Posts Tagged ‘design

04
abr
14

Startup Weekend Favela 2014

Olá internet! Agora que arranjei uns minutos para respirar e por tudo em perspectiva, irei dividir um breve post a respeito da Startup Weekend realizada no morro da Providência este ano. A primeira vez que este evento acontece em uma comunidade do Rio de Janeiro misturando o universo do empreendedorismo e inovação com o rico ambiente cultural e humano que é a comunidade da Providência.

O evento em si dispensa apresentações, o Startup Weekend já acontece pelo mundo todo fazem uns bons anos. O evento basicamente é uma grande JAM, aonde times devem criar uma startup/negócio em aproximadamente 54 horas. Alguns participantes logo no início fazem um pitch (apresentar uma idéia em 60 segundos) e uma votação ocorre. Ao final, as 9 idéias mais votadas são levadas adiante. Os grupos se formam de maneira espontânea, você corre atrás da idéia que quer trabalhar e os trabalhos começam nos dois dias que seguem.

No final 9 idéias foram escolhidas sobre temas diversos: lixo nas comunidades, cultura, geração de renda e um projeto que me chamou a atenção – criado pelo Hudson, um rapaz de 19 anos que mora na comunidade do Borel – A inserção dos e-sports (jogos digitais como esportes) nas comunidades. Sabe aquela história de termos escolinha de futebol nas favelas? Que tal uma escolinha de League of Legends, Battlefield, Crossfire, Starcraft, Dota, etc? Gerar inclusão digital e levar essa cultura gamer para as comunidades.

Achei a idéia fantástica, pois também sou um gamer e já estudei muito a respeito do processo de criação de jogos, mas acima disso acredito que jogos são uma mídia fantástica. Possuem um potencial enorme tanto para o entretenimento, quanto para o lado educativo. Acreditem se quiser – aprendi inglês graças a Diablo II, o que me permitiu mais tarde, passar no TOEFL e conseguir uma bolsa de estudo. Comigo foi um processo não guiado e sem pensar. Não jogava Diablo II com o intuito de aprender inglês, precisava aprender pois a economia do jogo era baseado em trocas. Como iria barganhar se não sabia me comunicar? Então era dicionário português-inglês na mão e muita tentativa e erro.

Agora a idéia é – como transformar isto num método afim de explorar este potencial nos jogos, de maneira eficaz? Usar jogos que não possuem finalidades pedagógicas como uma ferramenta extra aos entediantes livros e quadros negros das salas de aula. A idéia do Hudson era apenas fomentar a cultura gamer profissional nas comunidas, mas logo logo ao batermos um papo vimos que o projeto poderia se desdobrar muito além daquilo.

A grande Jam então começou. Nosso grupo era diverso, eu como designer, moradores de outras comunidades (conhecimento tácito e local), empreendedores, desenvolvedores, etc. Começamos a etapa da modelagem de negócios com o Canvas. Pensar estratégias, segmentos de clientes, geração de renda, etc. A mentoria foi excelente, nos ajudando muito. Uma das mentoras, a Lindália, Diretora de Inovação da Estácio, nos colocou em contato direto com o ex-presidente da Intel para batermos um rápido papo a respeito do mercado dos jogadores profissionais. Foi sensacional.

Assim nascia a Incoming Brasil Games – a primeira startup focada na profissionalização de gamers nas comunidades do Rio de Janeiro. O evento seguiu. No último dia um campeonato piloto foi realizado em uma lan house local. Validando a idéia/formato de campeonatos. O primeiro lugar ganhou uma bolsa de estudos em um curso profissionalizante, de um dos patrocinadores que estavam no evento. Descobrimos através dos próprios gamers da comunidade, que o mercado é enorme e a procura por esse tipo de fomento também.

A Incoming Brasil Games ficou em segundo lugar, mas foi como se tivéssemos ficado em primeiro. A comoção do pessoal, a chuva de parcerias/pessoas interessadas no projeto e no próprio Hudson (criador da idéia) foram imensas. Aos mais descrentes no início (jogos são coisa de desocupados) foi um belo aprendizado – jogos são uma mídia única e fazem o que um livro, filme, música – dê o nome – não conseguem. Não no sentido de serem superiores, mas no sentido de possuirem elementos muito mais abrangentes e com potenciais que nem mesmo a indústria dominou ainda.

Minha lição? Aprendi que existem empreendedores incríveis nas comunidades e que idade não faz a menor diferença (o primeiro lugar foi um senhor de 70 anos, com uma plataforma de saúde). Percebi que é necessário a criação de ambientes como a startup weekend, mas de maneira sistemática. Existir um espaço nas comunidades permanentes para isso, aonde outros “Hudsons” possam tirar suas idéias do papel e ao mesmo tempo impactarem suas vidas e de outras pessoas positivamente.

Em resumo – troca de experiências, networking, idéias inovadoras e um espaço altamente produtivo. Essas são minhas palavras chaves para o Startup Weekend Favela.

 

20
mar
14

Funcionarismo Público – Banco do Brasil

Durante essa semana, resolvi acompanhar minha mãe a uma agência do Banco do Brasil. Ela precisava resolver um problema com uma conta antiga. A agência em questão foi a da Moreira César com Presidente Backer. (Niterói/Icaraí).

A agência estava vazia e logo logo minha mãe foi atendida. Fiquei sentado esperando enquanto observava a péssima sinalização/layout que a agência possuia. Especialmente a tela de aviso do número da senha em questão. Era um monitor menor que o do meu laptop (15 polegadas) e apenas metade das cadeiras possuia visibilidade para o mesmo – ou seja – se eu me sentar fora do alcance do monitor terei de ficar atento aos funcionários gritando os números, em caso de agência cheia.

Fiquei matutando maneiras de melhorar aquele espaço, como re-organização das cadeiras e mesas de atendimento assim como uma melhor sinalização para as pessoas ali. Especialmente idosos que tem dificuldade de enxergar/ouvir direito (sem contar no balcão do caixa para cadeirantes que possui a MESMA altura que o balcão para pessoas não-cadeirantes), mas não foi isso que mais me chamou a atenção.

Após uns 10 minutos esperando o atendimento de minha mãe terminar, eis que surge uma senhora, beirando seus 80 anos. Tinha um papel na mão e parecia bem perdida. Como não havia ninguém na espera e uns 4 funcionários ociosos, ela se dirigiu até um deles, que estava no celular faziam uns 10-15 minutos falando algo sobre churrascos e dando risada. Não dava para ouvir muito bem de onde eu estava sentado.

A senhora se dirigiu a ele, que fez sinal com a mão para ela esperar. Ele continuou no celular rindo e papeando por mais uns 5 minutos. Quando decidiu finalmente atender a senhora, simplesmente dizia que não podia fazer nada e que ela se dirigisse direto ao caixa (atendimento). 10 minutos depois a senhora voltou dizendo que a caixa mandou ela pegar uma senha e falar com eles, pois no caixa ela não poderia resolver o problema dela. No caso dessa agência, as senhas ficam ANTES de se passar pela porta de detector de metais – ou seja, se quiser um novo atendimento/serviço tem que sair da agência, pegar a senha lá fora e voltar. Nunca vi algo tão idiota feito esse. Parece ser um padrão que o Banco do Brasil repete (já vi mais de uma agência assim).

A pobre senhora já parecia nervosa, dizia que ninguém informava ela direito. O funcionário pediu para ela sentar e a atendeu. Ele resolveu o problema dela em 5 minutos. CINCO MINUTOS. Eu observei tudo e fiquei embasbacado – se ele não podia fazer nada no início, por que diabos conseguiu depois resolver o problema dela em 5 minutos? Fiquei realmente sem entender.

A senhora levou quase uns 20-25 minutos para finalmente resolverem o problema dela em 5 minutos. Sendo que 70-80% desse tempo foi descobrindo o que ela deveria fazer/com quem falar/aonde ir, e o resto de fato resolvendo o problema em si. Observando essa pequena interação de um simples atendimento, em um dia de agência vazia, pude perceber que existem pequenos problemas que contribuem para a má fama e longas esperas dentro de um banco. Fico imaginando uma situação com 4-5 senhoras feito essas num dia de agência cheia.

Existem oportunidades imensas para se aprimorar um serviço tão simples feito esse. Sinceramente poderia imaginar diversas maneiras de se abordar um Re-design da experiência do atendimento em um serviço público feito o Banco do Brasil. Não apenas treinando os funcionários (sinceramente, passar numa prova não deveria ser o suficiente para certos cargos, especialmente quando se trata de lidar com o cliente diretamente), mas no sistema da agência em si – desde a sinalização/layout e estrutura de atendimento.

Challenge accepted. =)

13
mar
14

Idéias – Transformar

Estava dia desses assistindo no GNT um programa aleatório a respeito da “Food revolution” que o Jamie Oliver, um chef britânico, tentava implementar na América do Norte, mas especificamente no estado da West Virginia.

Ele queria levantar apoio/fundos para ajudar na realização de seu programa, que não somente incluia comidas mais saudáveis nas escolas Norte Americanas, mas também um belíssimo programa de treinamento profissional com os estudantes, ensinando eles a cozinhar.

O britânico então resolveu dar um jantar para 80 pessoas, incluindo senadores, jornalistas e formadores de opiniões. Até ai parecia algo normal. A grande sacada de Oliver foi apostar numa idéia – colocar os próprios adolescentes de uma escola do ensino médio Norte Americano “to do the cooking”. Alguns deles nem sequer haviam colocado a mão em uma colher de pau. Um deles disse que havia cozinhado 4 vezes a vida toda. Após a refeição, todos teciam elogios a Oliver, que ao final revelou a charada. Os alunos eram os cozinheiros esse tempo todo. Esse impacto permitiu que os adolescentes falassem e fossem ouvidos. Não era mais o criador do projeto e principal interessado que ele fosse implementado que estava falando – eram os futuros participantes agora. Era o “público alvo” ali. Era um belo momento de feedback e co-criação acontecendo.

Fiquei muito intrigado com esse episódio. Vi que um cara, com sua expertise que é cozinhar, podia usar isso para mudar realidades e criar impacto. É tão óbvio para nós criarmos uma relação de importância com certas profissões e achar que outras são menos importantes. Médicos quase tem escrito na testa “Salvadores de vida”, mas um chef de cozinha não. Você ao olhar um Designer em frente ao seu computador consegue imaginar ele salvando vidas através do que ele faz? Da sua expertise como designer?

Esse tipo de conexão é quase inexistente. Curioso ficarmos tão restritos a visões superficiais a respeito de certas profissões que não percebemos o quão fantástica são as possibilidades. Jamie Oliver nos mostrou claramente como ele pode usar sua expertise de chef de cozinha, para salvar e mudar milhares de vidas de jovens no ensino médio. Projetos como o Estaleiro Liberdade, Escola Quiron, Dream:in e o Design Possível, mostram que Designers/Empreendedores já estão mudando realidades. Alguns deles salvando vidas. Empresas como a IDEO vão a locais mais extremos do mundo afim de solucionar problemas ou facilitar a vida de comunidades carentes através do Design e seus inúmeros métodos.

Proponho aqui uma reflexão – Vamos parar de achar que apenas médicos e engenheiros são capazes de resolver os problemas complexos que temos. Achar que eles são os únicos capazes de gerar inovação ou salvar vidas. Que tal olharmos para profissionais extremos e pensar em como eles podem contribuir com algum impacto social. Imaginem o que um jogador de futebol pode fazer? O que um tatuador famoso poderia fazer?

Extrapole e especule.

07
mar
13

Post-Planetary #2

Continuing the previous post…

After reading and thinking about the A Massively Addressable short essay gave me some juice to keep my gears running. What was appealing behind that text was the word Massively and how it applies to my current context. The idea of scale and speed into the design process. While on the last Enterprising Design Knowledge class, taught by the Dr. Teixeira, he told us the history behind IDIOM and the Dream:IN project. The short version – IDIOM was able to create complex ventures like Big Bazaar in India (which in comparison would be like Wal-Mart in America in terms of scale and complexity) in 9 months. From day zero in 9 months they had it running and generating profit. Only 9 months. Not with a huge design team nor designers with 15-20 years of experience on the market. The reason for that kind of success is beyond that, in which I won’t address in this post. Back in Brazil in my graphic design college we used like 5 months to create a crappy graphic design project in which most of the time was completely useless (no real need for it, just for the sake of the “exercise”). Those guys in India created a huge enterprise in 9 months. Make you think a lot about your capabilities as a designer right?

Following that line we ended up with Dream:IN, when Dr. Teixeira asked Sonia Manchanda (IDIOM CEO) “Ok, you did those amazing projects for all those companies and clients. But how about India? What can you do to your country?” Basically how can you use that design process to make new ventures to work GLOBALLY? (Planetary level). That’s where the Dream:in project came to exist and anyone willing to know more about it can check it out on their website. Unfortunately I am not going through the project and the in-depth explanations necessary. Just wanted to set up my theater of operations by now. Global scale and fast. Those are the keywords.

Quick economic analysis/facts we are living on a Planetary scale right now – Emerging markets are rising fast. Brazil, Russia, India, China etc. those countries have a massive population, growing up economically which means more money to consume services/products and anything they need. We are facing that Planetary scale wicked problem as designers already. Being able to launch sustainable ventures that will address to large portions of the population with low resources and fast. We can’t spend 10 years building up an empire for a market and population that does need it now. We need to scale up and think in a Planetary Scale.

That problem is being sorted out by designers all over the world already. Not that we do have a solution and a “model” already. But that seems to be a perfect research topic – Planetary Scale Sustainable Production – and then later on Post-Planetary Sustainable Production. How are going to be our supplies chain/constellations in a post planetary economy? How to address to a Post-Planetary Market and ways of launching new ventures? Moving goodies post planet? Creating supply chains that goes beyond our planet and how to make that work? Generating revenue through multiple planets?

In a sense we still think locally if we refer the planet as ONE planet. Even as huge as it is for us but so small in comparison with the universe. So in the future thinking abroad might escape the “country borders” boundaries we face right now: by boundaries instead of an ocean or walls/fences we will have vacuum and no gravity at all.

14
out
11

Design publicitário?

Dando continuidade aos posts voltados para design, agora com um foco maior no gráfico.

Palavrinhas chaves nos dias de hoje, enquanto sociedade, Mercado e Propaganda. Quem nunca ouviu falar dessas palavrinhas? Podemos até não compreende-las corretamente (o que é comum, visto que todas abrangem significados bem complexos de sistemas), mas certamente se pudéssemos entrevistar pessoas nas ruas e perguntassem o que é publicidade/mercado/propaganda para elas, muitas teceriam comentários no mínimo, pertinentes acerca dessas áreas.

Existem diversas formas de publicidade/marketing e propaganda. Se estudarmos a fundo essas áreas veremos milhões de estratégias, modos, pensamentos e até mesmo gestalt atuando na construção e funcionamento das mesmas. A verdade é que a definição destas três disciplinas ainda não são claras para mim – muitos dizem que são coisas distintamente diferentes, mas ao meu ver as três se complementam e atuam uma sobre a outra. Para fins objetivos irei me ater neste momento ao marketing/publicidade inicialmente.

No design gráfico é comum associarmos de maneira quase que inerente a publicidade ou o marketing a área. Pois lidamos com o público alvo, famoso alvo de pesquisas e análises. Conhecer seu público/cliente é algo considerado obrigatório afim de se ter um “bom” design (aquele que comunica visualmente sem esforço, lembram?). Felizmente existem designers gráficos que discordam disto, o que gera discussão e no mínimo, nos fará pensar – Publicidade e marketing tem presença obrigatória no design gráfico?

Eu diria, não, não tem. Depende de sua finalidade com aquele projeto. Se for para agradar o cliente que tá te pagando, então terá sim, você fará de tudo para vender sua ideia e agradar. Se seu projeto for para a solução de um problema de um sistema ou projeto gerado por você, onde o cliente tem consciência que seu gosto pessoal não é importante, então não, seu objetivo estará claro como uma resolução sistemática de um problema e não em agradar um possível público alvo.

Segue uma citação abaixo do livro “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” da Cosac Naify, para fins ilustrativos da questão levantada.

Quando o departamento de marketing, mais ligado à publicidade, faz a intermediação, o cliente sempre vai dizer coisas do tipo: “Não gostei desse vermelho, consultei minha mulher e ela me disse que não pode ser vermelho.” O diretor de marketing vai ao escritório e pede para mudar. Eu não posso fazer isso.

Wollner expõe um fato comum, que já vi diversas vezes ser retratado por professores militantes na área, por mim e diversos outros amigos que trabalham com freelas ou estagiam – o gosto “pessoal” interferindo em seu trabalho e a intermediação do cliente feito por um departamento “comercial” ou de “publicidade/marketing.”

O compromisso do design gráfico (nestes casos, ao meu ver) não é ser uma máquina de agrado e sim de resolução de problemas em um nível semiológico. Não é apenas apertar a porca e evitar o vazamento do cano de água velho e enferrujado e sim a substituição do sistema inteiro para evitar futuros vazamentos.

Penso em design como projeto, sistema. Podemos desenvolver sistemas para uma identidade visual completa ou até mesmo para cartazes. Talvez por um motivo cultural brasileiro (o famoso dá um jeitinho ai) não tenhamos essa cultura de pensarmos a longo prazo e planejar. O Design na maioria dos casos (pequenas e médias empresas) é visto de maneira errônea e completamente menosprezado.

Quantas vezes já ouvi de colegas de trabalho, quando surgia uma demanda “Pô, tem um cliente ai, que quer uma peça X. Então faz uma arte bem maneira ai, tipo assim e depois manda pra aprovar.

Esse era o briefing. Claramente minha função era de adivinhar e fazer algo que o cliente gostasse e não projetar algo efetivo para os fins daquele cliente, fossem propaganda, divulgação ou quaisquer que pudessem ser seus motivos.

Tudo se resumia em “deixar o cliente feliz” e não em realmente resolver um problema.

Colocar isso de maneira suscinta, estudar 4 anos, aprender sistemas, gestalt, tipografia além de diversos outros conhecimentos teóricos como semiologia, linguagem visual, signos e etc, para ser um profissional que “Agrada clientes.” ou que “Faz uma arte maneira.” ?

Sinceramente, não precisamos estudar design para sermos artistas. Mesmo. Qualquer um pode ser artista. O sucesso dele dependerá de quantidade de pessoas que ele conseguir agradar. Simples assim. Ele correrá atrás do conhecimento necessário em um caso ou outro para agradar aquele cliente em específico, que quer um efeitozinho de carimbo ali, que requer um brushzinho do photoshop especial aqui e etc.

Infelizmente isso só mostra que nossa profissão não está consolidada e oficializada no papel, como também no mercado. Design pode desempenhar a função do “agradar o cliente”, mas ele não se resume a isso.

Acontece que o lucro bruto, em sua maioria, está na mão daqueles que agradam o cliente fazendo que os que reclamam deste tipo de prática do mercado escutem coisas como “Aw, então morre de fome ué!“.

Continuação em breve…

08
out
11

O que é Design?

Em inglês a palavra design é tanto verbo quanto substantivo. Como substantivo significa – dentre outras coisas – “intenção,” “plano,” “intento,” “objetivo,” “enredo,” “padrão,” “estrutura básica,” todos estes (e outros significados) estando conectados com “astúcia,” eengano“.

Como verbo (“to design”), significa incluir “inventar alguma coisa,” “simular,” “rascunhar,” “desenhar,” “criar,” “ter design em algo.” A palavra é derivada do latim signum, que significa “signo” e possui a mesma raiz antiga. Assim, etimologicamente, design significa “de-sign.” Isso levanta a pergunta: Como a palavra design atingiu o significado que possui nos dias de hoje?

Essa pergunta não é histórica, no sentido de enviar alguém para examinar textos e documentos atrás de evidências do aonde e quando a palavra veio a ter os significados do dia de hoje. É uma questão semântica, no sentido de nos fazer considerar precisamente no por que desta palavra possuir um grande valor cultural ligado ao seu discurso contemporâneo.

– Vilém Flusser – O mundo codificado.

Flusser nos diz que a palavra design nem sempre foi “design”. Que sua humilde origem, de-sign, ou seja, des-significar, remover signifcado, negar signficado. Como a palavra atingiu este significado moderno atribuido a tantas profissões, todas curiosamente, voltadas para o âmbito criativo?

Design gráfico, design de móveis, design de embalagem, design de jóias, design até de cabelo ou “hair designer” (pois é muito mais chique assim) todas usam a criatividade. Podemos discordar que design de cabelo nunca existiu e é errado usar tal termo? Obviamente! A questão apenas não é essa.

O que é o exercício da criatividade? Ser capaz de criar, conceber, significar, desenvolver, projetar algo. Tudo é um exercício de criatividade, quando consideramos a criação apenas. Criatividade não deve ser associada com originalidade ou singularidade (no sentido de ser inédito). Criar é apenas criar. Comum vermos em requerimentos de emprego, por exemplo – “Indispensável ser criativo” – oras, criativos todos nós somos! Ao falarmos proferimos fonemas que ao atingirem um receptor apto, irão criar/gerar/ter um significado. Criar é parte de nosso cotidiano. Somos todos criativos.

Quanto a comunicação visual. Vemos constantemente como definição de design, tudo aquilo que transmite uma mensagem, comunica visualmente (no âmbito do design gráfico). Uma definição bem comum que ouço dos professores na faculdade, que todo processo gráfico que envolva comunicação através de signos ou linguagem visual em geral, é design. Portanto nossa função como estudantes é aprender/enriquecer ao máximo nosso alfabeto visual de possibilidades, para que no futuro nos tornemos grandes comunicadores visuais.

Será que design e comunicação visual são uma simbiose ou apenas coexistem? Então para ser design gráfico, tem que comunicar? Se tem que comunicar, comunica como? Objetivamente ou Subjetivamente? Se objetivamente teremos como grande exemplos do design as campanhas publicitárias por ai (o que na minha opinião, seria um exemplo muito pobre para design gráfico) se subjetivamente teríamos quadros em galerias de arte o que iria deixar muitos designers putos da vida “Belas artes não é design gráfico!” Poderia adentrar ainda mais a questão, pois existem muitos artistas plásticos que comunicam objetivamente através de suas obras.

Removendo comunicação visual e criatividade como órgãos vitais do design gráfico, o que sobra?

O que sobra é que estamos longe de uma definição satisfatória para design. Quanto mais definições surgem para design gráfico mais profundo o abismo se torna e voltamos sempre a estaca zero. Talvez não se consiga uma resposta reta e de fácil compreensão e apreensão do que é design gráfico devido ao seu apêndice cultural.

Por motivos mercadológicos seremos em grande parte vendedores de ideias. O grande desafio é conseguir fazer sua ideia tornar-se defensora do seu ideal.

 

15
ago
11

Do Design como tecnologia

Recentemente adquiri o livro (e já o li) “Alexandre Wollner e a formação do Design Moderno no Brasil” em uma promoção destas aleatórias da vida. Como estudante deste ofício (de 5º período) a busca por um entendimento do que “design gráfico” viria a ser, vem tomando um bocado de meus pensamentos, leituras e reflexões. Sei que não há definição satisfatória o bastante para design, pois ao tentarmos definí-lo, iríamos acabar caindo na velha armadilha que já ocorre com arte. Como definir arte? A mesma dificuldade é, definir design.

Por motivos lógicos e para evitar um post prolixo, irei focar no design gráfico.

Wollner certa ocasião, em um dos seus workshops, soltou a seguinte frase, mais ou menos assim (não lembro com tanta exatidão) – “O Design não tem compromisso em ser esteticamente belo e sim, tecnologicamente correto.” Não preciso dizer o quão polêmica essa frase é, tampouco teria bagagem suficiente para falsear tal afirmativa, mas poderia tecer algumas colocações a respeito.

Tendo em vista a relação e o entendimento de Wollner a respeito deste ofício, esta frase não seria tão polêmica. Irei tentar explicar o que entendi, quando Wollner proferiu tal sentença.

Para Wollner, design gráfico está intimamente ligado a tecnologia. Para ele o designer gráfico é um projetista preocupado com o todo. Por exemplo ter um “corel” ou “.ai” de uma logo não é design para Wollner.  Projetar uma logo isolada de seu sistema, função, conceito e aplicações técnicas funcionais – para Wollner – não seria considerado design, pois uma importante etapa do processo foi pulada.

É comum vermos diversas empresas ai, até algumas com uma quantidade de tempo razoável de mercado que ignoram para este processo. Muitos pedem pra “priminhos” executarem suas logos ou até mesmo os próprios chefes o fazem, sentam no computador, abrem o seu software favorito e executam a “logomarca” de suas empresas em 30 minutos.

Mediante a grande fatia do mercado que ignora completamente a função e a importância da construção de uma identidade visual funcional e completa, passo a entender melhor o que poderia ser considerado uma opinião “radical” do Wollner acerca de alguns aspectos do design gráfico.

Fácil seria culpar o mercado, mas temos que responsabilizar também, aos profissionais e aos que estão em processo de formação. Alguns deles não fazem a menor ideia do que fazem. Ignoram muitos aspectos de seu ofício contribuindo e muito para o não reconhecimento da profissão.

Prática comum no meio empresarial o viver constantemente no simulacro. Nada se pesquisa, tudo se “emula” ou “imagina.” Irei exemplificar.

Digamos que você tem uma empresa que está já a uns anos no mercado. Agora você quer abrir um novo ramo e atingir um novo mercado. Você sabe muito pouco do seu público alvo, apenas coisas bem genéricas como “São jovens” ou “Gostam de festa.” Você não faz a real noção de onde está pretendendo pisar, portanto para não arriscar uma quantia grande de dinheiro, o sensato a fazer seria uma pesquisa e levantamento de dados acerca do que pretende-se visar. Público alvo, gastos a longo prazo, planejamento a curto ou a longo (depende do projeto).

Não. Você se reune com seus sócios e alguns de seus funcionários e em uma tarde, resolve tudo. “Como devemos projetar essa interface? Aww, tipo, o cara quando entra qual a primeira coisa que vê? Esse botão, claro. Eu pelo menos todo site que vou sempre vejo isso de cara.” Esse tipo de comportamento “simulado” é um recurso útil, quando temos uma certa segurança acerca de algo ou quando precisamos cumprir prazos apertados. Acontece que tornar este tipo de ação prática predominante em sua empresa, especialmente a respeito de sua identidade visual corporativa, pode gerar problemas a curto ou a longo prazo.

Design gráfico e sua importância no âmbito empresarial, especialmente identidade visual, é algo subestimado e constantemente ignorado aqui no Brasil. A quem cabe conscientizar e tornar esta prática mais transparente e informativa? Nós, estudantes e formados. Apesar de ser exaustivo discutir e ter de explicar milhares de vezes a mesma coisa em alguns casos, creio eu que devemos fazer a nossa parte.

Próximo post irei aprofundar mais acerca de Wollner e meu entendimento do mesmo.




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.