Posts Tagged ‘Cristianismo

15
fev
10

Verdade pessoal

Apesar de relativamente novato mediante o assunto já pude constatar algo bem óbvio em relação ateísmo/ceticismo versus teísmo – não existe um lado certo. Por mais que eu goste de achar que o ceticismo é a posição mais racional nesses assuntos, isso não torna meu pensamento real. Verdade não há.

Eu diria que justamente por não sermos capazes de definir “verdade” que nós temos essa possibilidade imensa de tantas. A verdade ateísta, islâmica, espírita, católica, protestante, umbandista e diversas outras. Quem está com a razão afinal? Quem está correto? Quem possui a verdade verdadeira ao seu lado? Perguntas um tanto quanto sem respostas. Isso me deixa um bocado inquieto, dizer assim.

A ciência através de uma metodologia bem eficaz (e seu constante aprimoramento) nos dá uma interpretação da vida e universo como conhecemos. Tece hipóteses, viram teorias e são experimentadas e reforçadas quando o empirismo é positivo.

A religião através de uma literatura bem…antiga (e sua constante manipulação ao longo dos anos) nos dá uma interpretação da vida e universo como conhecemos. Tece dogmas que viram verdades absolutas e são reforçadas pela fé.

Repararam do “universo como conhecemos” para religião? Pois é. Para qualquer teísta o universo e a vida é do jeito que sua crença diz. Portanto para este grupo, isso constitui uma verdade. Isso torna aquilo verdade para aquele grupo. Acontece que não importa o quão forte eles assoprem as velinhas do bolo ao desejar essa verdade, isso não a torna verdadeira.

O ceticismo busca racionalizar essas questões o máximo possível. Se não há nada que indique X, logo X provavelmente não existe. Simples assim. Basearmos nossas crenças em fatos que nos convençam intelectualmente. As evidências descobertas pelo método que julgamos ser o mais correto. Acontece que céticos não lidam com verdades absolutas ou certezas. Sabemos que prudência ao ver estudos e interpretar as coisas é algo importante. Afinal o que não é interpretação?

Por mais que eu saiba que a lei da gravidade dificilmente será interpretada de maneiras discrepantes (como a bíblia é, por exemplo) sei que ela não é para mim como é para o fulano ao lado. Ele tem a interpretação íntima dele dessa lei e seu funcionamento. Acontece que por mais diferente que elas sejam o produto final terá de ser igual. Se eu jogar uma bolinha para cima, tanto para mim quanto para ele – ela cairá. Esse empirismo ao constatar tal experiência é quase que igual para todos. Por qual razão isso não acontece na religião?

Existem milhares de deuses, deusas e suas diversas concepções do universo e origens. Algumas absurdamente diferentes umas das outras, mas todas são “verdades” de acordo com os que as seguem. Por qual razão essas verdades não podem ser demonstradas de uma forma eficiente, a ponto que todos nós possamos acreditar sem exigir um componente “fé cega” ou “passional” qualquer? Essa incapacidade de demonstração que mais me intriga e me leva a concluir quase definitivamente que deus dificilmente existe. Que a verdade que todas as religiões pregam não passam de delírios ou obras literárias mal interpretadas. Creio por que é algo racional? A razão pode ser utilizada para defender a fé? Ao meu ver (o que entendo por razão, lógico) dificilmente…quase impossível. Se reduzirmos a questão a pequenos pedaços, chegará a tal ponto que não teremos resposta. A pergunta clássica que nunca obteve uma resposta satisfatória e inteligente o bastante – Quem criou o criador?

Não sou muito diferente de um religioso em alguns pontos. Aliás um evangélico pode se dizer ateu em relação a Zeus, Alá ou qualquer entidade que não pertença ao seu credo. A minha diferença para um evangélico é que eu simplesmente acredito em um deus a menos do que ele. Para todo resto somos todos ateus…

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27
jan
10

A “milagrosa” cura?

Olá pessoal. Tudo bom? Férias no fim. Aulas irão começar!

Assistindo a televisão hoje aleatoriamente me deparei com uma matéria em um dos jornais noturnos (não lembro se era band ou record) sobre as curas milagrosas. A fé que cura doenças. Assisti na esperança que alguém com uma postura cética fosse ser entrevistado. Alguém que pudesse levantar algumas questões pertinentes acerca deste assunto um pouco polêmico. Nem devo dizer que minha espera foi em vão…

Um rapaz tinha um problema na tireóide, depositou sua fé nas rezas diárias que fazia. Numa consulta posterior o médico lhe disse que “Eu não sei o que você tinha, mas sua tireóide agora está normal.” O rapaz de imediato disse “Glória a Deus então!”

Agora nos aproximemos da questão de maneira cética e vamos levantar algumas questões pertinentes, que ao meu ver demonstram que nem de longe “deus” foi responsável pela cura.

Primeiro – Realmente nosso cérebro é um orgão poderoso. Em testes duplos cegos de farmaco (onde têm-se grupos de controle – um recebe o medicamento real e outros placebos) em muitos casos o grupo “placebo” demonstra sinais de melhora. Levantando a possibilidade de que nosso cérebro tem um “poder” de sugestão bem grande e pode ser capaz de aumentar nossas chances contra doenças. Até mesmo nos curar. Portanto basta ter fé na pílula de açucar ou na cadeira de sua sala que os efeitos seriam os mesmos. Acontece que normalmente as pessoas preferem depositar sua fé no deus cristão (no caso do Brasil) dando-lhe uma maior chance de receber créditos por tais curas. Sortudo!

Segundo – A conclusão visto que já que eu rezei e melhorei de minha condição, logo deus existe. Bem ela infelizmente não possui nada além de uma interpretação do fato em si. Interpretação essa que admite tantas hipóteses mais plausíveis, que cogitar que “foi o deus curador” logo de cara, seria um erro. Mais uma vez a fé depende de algo para existir, mas não é por que temos fé nesse “algo” que ele passará a existir. “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade.” Ok, mas não iremos exagerar nessa “mentira”.

Terceiro – Quantas pessoas, estatisticamente falando, se curam “milagrosamente”? Quantas outras pessoas que tiveram fé pereceram diante de suas moléstias? Quantas outras que não tiveram fé e simplesmente tiveram um tratamento médico adequado sobreviveram? Se analisar estatisticamente os ditos “milagres da fé” são raríssimos e ínfimos se comparados ao “comum”. Comum entenda-se pessoas que se submeteram a tratamentos médicos e não “gurus” ou “pastores sai-caroço”. Na série feita por Richard Dawkins “Root of all evil?” (Raíz de todo mal?) ele visita um local onde mais de 80 mil pessoas por ano vão em busca de cura milagrosa. Devotos levam seus doentes procurando a cura. Sendo que têm-se registro aparente de algo em torno de 40 curas de fato. Vejam bem, 80 mil pessoas por ano, por vários anos e apenas 40 casos de “cura milagrosa”? Uma estatística um tanto quanto desencorajadora.

Não subestimo a fé em si e do que ela é capaz. Sim no que ela se deposita. Acreditar que através de reza somente iremos curar todos os males é muito arriscado. Abandonar tratamentos médicos embasados em estudos e evidências, jogar estatísticas fora em troca de um “milagre” é apostar no improvável.

Gostaria muito que a “série da fé que cura” colocasse alguém que levantasse essas questões. Muito fácil encontrar profissionais para desenvolver esses questionamentos de maneira mais suscinta que eu. Só não sei se interessaria ter esse tipo de postura num espaço “reservado” para a fé.

Apostar em um milagre é brincar de roleta russa. Minto, pois se o tambor da arma utilizada tiver 6 espaços totais e apenas um conter a bala, as chances de morrer são de 16,6% aproximadamente. Bem maior que qualquer cura milagrosa que existe por ai.

24
jan
10

Insustentável utopia

Olá leitores. Bom domingo e bom início de semana para todos, de antemão. Férias acabando, aulas chegando! =)

Quanto mais eu penso, leio e encuco com a idéia de deus, menos plausível ela se torna. Costumo fazer um exercício interessante, quando quero problematizar questões assim. Faço o que chamam do papel do “advogado do diabo” e tento levantar argumentos que defendam/sustentem as idéias contrárias as minhas. Quando o assunto são “deuses” devo assumir que é bem difícil ser tal advogado.

Bom sei que muitos teístas dirão que é bem fácil concluir que deus existe e demonstrar sua existência. Pois bem, se você que está lendo esse blog está neste grupo, por favor o faça. Gostaria muito de ver tais argumentos.

Levando em conta o dia-a-dia básico, nossa vida em si, aonde está deus? Simplesmente não consigo encontrá-lo em lugar algum. Na prática diária, deus ao meu ver é insustentável demais para ao menos cogitar sua existência. A única sustentação de sua existência vem da interpretação de cada crente dos fatos ocorridos. Para eles isso configuraria uma evidência “prática” da existência de deus. Exemplo – Conseguir aquele emprego que tanto precisava ou ser bem sucedido em qualquer objetivo que tenha traçado – isso é tão comum de acontecer, mas são pequenas coisas atribuídas a existência de deus. Eu pergunto por qual razão deus iria favorecer uma pessoa específica dentre tantas para ganhar aquele emprego? As outras não merecem o emprego tanto quanto aquele merecedor? Ou simplesmente não teve deus nenhum ali, foi apenas uma análise de curriculum do RH da empresa?

Esse pensamento soa muito egoísta. Achar que deus fica 24 horas por dia prestando atenção em tudo e todos. Favorecendo você e desfavorecendo os outros. Quão cristão esse pensamento é! Que lógica é esta? Quando se acontece uma tragédia (como essa do Haiti, por exemplo) muitos dizem que era o “plano de deus” e os mais fanáticos e vingativos (ao estilo velho testamento) dirão que “O terremoto foi mais que merecido, afinal o Haiti sempre teve fama de ter um povo macumbeiro. Adoram magia negra!” Acreditem isso faz parte de um desdobramento dentro da lógica cristã. Muitos dirão que são cristãos e jamais diriam tal absurdo, mas eu digo – nem todo cristão é brando.

Há também a perguntinha básica, mas que não me satisfaz e acho meio descabida “Aonde estava deus quando aquilo tudo aconteceu?” Apenas deixo aqui, pois ela é comum e vejo muitas pessoas se questionarem acerca da malevolência de deus. Como Epícuro disse:

“Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?”

Muitos dirão que deus nos deu o livre arbítrio, portanto o mal é uma escolha nossa. Fazemos mal pois somos malvados. Ponto final. Bem eu lhes diria e aquelas crianças que nascem com doenças genéticas sem cura? Doenças degenerativas? Foi culpa do homem? Esse tipo de “mal” não é pensado. Apenas o mal direto/indireto. E os desastres naturais (como do Haiti) também é culpa do mal do homem? Talvez algum país tenha construído uma super máquina que gera choque de placas tectônicas e nós nem sabemos disso…

Apesar deu achar meio descabido atacar deus com tais argumentos, acho válido quem o faça. O fiz neste post apenas para demonstrar que são alguns questionamentos existentes. Para mim todos os “males” citados acima tem resposta e NENHUMA delas evoca deus como causa. Nem para bem nem para mal.

Acho que o que realmente “sustenta” (reforço nas aspas!) um deus é a idéia da vida após a morte. A recompensa divina ou a idéia de reencarnar e evoluir eternamente (ou quase isso de acordo com a doutrina espírita). Lembrando que as idéias por mais que nos agradem, não necessariamente constituem verdade. Portanto dizer que é bem bacana acreditar num paraíso quando morrer, não necessariamente o torna real.

Porcaria, 700+ palavras de novo. Vou parando por aqui! Abraço a todos!

19
jan
10

Crianças de cristo

O perigo do pecado

– Quanto a estes pequeninos que crêem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço. Marcos 9 – 42.

Executando minha leitura tranquila do novo testamento dei de cara com essa passagem. Jesus dando suas demonstrações de sabedoria divina (literalmente). Uma das coisas legais da bíblia é que ela nos permite ler e interpretar suas colocações cheias de sabedoria. Apesar que com certeza, acho péssimo retirar fragmentos isolados de um contexto, lhes digo que o resto do texto que o segue não menciona mais crianças.

Bom ao analisar cuidadosamente esta passagem, ao meu ver ao dizer “…estes pequeninos…” ele estaria se referindo as crianças. Provavelmente um punhado de crianças deveria estar a sua volta no momento (em Marcos 9-36 ele abraça uma criança e a coloca no meio dos discípulos). Ok tendo entendido isto, vamos prosseguir.

Bom essa passagem, claramente mostra um argumento bíblico a favor da doutrinação de crianças. Jesus até mesmo mostra sua parcialidade a respeito daqueles que porventura, instigassem suas crianças a serem céticas ou seguir qualquer outro deus que não o “seu pai”. Vou dizer que após a leitura de Mateus e agora progredindo com Marcos venho mudando minha opinião acerca de quem foi Jesus (considerando que de fato tenha existido, como narrado nos evangelhos). Não direi se para melhor ou pior, visto que ainda falta muito a ser lido. Mudando se considerada a visão de Jesus que eu costumava ter.

Considerando essa passagem agora, faz algum sentido dentro da lógica cristã de levar seus filhos aos cultos/missas o quanto antes. Afinal se Jesus com toda sua bondade, foi capaz de desejar tal destino as pessoas que desviassem crianças deste caminho, imagine o quanto isso é condenável aos olhos de deus.

Acho que o problema é que na época que a bíblia foi feita não se tinha a visão de criança que se tem hoje. Hoje em dia é sabido que uma criança não tem maturidade para discutir política, economia ou história com um grau de entendimento de um adulto. Ela pode decorar e cuspir conhecimentos, mas fazer uma reflexão e entendimento daquilo (veja bem, assuntos complexos, não qualquer coisa!) é muito difícil para uma criança. Portanto na época que Jesus viveu provavelmente crianças eram “pequenos adultos” com ligeiras diferenças. Eram outras condições, outros tempos outros VALORES.

Imagine explicar para a criança toda uma doutrina cristã, seus dogmas, suas estruturas e quem foi Jesus de modo que ela entenda de fato. Seria isso realmente possível? Dirão que sim, pois diversos pastores espertamente, desenvolveram programas de doutrinação bíblica voltado para uma criança. Os soldadinhos de deus, como são chamados carinhosamente. Queria ter a oportunidade de conversar com uma criança doutrinada (o máximo que vi foram programas, alguns chocantes, crianças com um nível de alienação e preconceito tremendo).

Devido a complexidade do assunto, creio eu que religião não deveria ser um tema abordado tão cedo. No caso das escolas – filosofia. Existem metodologias filosóficas para crianças, desde cedo, aprenderem a desenvolver raciocínio e capacidade crítica – a entender alguns conceitos básicos. Se quisessem inserir religiosidade mais adiante, que colocassem o conhecimento religioso com a clareza de um professor e não um doutrinador – A religião (escolha a de sua preferência) é uma visão de mundo, não constitui verdade absoluta e é questionável como diversas coisas. Colocando-se este conhecimento iria da criança/jovem se aprofundar mais ou não naquela religião. Mais tarde passar a acreditar ou não, mas com base em seu senso crítico e íntimo. Não pois seus pais obrigam a ir a cultos/missas todo domingo ou por que irá para o inferno caso não acredite.

Aqui no Brasil eu desconheço, mas nos EUA é muito comum igrejas evangélicas terem as famosas “Hell Houses” que são pessoas encenando em um palco coisas monstruosas. Pecados são retratados de maneira alegórica por artistas de teatro afim de demonstrar para crianças que o inferno é um lugar que elas NÃO querem ir. Engraçado que o público alvo deles são crianças de 12 anos. Abaixo segue um vídeo de uma “hell house” autêntica evangélica.

Infelizmente não achei legendado. Quem entender inglês, reparem na letra. As imagens são retiradas destas peças encenadas. Reparem na do aborto, feito de maneira bem açougueira e pasmem – o público alvo é 12 anos. Criado por um pastor evangélico, este tipo de prática tem se tornado bem comum no que chamam de “cinturão bíblico” americano.

Creio eu que é apenas uma questão de tempo até que “espetáculos” como este cheguem as nossas crianças…

18
jan
10

As origens críticas…

Como muitos já notaram falo de religião sobre este blog. Critico, reflito e a cada momento que se passa vejo o quão impossível seria sustentar deus em minha vida novamente. Quão difícil seria (se eu o tentasse de modo honesto) acreditar em toda essa fábula bíblica de deus. Quão difícil seria!

Quando critico religiosidade (cristianismo e seus desdobramentos, em geral – mas não exclusivamente) falo da grande maioria, do que vejo, do que leio. Não sou onisciente e muito menos conhecedor de todas as igrejas praticantes de tal doutrina. O motivo pelo qual religiões me incomodam é o fato de possuirem verdades fundamentais ou dogmas, onde sustentam toda a razão de sua existência. Essa seria a origem de minha crítica a diversos sistemas religiosos.

Falando brevemente do protestantismo de Lutero. Aonde teve-se uma chance de finalmente quebrar o catolicismo, acabar com todo aquele niilismo cristão! Alguém levantou-se contra a igreja, desafiou-a! Tão somente por apenas uma maldita reforma. A reforma protestante que não desconstruiu o cristianismo e seus dogmas, apenas os moldou – dando início a um novo desdobramento do cristianismo. O niilismo cristão continuaria a perpetuar-se paralelamente. Catolicismo de um lado, protestantismo do outro.

Hoje temos inúmeras igrejas evangélicas – Nova Vida, Adventista do sétimo dia, Jesus Cristo é o Senhor, Tá Amarrado em nome de Jesus etc. Cada uma com suas ligeiras peculiariedades – geradas pelas interpretações acerca do novo/velho testamento. Completamente descabidas muitas delas, algumas até explicam “biblicamente” por qual razão as mulheres não são permitidas se rasparem ou fazerem sexo oral. Incrível.

Temos o intrépido grupo dos criacionistas da terra jovem. Onde acreditam e fundamentam que a terra tem menos de 10,000 anos de idade. Qualquer geólogo daria boas gargalhadas. Temos zilhões de evidências que demonstram justamente o contrário. Afinal eles se blindam de qualquer conhecimento que venha confrontar suas verdades bíblicas, verdades essas que são passíveis de interpretação. Até onde a razão pode defender a fé?

Sem comentar no doutrinamento feito em milhares de crianças pelo mundo. Escolas associadas massivamente a religiões ensinando essas “verdades” morais e únicas as crianças. Verdadeiros abusos mentais. As aulas de “ciências” demonstram a Teoria da Evolução como uma “alternativa” ao Criacionismo. Perai?! Alternativa?! Criacionismo é teoria desde quando?! Incrível! Lamentável! Cristão! Deplorável…

Devo dizer que reconheço a existência de teístas moderados, muitos deles apenas cultuam seus deuses de maneira tranquila, sem se importar se o outro acredita ou não. Respeitam as diversas religiões e não tem problemas com isso. Sei que existem, conheço gente assim. Acontece que mesmo as pessoas de “crença moderada”, digamos assim (reconheço que o termo é meio insatisfatório), servem de base para os fervorosos. Imagine-se ao ir numa dessas migrações atrás de santa ou passeios religiosos feitos hoje em dia, você chegar em um lugar e se deparar com milhares de pessoas com o mesmo objetivo e crença que você? Que impacto teria se eu ao me inscrever numa “passeata atéia” ao chegar lá visse 1000 pessoas que partilham de uma idéia em comum comigo ao invés de 2 ou 3? Ter esse “reforço” de sua “crença” (aspas, pois no caso de uma passeata atéia, não seria bem reforço de uma crença e sim da não crença) é algo muito positivo. Ai fervorosos e moderados se misturam.

Fundamentalismo, dogmas, verdades absolutas. Ai que está o grande problema. Olhar o mundo diante de um filtro tão certo e completamente INCERTO ao mesmo tempo. O pior é acreditar veemente que este é o certo, sem titubear. Afinal a fé inabalável é uma virtude! Sejamos virtuosos! Retirar a moral da bíblia. Se não temos razões morais bíblicas para seguir, se deus não existe, por que ser bom? Incrível. Então essas pessoas são boas pois temem a deus? Não são boas pois simplesmente acreditam que fazer o “bem” é satisfatório por si só? Sistema de recompensa/punição divina? Meu palpite é que não, elas fariam o bem mesmo sem crer em deus, mas o fundamentalismo delas jamais permitiria tal conclusão.

É complicado falar desses assuntos, pois infelizmente religião em nossa sociedade tem um status de intocável. Colocou-se em um pedestal e quem ousar criticá-la (com ou sem embasamento racional) automaticamente é um ser desrespeitoso.

É acho que ando sendo desrespeitoso demais…irei ficar por aqui, contador de palavras me lembrando que não devo me exceder…

10
jan
10

Humano, demasiadamente humano…

Olá pessoal. Domingo de sol violento e eu tô todo vermelho. Sol realmente é cruel quando não apreciado com moderação (e inteligência).

Humano, demasiadamente humano! Aos desconhecidos essa frase é o título de umas das diversas obras de Nietzsche. Recentemente tenho começado a ter contato com leituras e vídeos de Nietzsche e sua revolução filosófica que influenciou correntes como a psicanálise e o existencialismo. A sua idéia de  Niilismo – a negação e destruição – de todo e qualquer valor ou “moral” e suas críticas ao modelo de pensamento Platônico/Socrático. Seu pesado ataque contra o niilismo cristão. São apenas algumas das diversas coisas por onde a afiada língua de Nietzsche passou.

Nietzsche fala de niilismo, critica os valores e formas de pensamento – desconstrói a moral vigente – questiona a verdade : Para que serve a verdade? (Diferente da usual “O que é a verdade?” feita por tantos filósofos – incessante busca por ela). Ao pensarmos nisto poderíamos classificar Nietzsche como um niilista, mas ao meu ver, ele não era. Ele desconstruia valores, mas os criava também. Pensava ele que a humanidade deveria ser superada, a transvaloração de todos os valores vigentes, o “Übbermensch” ou super-homem (também pode ser entendido como além-homem).

Tudo ainda é muito raso, preciso estudar muito Nietzsche, mas irei falar um pouco sobre o que já li até agora, deixando claro que é uma interpretação minha que ainda está “engatinhando”. A falta de bagagem para ler um filósofo do calibre de Nietzsche atrapalha um bocado. =\

A crítica de Nietzsche ao cristianismo niilista. Por que niilista? Simples. O cristianismo é a negação de tudo que é “humano”. Uma construção completamente fantasiosa, que a todo tempo nega essa humanidade. A idéia de prosperidade, vida eterna, castigo divino e todo o caminho desdobrado por estes valores.

Estou lendo o novo testamento, como sabido pelos que frequentam este blog. Terminei recentemente o evangelho de Mateus. Vi a todo momento Jesus usar o termo de “verdade”. O que me incomoda um bocado, pois não deixo de notar como o pensamento Socrático/Platônico de verdade e sua busca está inserida na lógica cristã. A utilização deste modelo de pensamento de causas excludentes. Infelizmente a história de Jesus não me soa muito mais que um belo conto de fadas até então, mas irei ler os outros evangelhos para ter um conhecimento maior a respeito.

A igreja veio pregar o cristianismo (sem trocadilhos). Curioso ver em diversos sites cristãos, a negação total de nossa vivência. Valores como – Sexo é pecado, sujo e transmissor de doenças, quando fora do casamento. Se você tem Jesus em seu coração você não pode sofrer! Ele está lá para lhe amparar SEMPRE! E se você está sofrendo, saiba que seu sofrimento não é nem de longe uma fração do que “Ele” passou pela cruz (curioso essa, pois os cristãos conseguem quantificar dor e para eles ninguém jamais sofreu mais que Jesus, tanto quando dor física ou “psicológica). Se sofrer, calma, saiba que será recompensado em sua vida eterna lá no céu.

Esses valores cristãos são em sua essência niilistas. Negam a nossa “humanidade” (de acordo com o Nietzsche). Sofrer é parte do ser humano, tentar “tapar” com peneiras esse sofrimento com um “Amparo divino” é uma negação do que somos – seres com consciência de sua mortalidade, que sofrem, que se alegram e que fazem sexo. Para o cristianismo isso não é o correto, não é ser “De Cristo” ou “Como Cristo”. Diversas barreiras e valores (embasados biblicamente, muitos deles pobremente) foram criadas afim de que essa “moral” cristã se tornasse vigente e “humana”.

Não há vida eterna, não há felicidade. Felicidade é um conceito criado de tal maneira a jamais ser alcançado. Alegria sim, felicidade plena? Não. Assim como “sentido da vida”, não existem um e sim diversos. Todos particulares a cada um. Não existe “O” sentido que permeia a raça humana e a significa como um só. O conceito de onipotência, atribuido a deus, demonstra fortemente o como somos impotentes – precisamos de uma consciência divina para nos amparar e servir de guia em nossas vidas. “Entregue sua vida a Cristo!” dizem os pastores. Enterre-se.

Somos cheios de fraquezas, angústias e desesperos. Transvalorar estes valores não são eliminá-los, mas sim conviver de maneira a suportá-los, pois todos nos fazem ser o que somos – humanos.

Irei ficar por aqui, mas tenho mais a escrever sobre. Vi aqui o “word count” do wordpress 730+ palavras. Não quero que isso fique enorme. Abraços a todos!

16
dez
09

12 Razões para esperar o que?

Olá pessoal. Navegando pela net, lembrei de um site que um amigo havia me passado. Resolvi colocá-lo nos favoritos para conhecer o seu conteúdo posteriormente. Hoje resolvi olhar o site e fiquei decepcionado.

Ao ver a entrada do site pensei “Olha um site cristão com uma abordagem diferente”, devido ao nome “Sexxxchurch.com” (link aqui). Pois bem, ao ler alguns dos textos postados no site percebi que é a mesma porcaria de sempre. Escolhi um texto em especial para comentar. O texto que irei comentar se chama “12 razões para esperar até o casamento” (link aqui). Recomendo que leiam, é pequeno.

Bom o criador do texto afirma ter 12 fortíssimas razões para esperar o casamento. Eu diria que as razões dele são fraquíssimas e 90% delas se baseiam em juízos de valor bíblicos. Ao citar algumas passagens, reforça o fator dúbio da interpretação. A correção do título resolveria o problema – 12 Razões CRISTÃS para esperar o casamento. Infelizmente essa pequenina palavra foi omitida.

1 – Isso não é bem uma razão. Eu quero por que? Simplesmente ele colocou “Eu quero e quero muito!” como uma razão. Não quis explorar o cerne da questão.  Basicamente “É difícil aguentar as tentações, por isso eu quero!”. Quer pois é difícil? E em primeiro lugar desde quando sexo antes do casamento é errado? (deixa eu adivinhar – Pois está na bíblia?) Sinceramente não fez muito sentido essa primeira, extremamente subjetiva. A pergunta que deveria ser respondida – Por que eu quero muito? –  Ficou sem resposta.  “Reforçada” ainda por uma passagem bíblica. (Talvez nesta parte a passagem bíblica sirva como “razão” para sustentar o “quero muito!”. Utilizar algo que pode ter múltiplas interpretações afim de constituir plausibilidade de um argumento. Preciso completar?)

2 –  Como assim?! Deixa de ser o centro da própria vida? Então se eu praticar a abstinência deus irá tomar conta de meu ser? Que diabos de razão foi essa?! Isso dificilmente seria chamado de razão. Posso praticar sexo e continuar sendo devoto a Deus, não? Seria provavelmente classificado como um devoto hipócrita pois supostamente estou “ferindo a sua vontade” da abstinência. Hein!?

3 – Cedeu a tentação da carne? Amigo lhe direi, isso é perfeitamente comum. Durante a adolescência onde nossos hormônios estão a toda, é extremamente comum termos parceiros e praticarmos sexo. Não há nada de imoral, sujo ou pecaminoso nisto. Só concordo que precauções DEVEM ser tomadas (camisinha, pílulas etc) afim de evitar-se gravidez precoce ou DSTs. E se “deus” REALMENTE quisesse que praticássemos a abstinência, por qual razão então “projetaria” nossos corpos para produzir hormônios e nos tornar ávidos por relações sexuais tão cedo? Para nos testar? Sei que é uma lógica cretina, mas acho inevitável levantá-la. (Levando em conta o criacionismo nesta.)

4 – Pois é. Descompromisso. Relações líquidas. O que tem de errado? Esqueço que os cristãos tem essa visão de “amor eterno” e que com quem se casar, você deverá ficar para o resto da vida. Ambas realidades existem, pena que o cristianismo defende apenas uma e ignora a outra. Essas relações “descompromissadas” fazem parte de um processo em que a sociedade se encontra. A visão de amor mudou assim como o sujeito. Logicamente isso trás malefícios, mas benefícios também. Como quase tudo. Uma pena que ainda pregam a visão de amor do velho/novo testamento (que é bem “atual”, só tem uns milhares de anos atrás) como conduta moral correta e única. Inclusive a visão bíblica de serventia total a deus (que ao meu ver, trás muitos mais malefícios, incluindo textos como estes) do que benefícios.

5 – Ter um hímen “não-rompido” não significa prova de amor (no caso das mulheres). Virgindade e seu tabu não significam prova de amor. Você pode ter namorados em sua adolescência e mais tarde ainda sim, ter um casamento feliz e com muito amor. Que belíssima razão.

6 – É possível coinciliar estudos com namoro. Caso a balança pese é prudente de fato optar sempre por sua carreira e estudos. Cada caso é um caso, mas ao invés de consultar a glória de deus, que tal sentar com seu parceiro e ter uma boa conversa sobre as possibilidades? Acho que é muito mais produtivo.

7 – Assim como as chances de eu morrer são menores se eu ficar em casa o dia inteiro! Isso é lógico! Para DSTs e  gravidez tem de ter a educação sexual dos jovens. As igrejas que arrebanham milhares deles, ao invés de pregar a abstinência deveriam conscientizar dos métodos e educar os jovens. Explicar as possibilidades e que sexo não é risco.

8 – Concordo. Por isso – Camisinha ou pílula. =)

9 – Conversar. Sei que muitos pais  serão contra. Essa é uma questão bem delicada e a abstinência é uma decisão unilateral. Pois irá evitar atritos com seus pais apenas. Diálogo é uma saída, mas infelizmente nem todo pai/mãe é mente aberta para tal.

10 – Sim a realidade é bem diferente. Não temos um “ser” nos espionando 24 horas/7 dias para saber o que fazemos. As mulheres são criadas de modo a esperar um príncipe, por isso acho que deva mudar. Elas podem tomar as rédeas de suas vidas amorosas e irem em busca de suas próprias experiências. Com um pouco de cuidado/juízo sem medo.

11 – Depende do seu significado de lua-de-mel. Ao meu ver limitado a descoberta do sexo. Discordo. Sexo com alguém que se ama de fato e quer muito estar junto sempre será especial, sendo primeiro ou não. Uma lua-de-mel continuará muito especial igual com ou sem abstinência prévia. (Como eu citei, as razões são baseadas em interpretações demais…)

12 – Bom, considerando a época em que Jesus viveu e os dias de hoje tentar viver uma vida pautada na Bíblia seria no mínimo absurda. A moral vigente em nossa sociedade (Brasil, não falo do mundo) é BEM diferente. Dizer que foi pra pior ou melhor? Uma colocação delicadíssima.  Como o autor não fez distinção do Velho ou Novo testamento, (falou a bíblia) peço que os cristãos fiquem de fato com o novo testamento pelo menos. Se formos nos guiar pela moral do velho…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.