diria Lane Craig – é tão improvável de surgir o genoma humano, que é um milagre o fato dele ter surgido! – tão eloquente!

A aposta de pascal afinal!

Para finalizar o golpe final para justificar por qual razão devemos crer! Pascal disse que devemos acreditar pelos simples motivos – Se deus não existir e você acreditou, então você apenas teve uma crença falsa durante sua vida. Se deus existir e você acreditar, parabéns! Estará salvo no dia do juízo. Se você não acreditou e ele não existe, parabéns, estava certo! Se você não acreditou e ele existe, dai amigo, inferno para você!

Claro que a onisciência de deus iria notar os que acreditavam falsamente, apenas querendo livrar suas almas do juízo final, portanto acreditem de verdade!

Por essas e outras razões que devemos acreditar. Sei que soa bem debochado meu post, mas infelizmente esses motivos que citei acima são muito utilizados como justificativa de uma fé. Coloquei de forma bem crua afim de ser direto. Alguns acharão desrespeito com a crença alheia, pois eu digo – Se esse post fosse sobre minha “visão esquerdista” criticando os “de direita” iria ofender? Seria desrespeitoso? Seria! Graus completamente diferentes logicamente. Acontece que política não está em um pedestal logo não é um assunto intocado.

Por favor, tirem o pedestal que a religião se encontra! Religião é um assunto como outro qualquer. Vamos falar sobre, discorrer, debater! Como fazem com política, economia e qualquer esfera do conhecimento. Acabar com esse “não me toques” da religião. Sintam-se livres para criticar ou elogiar. O espaço é de vocês.

27
jan
10

A “milagrosa” cura?

Olá pessoal. Tudo bom? Férias no fim. Aulas irão começar!

Assistindo a televisão hoje aleatoriamente me deparei com uma matéria em um dos jornais noturnos (não lembro se era band ou record) sobre as curas milagrosas. A fé que cura doenças. Assisti na esperança que alguém com uma postura cética fosse ser entrevistado. Alguém que pudesse levantar algumas questões pertinentes acerca deste assunto um pouco polêmico. Nem devo dizer que minha espera foi em vão…

Um rapaz tinha um problema na tireóide, depositou sua fé nas rezas diárias que fazia. Numa consulta posterior o médico lhe disse que “Eu não sei o que você tinha, mas sua tireóide agora está normal.” O rapaz de imediato disse “Glória a Deus então!”

Agora nos aproximemos da questão de maneira cética e vamos levantar algumas questões pertinentes, que ao meu ver demonstram que nem de longe “deus” foi responsável pela cura.

Primeiro – Realmente nosso cérebro é um orgão poderoso. Em testes duplos cegos de farmaco (onde têm-se grupos de controle – um recebe o medicamento real e outros placebos) em muitos casos o grupo “placebo” demonstra sinais de melhora. Levantando a possibilidade de que nosso cérebro tem um “poder” de sugestão bem grande e pode ser capaz de aumentar nossas chances contra doenças. Até mesmo nos curar. Portanto basta ter fé na pílula de açucar ou na cadeira de sua sala que os efeitos seriam os mesmos. Acontece que normalmente as pessoas preferem depositar sua fé no deus cristão (no caso do Brasil) dando-lhe uma maior chance de receber créditos por tais curas. Sortudo!

Segundo – A conclusão visto que já que eu rezei e melhorei de minha condição, logo deus existe. Bem ela infelizmente não possui nada além de uma interpretação do fato em si. Interpretação essa que admite tantas hipóteses mais plausíveis, que cogitar que “foi o deus curador” logo de cara, seria um erro. Mais uma vez a fé depende de algo para existir, mas não é por que temos fé nesse “algo” que ele passará a existir. “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade.” Ok, mas não iremos exagerar nessa “mentira”.

Terceiro – Quantas pessoas, estatisticamente falando, se curam “milagrosamente”? Quantas outras pessoas que tiveram fé pereceram diante de suas moléstias? Quantas outras que não tiveram fé e simplesmente tiveram um tratamento médico adequado sobreviveram? Se analisar estatisticamente os ditos “milagres da fé” são raríssimos e ínfimos se comparados ao “comum”. Comum entenda-se pessoas que se submeteram a tratamentos médicos e não “gurus” ou “pastores sai-caroço”. Na série feita por Richard Dawkins “Root of all evil?” (Raíz de todo mal?) ele visita um local onde mais de 80 mil pessoas por ano vão em busca de cura milagrosa. Devotos levam seus doentes procurando a cura. Sendo que têm-se registro aparente de algo em torno de 40 curas de fato. Vejam bem, 80 mil pessoas por ano, por vários anos e apenas 40 casos de “cura milagrosa”? Uma estatística um tanto quanto desencorajadora.

Não subestimo a fé em si e do que ela é capaz. Sim no que ela se deposita. Acreditar que através de reza somente iremos curar todos os males é muito arriscado. Abandonar tratamentos médicos embasados em estudos e evidências, jogar estatísticas fora em troca de um “milagre” é apostar no improvável.

Gostaria muito que a “série da fé que cura” colocasse alguém que levantasse essas questões. Muito fácil encontrar profissionais para desenvolver esses questionamentos de maneira mais suscinta que eu. Só não sei se interessaria ter esse tipo de postura num espaço “reservado” para a fé.

Apostar em um milagre é brincar de roleta russa. Minto, pois se o tambor da arma utilizada tiver 6 espaços totais e apenas um conter a bala, as chances de morrer são de 16,6% aproximadamente. Bem maior que qualquer cura milagrosa que existe por ai.

24
jan
10

Insustentável utopia

Olá leitores. Bom domingo e bom início de semana para todos, de antemão. Férias acabando, aulas chegando! =)

Quanto mais eu penso, leio e encuco com a idéia de deus, menos plausível ela se torna. Costumo fazer um exercício interessante, quando quero problematizar questões assim. Faço o que chamam do papel do “advogado do diabo” e tento levantar argumentos que defendam/sustentem as idéias contrárias as minhas. Quando o assunto são “deuses” devo assumir que é bem difícil ser tal advogado.

Bom sei que muitos teístas dirão que é bem fácil concluir que deus existe e demonstrar sua existência. Pois bem, se você que está lendo esse blog está neste grupo, por favor o faça. Gostaria muito de ver tais argumentos.

Levando em conta o dia-a-dia básico, nossa vida em si, aonde está deus? Simplesmente não consigo encontrá-lo em lugar algum. Na prática diária, deus ao meu ver é insustentável demais para ao menos cogitar sua existência. A única sustentação de sua existência vem da interpretação de cada crente dos fatos ocorridos. Para eles isso configuraria uma evidência “prática” da existência de deus. Exemplo – Conseguir aquele emprego que tanto precisava ou ser bem sucedido em qualquer objetivo que tenha traçado – isso é tão comum de acontecer, mas são pequenas coisas atribuídas a existência de deus. Eu pergunto por qual razão deus iria favorecer uma pessoa específica dentre tantas para ganhar aquele emprego? As outras não merecem o emprego tanto quanto aquele merecedor? Ou simplesmente não teve deus nenhum ali, foi apenas uma análise de curriculum do RH da empresa?

Esse pensamento soa muito egoísta. Achar que deus fica 24 horas por dia prestando atenção em tudo e todos. Favorecendo você e desfavorecendo os outros. Quão cristão esse pensamento é! Que lógica é esta? Quando se acontece uma tragédia (como essa do Haiti, por exemplo) muitos dizem que era o “plano de deus” e os mais fanáticos e vingativos (ao estilo velho testamento) dirão que “O terremoto foi mais que merecido, afinal o Haiti sempre teve fama de ter um povo macumbeiro. Adoram magia negra!” Acreditem isso faz parte de um desdobramento dentro da lógica cristã. Muitos dirão que são cristãos e jamais diriam tal absurdo, mas eu digo – nem todo cristão é brando.

Há também a perguntinha básica, mas que não me satisfaz e acho meio descabida “Aonde estava deus quando aquilo tudo aconteceu?” Apenas deixo aqui, pois ela é comum e vejo muitas pessoas se questionarem acerca da malevolência de deus. Como Epícuro disse:

“Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?”

Muitos dirão que deus nos deu o livre arbítrio, portanto o mal é uma escolha nossa. Fazemos mal pois somos malvados. Ponto final. Bem eu lhes diria e aquelas crianças que nascem com doenças genéticas sem cura? Doenças degenerativas? Foi culpa do homem? Esse tipo de “mal” não é pensado. Apenas o mal direto/indireto. E os desastres naturais (como do Haiti) também é culpa do mal do homem? Talvez algum país tenha construído uma super máquina que gera choque de placas tectônicas e nós nem sabemos disso…

Apesar deu achar meio descabido atacar deus com tais argumentos, acho válido quem o faça. O fiz neste post apenas para demonstrar que são alguns questionamentos existentes. Para mim todos os “males” citados acima tem resposta e NENHUMA delas evoca deus como causa. Nem para bem nem para mal.

Acho que o que realmente “sustenta” (reforço nas aspas!) um deus é a idéia da vida após a morte. A recompensa divina ou a idéia de reencarnar e evoluir eternamente (ou quase isso de acordo com a doutrina espírita). Lembrando que as idéias por mais que nos agradem, não necessariamente constituem verdade. Portanto dizer que é bem bacana acreditar num paraíso quando morrer, não necessariamente o torna real.

Porcaria, 700+ palavras de novo. Vou parando por aqui! Abraço a todos!

17
jan
10

História de descrença.

Então! 2000 visitas foram atingidas. Aliás 2030! Como de costume, quando atingi 1001 visitas, gostaria novamente agradecer aqueles que frequentam o blog e gostam de ler meus devaneios. Como de costume irei fazer um post pessoal. A história de minha descrença.

Bom como provavelmente já citei aqui antes, nem sempre fui ateu. Essa posição foi algo adquirido em uma progressão de pensamentos. Evolução gostaria de dizer, mas essa evolução é questionável, portanto utilizarei o termo progressão – um raciocínio foi concluindo outro – de maneira a chegar a minha atual posição.

Bom desde que me entendo por gente, sempre desprezei as instituições religiosas. A igreja e qualquer outro templo físico com intuito de adoração a alguma entidade. No entanto seus dogmas e doutrinas eram bem aceitas por mim. Jesus e a presença de um super-ser tomando conta de todos nós – seja punindo ou recompensando – era algo perfeitamente plausível quando eu tinha meus 12 anos aproximadamente. Eu rezava, tinha medo de espíritos e acreditava no capeta. Acreditava que quando morríamos, teríamos todos nossos lugares no céu. Assim havia sido me ensinado, quando criança, diante da minha primeira experiência com a morte de um parente – “Está vendo aquela estrelinha lá? Então, ela estará lá te olhando sempre!” Quem nunca escutou isso quando criança?

Alguns anos se passaram e devido ao ligeiro conhecimento de história medieval no ensino médio, pude reparar quanta merda foi feita em nome deste suposto “Deus” católico. Inquisição me deixou chocado – pessoas serem queimadas pelo simples fato de serem “bruxas” (porra!) ou ameaças a igreja, hereges! Dai comecei a me desvencilhar do cristianismo – sem falar que os milagres de Jesus e o fato dele ter nascido de uma virgem já não faziam o menor sentido para mim. Joguei Jesus e o catolicismo fora, mas não a existência de um super ser onipotente.

Por volta dos meus 15-16 anos, era uma espécie de Deísta. Acreditava que existia um “poder superior”, mas não sabia definí-lo. Erroneamente me chamava de agnóstico, achando que agnósticos são aqueles que acreditam em “algo não definido”.  Seu “deus” pessoal, logo agnóstico. Santa ignorância (ah, santa!). Estava com “meu deus” e moldava ele de acordo com os meus questionamentos – Mas se tem um poder superior, pq existe tanta miséria? Pois ele criou as coisas como são, mas não interfere, somos livres e perguntas do gênero. Fui questionando tanto esse poder superior que uma hora a pergunta foi “Porra, se ele não interfere em nada, pra que ele existe?“. Percebi em meu íntimo que sustentá-lo já não era mais possível e conclui que nada do meu dia-a-dia (ou experiência prática) corroborava com minha idéia de “poder superior”.

Aos 17-18 anos já me considerava descrente, mas era pouco familiarizado com o ateísmo em si. Via evangélicos fanáticos ou argumentos pró-deus e por mais que me incomodassem não sabia como refutá-los. Pareciam fechados, perfeitos e infalíveis. Somente com meus tardios 21-22 anos que comecei REALMENTE a me interessar pelo assunto. Ler, ver vídeos, palestras e a procurar conhecimento neste assunto. Hoje entendo que o desenvolvimento de minha postura cética que me levou ao ateísmo.

Ainda não descarto 100% a existência de um deus, diria que empiricamente falando, dia-a-dia, na prática não existem deuses. Nada aponta para tal, somente os fatos simplórios como “consegui um emprego” ou “tirei uma nota boa na faculdade” que são atribuídos a um “graças a deus!”. De maneira absurda e infundada, mas acontece. Filosoficamente falando talvez. Não possuo calibre (ainda) para refutar algumas posições teológicas, não conheço a fundo para saber o que foi dito por ai a respeito. Então deixo meu “muito improvável que exista um deus, mas não o descarto totalmente.” Até por que, ao afirmarmos que “Não existe um deus e ponto!” me soa um bocado dogmático, mas sei perfeitamente que existem pessoas que saberão embasar brilhantemente tal afirmação. O que não seria o meu caso, ainda.

É isso, de uma maneira bem resumida. Mais uma vez, obrigado a todos que colaboraram para que mais uma marca fosse atingida – rumo ao 3000! Abraços a todos!

05
dez
09

Deus – um delírio???

Olá a todos. Boa noite, precisamente.

Estou prestes a terminar o famigerado best-seller de Dawkins, Deus – Um delírio. Apesar de não estar nas considerações finais do autor acerca do apanhado geral de seu livro, resolvi me apressar e fazer o meu apanhado geral.

Ao longo do livro Dawkins coloca seus argumentos a favor do Ateísmo crítico, rebatendo diversos “ataques” ao Ateísmo e ao evolucionismo. Coisas como “Ateus são imorais”, “Stalin era Ateu”, “Homem veio do macaco”, “estruturas de complexidade irredutíveis” e etc…

Devo dizer que este livro me enriqueceu um bocado e me fez procurar saber mais a respeito. Acho meio complicado ficar com apenas um lado da história. Tenho lido a Bíblia também (velho e novo testamento simultaneamente) e visitado blogs cristãos que supostamente refutam o Ateísmo. Pois bem, até então todos eles caem naquela velha estória que “Ateus crêem que Deus NÃO existe” (atentai para o uso completamente indevido do crêem, onde fica o cerne da questão), essa é a mais clássica, quase todo forum, blog ou apologética que eu vejo, esse argumento é usado. Para este argumento diria – dicionário.

Agora penso, se realmente descobrissem que deus de fato não existe. Nem deuses, nem santos, nem entidades. Como ficaria a humanidade? As pessoas que dedicaram suas vidas a obediência cega de escrituras antigas. No que iria impactar isto tudo? Teríamos um suicídio em massa no planeta? Simplesmente as pessoas iriam ignorar qualquer evidência (caso ela surgisse) forte da inexistência de deus (o que já me parece acontecer, visto que não há nada que corrobore satisfatoriamente sua existência, até então)?

Dai caimos naquela (outra clássica) que não podemos provar que deus não existe. Acontece que o ônus da prova cabe aos que afirmam sua existência. Eu não afirmaria que ele não existe – concluo que é MUITO improvável existir.

A lacuna que seria deixada por deus. Iríamos inventar algo para por no lugar? Simplesmente impossível imaginar o ser humano sem ter a necessidade de crenças, sistemas dogmáticos fundamentalistas regendo suas vidas e muitas vezes seus Estados?

A questão do capítulo que estou, trata das crianças que sofrem influência direta dos pais quando o assunto é religião. Neste ponto concordo com Dawkins. Dizer que uma criança é católica? Evangélica? Espírita? Absurdo. Não nascemos crendo em deuses. A fé é adquirida e sofre forte influência da cultura na qual essa criança está inserida. O perigo aqui é não mostrar que a criança pode seguir escolhas. Mostrar que não crer é uma opção. Assim como também além da religião dos seus pais, existem milhares outras.

Se o deus católico de fato fosse a verdade absoluta, por qual razão então ele não se manifesta a todos, de modo unificar os povos e acabar com o ódio religioso? Ou seria isto aberto a múltiplas interpretações, de modo que cada povo iria afirmar que “aquele deus” era o seu e não o do outro? Gerando assim mais e mais polêmicas. Interessante que eu mesmo acabo me respondendo no final, deixando meu negativismo transparente.

Acho que entraríamos naquele papo que “só sente deus quem acredita, tem que ter fé!”

Felizmente (ou infelizmente para muitos) fé religiosa é um componente que estou longe de adquirir. Um problema? Já pensei assim, mas agora vejo que não me faz a menor falta. Já tive fé um dia e já rezei muito quando criança/adolescente. Adoro sentir-me responsável pelos meus sucessos e pelos meus erros. A idéia de um ser divino influenciando minha vida positivamente em troca de um punhado de preces, não me soa muito convincente. Além de ser egoísta na minha opinião.

É. Os dias de amparo divino acabaram. 🙂




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.