Posts Tagged ‘Contos

09
jan
12

Não há fadas no jardim.

Era um pequeno povoado. Pequeno mesmo. Cerca de 50 habitantes…homens, mulheres e um punhado de crianças.

Viviam em meio a floresta onde tinham água, comida e caça. Eram bons agricultores e plantavam de tudo…de tudo que a terra e o clima permitiam.

Mas a sobrevivência deles, de acordo com o líder do povoado, possuia apenas um culpado – as fadas que habitavam aquela região – sempre garantindo boas colheitas e fartura nas caças. Todo mês separavam mais da metade de seus suprimentos estocados para oferecer as fadas. Iam de tardinha, deixavam toda a comida e partiam antes da meia noite – horário que as fadinhas vinham coletar as oferendas.

Uns diziam que eram ninfas, belas com asas, outros diziam que eram parecidos com leões e possuiam asas de águia. Alguns diziam até ter conversado com as fadinhas, mas fato era que não havia um consenso – cada um pintava a imagem das fadinhas como bem queriam.

Alguns meses se passaram e a situação não estava boa…a caça havia se esgotado e o solo também. As colheitas já não eram mais fartas e começava a faltar carne na mesa. Preocupados os líderes do vilarejo se reuniram, temendo que a falta de alimento prejudicasse a oferenda às fadas, complicando ainda mais a situação. Apesar da situação crítica, era unânime – não poderiam faltar com as fadas, que tanto fizeram por eles por todos esses anos…algo de errado devia estar acontecendo, mas com certeza era só esperar que as fadas iriam resolver. Bastava que fizessem sua parte – dar metade de todo seu suprimento em oferta.

Sem que notassem, apenas um jovem do vilarejo decidiu se esconder próximo ao local da oferenda. Após o ritual ser feito e os alimentos postos no local, todos foram embora menos ele. Escondeu-se em um rochedo próximo. Resolveu ficar lá para tentar conversar com as fadas, ele precisava descobrir o que havia de errado para tentar ajudar sua vila. Sua irmãzinha chorava toda noite com fome, pois não tinha o que comer devido ao racionamento – que reduzira a 1 refeição por dia sua rotina. Ele queria fazer um apelo aquelas doces fadinhas que haveriam de lhe atender, afinal sempre estiveram lá por tantos anos.

Horas, dias, semanas…bebia água do riacho próximo e comia um pouco da comida oferecida…afinal elas teriam que entender, ele tinha muita fome e precisava esperar por elas lá…após 4 semanas fora encontrado por um grupo de homens do vilarejo, dizendo que já procuravam por ele fazia semanas devido a seu sumiço. O jovem explicava aflito que não haviam fadas! Que ele havia ficado escondido ali o tempo todo e que quem acabava devorando as oferendas expostas, eram a fauna local. Ele viu tudo acontecer.

Os homens furiosos lhe perguntaram como havia se mantido por 3 semanas ali. Ele mostrou o riacho próximo e disse que havia comido um pouco da oferenda para se manter, mas que mais da metade fora devorada por animais da floresta. Irritados arrastaram o jovem de volta para a vila e o julgaram. Disseram que ele havia comido toda a oferenda e por esta razão as fadas não ajudariam mais o vilarejo – ele havia condenado a todos.

O rapaz chorava e tentava explicar os fatos, mas era abafado pelos gritos e vaias de ódio dos habitantes. O líder disse que somente sacrificando o próprio menino como sinal de boa fé, mostraria que eles não concordavam com o que o menino havia feito – sua morte mostrará as fadas que nós não tivemos nada com isso!

Assim foi feito. O jovem foi morto e oferecido no mesmo local de oferendas. Deixaram seu corpo lá e foram embora, pouco antes do anoitecer. Ele ficou lá…servindo de alimento para os animais da floresta…

Poucos meses depois todos morreram devido a fome. Não se mudaram para terras novas, pois um dia as fadinhas havia de lhes salvar…

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21
nov
10

Cotidiano – Fúria

Um “rage” post, por assim dizer, portanto não me condenem…sei que todos odeiam algo banal o suficiente pra virar um post. Não sou o único.

Eu odeio pessoas que andam devagar nas ruas.

É ótimo ver como existem civis completamente dispersos e alheios ao utilizarem vias públicas. Logicamente nem todos na rua possuem compromissos ou pressa, mas isso dificilmente justificaria certos comportamentos notados. A definição de via pública é simples e clara – é de todos. Portanto o uso por todos e para todos, deve ser ponderado e feito com respeito ao próximo. Aonde eu quero chegar? Irei demonstrar abaixo.

– Caso 1 – Passeios com cachorros.

Owwwwm! Que cuti-cuti! Levar seu amiguinho felpudo de quatro patas pra dar aquele rolé, bacana, fazer uma cagadinha na rua e depois voltar pra casa. Tão “lecal!” Põe a coleirinha, pega a sacolinha plástica pra recolher os dejetos caninos e põe-se a a passear. Se forem dois cachorros então?! Awww amor duplo! Dose dupla de mel e carinho.

Pois é. Muitos enxergam esse ato simples de levar seu cãozinho pra passear assim. Eu não. Um dos agravantes de esbarrões e entupimentos de vias públicas são esses malditos eventos, onde o cão(es) saem com seus donos para um momento íntimo. O esquema abaixo pode exemplificar a PIOR maneira de se passear com seus cachorros.

O esquema é simples e auto-explicativo. De um lado um muro de concreto de chapisco pronto pra lhe dilacerar a manga da camisa ou estragar sua mochila. Do outro a rua, onde carros ferozes passam em alta velocidade sem o menor dó. A solução? Pular corda com a coleira? Se espremer no muro? Xingar o dono dos cães? Desviar dos carros e arriscar sua vida? Pois é…a escolha é toda sua!

Qual o jeito correto então?! Ora, é muito simples!

Carregue a porra dos cachorros em direção única e mantenha a coleira curta, afim de que fiquem próximos ao seu corpo e não ocupem toda a calçada. Simples, eficiente e você não atrapalha a vida alheia. Bacana!

– Caso 2 – Passeios familiares

Há! Esses são os mais frequentes, especialmente domingos/feriados. Vamos imaginar o quadro: Você saiu e está caminhando pela calçada. Não com pressa, mas gosta de manter seu ritmo de caminhada saudável e eficiente. Logo adiante você avista, por volta de umas 10 jardas pessoas saindo de um restaurante.

Pai, mãe, filhos e avós. Ok, e dai…PERAI!?! AVÓS?!! WTF!

Não, não tenho preconceito com idosos, mas famílias tendem a acompanhar seus idosos nos passeios e devido a óbvias limitações físicas isso só pode acabar em uma coisa – um bloco humano composto por 4 ou mais elementos mantendo TODA a calçada tomada. Já não basta terem ficado quase 3 horas almoçando no restaurante, todos tem de andar juntos lado a lado para falar sobre o preço do chá e dos tempos de guerra…E agora? Chama o 06 e pede pra sair ou trazer o cabo de vassoura? Chora? É…pois é.

Isso não é tudo. Sem contar nos motoristas que param na faixa de pedestre ou em frente a rampa de acesso a deficientes. Esses casos irei dedicar um post especial em breve.

06
ago
10

Rio 2234

Rio de Janeiro 2234. Estado de guerra.

A quase 200 anos atrás o Rio era conhecido como a cidade maravilhosa. Já tinha problemas com violência e o dito poder paralelo na época. Só que tinha muita gente rica por aqui e conseguiam manter uma certa ordem. A coisa foi piorando. Precisavam ver o fiasco que foi a copa de 2014. O último evento feito aqui. Os jogos olímpicos de 2016 foram cancelados devido a condição do estado.

Era neguinho atirando pra tudo que é lado. Confronto com a polícia. Nego sangrando bem no meio do asfalto. Acredita que acertaram uma granada no ônibus da seleção Francesa? Sobraram só 4 vivos. O técnico e mais uns jogadores. O presidente declarou estado de sítio e emergência no estado. Convocaram o exército. Ai parceiro, a merda tava feita!

O que aconteceu: O exército chegou, completamente despreparado. O BOPE, uma polícia de elite da época, já tava em frangalhos devido ao corte de verbas. O que ninguém sabia era que o governador tava envolvido na insurreição. Parceiro, ele basicamente comeu pelas beiradas. Tirava do BOPE e das Policias Civil e militar e com lavagem suja dava pro tráfico.

O exército já pobre e com policias sem recurso. Invadiram os morros. Parceiro dai? Foi um massacre.

O Rio de Janeiro se emancipou. Conseguiu o que o Rio Grande do Sul queria a anos. Se separou do Brasil. O Governador já tinha todo o esquema do show pro palco internacional montado. Foi fácil conseguir reconhecimento da maior parte dos G8 e da ONU do Soberano Estado da Guanabara. O Rio agora era um país.

Os anos foram se passando. Por volta de 2129 teve-se um colapso econômico. Eu nem sou estudioso de história, mas tinha algo a ver com lastro em ouro. Coincidência com a crise de 1929? A data sim.

Dai cabou. Os países ricos que vinham investindo em países emergentes como o Brasil e a nova República da Guanabara rancaram seus dinheiros daqui e injetaram em seus países. Rapaz, foi engraçado, pois o Brasil dizia gozar de uma forte economia e toda a palhaçada de uma tal de PETROBRAS que dizia ser auto-suficiente em petróleo. Adiantou de nada.

As FARCs por volta de 2200 estavam no bolso norte americano. Claro que isso sem ninguem saber. Eram agora uma espécie de controle “extra-oficial” Norte Americano. O Brasil não tinha mais dinheiro nem forças armadas. Dai parceiro foi só entrar e passar o rodo.

O Brasil hoje? Um lugar hostil, dominado por FARCs de um lado e rebeldes aleatórios do outro. Cada grupo com um ideal e uma causa sempre com o papo político no fundo. Eles querem só é dinheiro parceiro, dinheiro! As antigas facções criminosas do Rio foram expulsas depois do governador conseguir o que queria. Agora graça aos nosso amigos Alemães conseguimos nos manter de pé aqui pelo Rio.

Desde 2190 graças a uns favores (desenvolvimento de tecnologia a baixissimo custo) a Alemanha e mais uns Europeus ai são nossos aliados. Pois é, temos uns gênios por aqui que conseguem bolar idéias do nada. Só vendo parceiro! Os caras fazem energia com um saco de mercado! É muita loucura.

Eu? Meu apelido no grupo é “Justiceiro”, por causa daquele personagem de revista antigão. Uso uma caveira igual a dele no braço. Sou um oficial das forças armadas da República da Guanabara.

Desculpem o parco conhecimento histórico, pra deixar vocês a par da situação atual, mas não sou pago pra ser intelectual e sim para matar.

Meu serviço? Patrulhar a fronteira e proteger a supremacia da República da Guanabara.

Bem vindos ao Rio, cidade maravilhosa. 8 de julho de 2234.

Considerem-se formados no treinamento militar mais ferrenho de todos.

Nem pensem em sequer respirar. O pior começa agora senhores!

Um grito é ouvido pela sala. Enquanto discursava havia um grupo de mais de 300 soldados a sua frente. Todos prontos para a guerra que estaria por vir…

23
jul
10

Up

O caminho havia sido seguido.

Quem disse que acertamos? Nem sempre. Essa é a coisa da vida. Rolamos dados sempre.

São tantas variáveis para que no final, mesmo após ponderarmos muito acabamos errando.

Toma-se um tombo, sente-se a dor. A cabeça pesa. O rosto encharca-se. Os braços tremem e as pernas ficam paralizadas.

De lá debaixo temos duas escolhas – ficar caído ou levantar. Muitas vezes nos confortamos com o descanso de ficar deitado, relaxar o corpo e as pernas. Apreciar o mundo lá debaixo. Facilita muito.

Mas dai nos tornamos vítimas de nossos próprios aconchegos. Deixamos a vida seguir lá em cima e ficamos muito confortáveis aqui embaixo. É tão quentinho aqui embaixo. Criamos quase que uma alternativa da realidade para nosso máximo conforto. Realidades como castelos de cartas – frágeis porém belas. Felizes somos. Lá de cima nos olham e dizem “Que tristeza viver assim…”

Dai alguns resolvem olhar pra cima com afinco. Começam a ver a vida lá em cima. As pessoas atarefadas, de um lado pro outro, mas nem todas tem um sorriso no rosto. Muitos eram como nós. Cairam, se machucaram, mas não quiseram se aconchegar. Ficaram caídas por breve momento. Momento suficiente para suspirar bem fundo e se levantarem novamente.

Agir por mimese essas horas pode ser uma boa idéia. Nem sempre precisamos ter um motivo para levantar. Levantar por si já basta!

Com a cabeça alta temos mais facilidade para enxergar o horizonte e o motivo surgirá.

Suspire bem fundo, tire o pó da roupa e coloque um band-aid na ferida.

Fique de pé e estique o corpo.

Erga o rosto e olhe para o horizonte.

O sol pode brilhar a qualquer momento.

A vida não tem um botão rebobinar…

21
jul
10

Puzzle Box #6

Ele era errante…

Costumava seguir a esmo pelas trilhas. Não seguia objetivos ou caminhos comuns. Era tacanho demais para tal.

Alguns diriam que era uma covardia viver assim. Ser assim.

Ele era errante…

Não se importava, tampouco ligava para isso. Seguia tortuosamente, mas sempre a frente. Deixara reino, riquezas e pompa. Era outro agora.

Costumava sempre se aconchegar nos lugares distantes. Eram melhores que sua terra natal. Se bem que ele não se importava nem um pouco com isso e muito menos possuia sentimentos para com seu local de origem. Apenas seguia os aromas que lhe agradassem.

No passado havia sido em um destes tortuosos caminhos que ele achara-se. Viveu plenamente. Ao menos assim pensara. Com o passar dos anos encheu-se de esperanças, para apenas ter-se esvaziado. Como uma balão de ar.

Ele era errante…

Isso já não mais o incomodava. O fato da esperança e tudo que aqueles aromas passado lhe proporcionaram. Ficaram-se boas lembranças e a certeza de mudança. Pensara ele que os aromas não mais lhe agradavam. Fazia força para sentí-los, mas não conseguia. Fechou-se.

Ele era errante?

Permanecia caminhando, vivendo e apreciando as coisas que ainda tinham algum sabor. Pequenas que se tornaram tão grandes. Esquecidas devido a sua embriaguez permanente do passado. Agora aquelas pequenas coisas eram parte de sua vida. Pode valorizá-las.

Ele não era errante.

Apenas seguia caminhos distintos, mas ainda sim eram caminhos. Ele deixou de crer. Passou a acreditar nos rótulos alheios e julgamentos apressados. Lhe atribuiram erroneamente a característica de errante, quando não passava de algo comum. Ele passou a crer naquilo. Fechou-se.

Ele não era.

Podia sentir um novo aroma. Sabia que era um novo gosto, sabor. Queria seguir aquilo, mas hesitava. Dúvidas, medo e lembranças do passado. Quão assustador poderia ser?

Nada!

Não seria. Ele sabia que o passado de nada tem a ver com seu futuro. Sentia um otimismo estonteante. Levantou-se com o peito estufado. Suas costas doíam de tanto ficar sentado pensando. Como sentia saudades de caminhar novamente.

Sem príncipes ou princesas, sem medos ou receios. Sem passado. Apenas o presente. Sentia-se renovado. Alongou-se lentamente e colocou-se a caminhar…

11
maio
10

Aquiles – Finale

– Aiiiiiiii!

Grita o pequeno Aquiles ao escorregar de uma pedra e ralar os joelhos. Caído no chão, levanta-se com grande esforço e começa a chorar. Nunca havia sentido tanta dor antes! Tudo que mais queria naquele momento era os cuidados de sua mamãe. Correu desesperado em direção sua casa aos berros e prantos “Mããããããããããe!”

– O que é menino?!
– Mãe! Meu joelho tá doendo muito, me machuquei! Aquela pedra idiota!
– Ora bolas! Engula esse choro menino! O que você acha que os outros garotos da vila vão pensar quando souberem que você chora por qualquer coisinha?
– Mas mãe, tá doendo muito!
– Sem mas! Anda, corre pra dentro que eu faço um curativo e lhe preparo uma comida! Anda, anda!

Aquiles só conseguia lembrar de sua mãe e infância. Dizem que quando a morte está perto toda nossa vida nos passa como um flash. Aquiles parecia cair eternamente. A ferida em sua lateral não doía mais nem mesmo podia sentir a flechada em suas costas. Não ouvia os sons do exército aliado logo abaixo dos portões. Era tudo calmo, sereno. Apenas caía lentamente como se o tempo, implacável houvesse aberto uma exceção para Aquiles naquele momento. Para que ele pudesse saborear seus últimos momentos.

Aquiles nunca quisera ser um guerreiro. Os constantes esforços de seus pais para que ingressasse em carreira militar e seu medo de desapontá-los o colocaram neste caminho. Acontece que Aquiles, por mais que nunca houvesse desejado aquilo sempre fora obstinado. Qualquer que fosse a tarefa escolhida para executar sempre dava o seu melhor. Desafiava professores, treinava duro. Se tornou um dos melhores rapidamente. Sua afinidade com uma lâmina era promissora, concordavam todos os professores. Dotado de uma resiliência e velocidade impressionantes, Aquiles era dado como um guerreiro nato.

Mas lá no fundo Aquiles nunca se sentiu completo. Mesmo vencendo inúmeras guerras, matando diversos soldados nunca era o bastante. Ele corria atrás de uma fama inalcançável. Queria ser o único, exclusivo – o melhor. Obstinado com o que um professor seu lhe dissera uma vez “Aquiles, não importa o quanto tente, sempre haverá um melhor que você. Quando esse dia chegar, seu orgulho será sua queda.” Não! Jamais! Eu SEREI o ÚNICO! Aquiles – o MELHOR guerreiro do mundo! Um Deus!

Deuses não sangram, Deuses são imortais. Aquiles agora percebia da pior maneira possível sua finitude, sua mortalidade. Pensava em sua infância e em seu objetivo inalcançável agora, visto que estava prestes a morrer. Aquiles sentiu-se tão injustiçado, tão decepcionado consigo que começou a sentir lágrimas vindo em seus olhos. Estava tudo acabado…

A queda por fim termina, em um banco de areia macia. Aquiles bate no chão com força e rola o banco de areia abaixo. Em um último esforço levante sua cabeça e vê o exército aliado invadindo a cidade portões adentro e pensa consigo mesmo “O maldito arqueiro que me acertou terá o que merece…” e então tudo escurece.

A guerra segue adiante. O exército aliado destrói facilmente o inimigo. Com a enorme surpresa e facilidade proporcionada pelo plano de Aquiles era vitória garantida. Horas depois a cidade já tomada, está tudo mais calmo. Soldados inimigos sendo executados, alguns presos. O exército agora limpa o campo de batalha, recolhendo os armamentos dos soldados caídos para reparos e os corpos para homenagens póstumas. Quando um dos batedores avista um pouco afastado da batalha o corpo de Aquiles. Faz alarde para os outros e corre até ele.

– É AQUILES! ELE ESTÁ RESPIRANDO AINDA! TRAGAM AJUDA RÁPIDO!

****

Dois dias se passam até que Aquiles desperte. Como tirado de um pesadelo, vai recobrando seus sentindos aos poucos. Reconhece lentamente o lugar onde está. A barraca do general de seu exército. Sente dores pelo corpo todo. Tenta se levantar.

– Devagar Aquiles! Você sofreu ferimentos severos!
– Como…eu…estou…vivo? O que…aconteceu?
– Não sei Aquiles. Um dos batedores lhe encontrou caído longe dos portões. Foi muita sorte ou os deuses resolveram lhe sorrir. Aconteceu o que você havia planejado bravo soldado! Ganhamos a batalha facilmente e tomamos a cidade. Agora é só coletarmos os espólios da guerra!
– Eu…meus homens…os soldados comigo…eles…
– Descanse Aquiles…depois conversaremos…

10 dias se passam e Aquiles já começa a se sentir melhor. O rei deseja vê-lo pessoalmente. Um banquete é feito em sua homenagem e boa parte das pilhagens da cidade lhe são dadas como reconhecimento pelo seu feito heróico. Aquiles permanece sério durante toda a festança. Não sente prazer naquilo. Não está satisfeito. O que ele quer ouro nenhum pode comprar. Decide retornar a Grécia. Sobe no barco quando é chamado pelo general:

– Aquiles! Aonde vai? O rei deseja lhe dar um alto cargo nesta cidade! Finalmente poderá se aposentar e viver como um dono de terras!
– Diga ao rei que dê o cargo para você meu bom amigo. Irei voltar a Grécia. Ainda tenho muito para aprender e muitas guerras para lutar.
– Hahahahahaha! Bravo Aquiles! Enquanto o exército grego contar com você, jamais seremos derrotados! Vá com os deuses nobre amigo! Com os deuses! Hahahahahahahahaha!

Aquiles põe-se a olhar o horizonte enquanto o barco zarpa. Pensativo. Lembra das palavras de seu professor. E pela primeira vez teme que aquele dia chegue…

04
maio
10

Aquiles – Queda

– Que lugar nojento!

Reclama um dos soldados.

– Hahahahahaha e você esperava o que? Um mar de rosas? No final a bosta de todos nós é tão fedida quanto…
– Tenha dó Aquiles! Isso não é lugar para soldados como nós! Muito menos para você!
– Pfffft…Vocês e suas manias de se acharem especiais…por que? Somos pessoas quaisquer. Não somos especiais. Não importa aonde a guerra for é nosso dever estar lá.
– Aquiles, poupe-nos. Somos seus amigos de longa data. “Dever” é algo para com o qual, você não está muito habituado a concordar.
– Hmpf. Então está. Apenas aguentem o cheiro e me sigam em silêncio.

Aquiles e seu grupo de elite seguem pelos estreitos esgotos subterrâneos da cidade inimiga. Após uns 20 minutos de caminhada pelo putrefato ambiente, acham uma grade para parte interna da cidade. Aquiles cuidadosamente remove a proteção da grade e por fim a mesma. Observa atentamente os arredores e volta para o esgoto.

– Muito bem. É aqui que a brincadeira começa. Estamos bem próximos de um dos acessos a parte alta dos muros, onde provavelmente iremos encontrar o mecanismo para abrir os portões. Se movam em grupos de dois no máximo. Somos seis ao todo. Procurando cobertura e olho vivo! Se os guardas nos virem seremos massacrados. Prontos? Vamos!

Aquiles levanta-se do acesso do esgoto e rapidamente esconde-se atrás de uma pilastra. Nota a presença de dois guardas logo acima do primeiro lance de escadas laterais do muro. Corre rapidamente para o início das escadas, seguido por seu grupo. Um dos guardas, de costas para as escadas, completamente desavisado é assassinado por Aquiles. O seu companheiro escuta um som e ao checar o que é tem o mesmo destino de seu amigo.

O grupo se move como as sombras da noite, sem barulho, sem serem notados. Vão ganhando altura e finalmente atingem os muros. Aquiles sinaliza com a mão direita para que andem agachados. Seria muito fácil arqueiros de outras partes do muro notarem seus movimentos. Após percorrerem boa parte dos muros aproximam-se de seu objetivo.

– Ok soldados. Estamos perto. Vocês dois, cuidem essa entrada enquanto eu ir…

Aquiles mal pôde completar sua frase e três flechas perfuram um dos soldados do seu grupo.

– Mas que?!! Fomos descobertos! Merda! Procurem cobertura!

Quando Aquiles finaliza a frase mais dois de seus soldados são abatidos. Os três sobreviventes correm para uma espécie de torre com dois acessos. Um deles com um corredor aberto até o objetivo deles e o outro para a entrada por onde vieram.

– Droga! Fomos descobertos! Posso ouvir o alarde lá embaixo. Eles enviarão tropas para cá. Porcaria. Teremos de lutar!
– Não! Aquiles corra para as alavancas dos portões! Iremos segurar o exército deles o máximo que pudermos! Nestes corredores estreitos podemos aguentar! Vá!

Aquiles hesita por uns segundos, mas acata a ordem do seu companheiro e amigo.

– Foi uma honra lutar ao seu lado soldados…

Empunha sua espada e seu escudo. Aperta seu capacete e olha para o outro lado do muro, onde fica seu objetivo. Pensa consigo mesmo : São uns 300 metros até a outra torre. Terei de correr e torcer para que as flechas não me acertem. Se eu conseguir abrir o portão posso transformar esse desastre em sucesso.

Tomando fôlego, Aquiles corre. Adquire velocidade do vento. Corre rápido e com o seu escudo protegendo seu corpo. Uma chuva de flechas vem em sua direção.

– Awwwwwwwwwwww! Andem seus idiotas! Tentem me acertar! Hahahahahahahahahaha!

Correndo e gritando, em um misto de desespero e coragem Aquiles alcança a outra torre. Os soldados já o esperavam, mas eram apenas 5. Aquiles pula no meio dos 5 e executa um giro de 180º com seu braço/tronco, cortando um arco a sua frente matando dois dos cinco soldados. Os outros três mal conseguem reagir a velocidade explosiva de Aquiles, jogando o escudo em um deles, Aquiles mata o outro e antes mesmo que o atingido possa se livrar do escudo é morto.

Quando se vira para matar o último Aquiles nota que a mão do soldado trêmula, está coberta com sangue. Sem entender Aquiles olha para sua lateral direita e nota algo. Sangue. O soldado o perfurou com uma adaga enquanto lutava com os outros. Como pôde ser tão descuidado! Agora estava sangrando a um ritmo perigoso. Aquiles mata o último soldado e gira a alavanca destravando os portões. Se arrasta até o lado de fora com uma tocha e sinaliza para seu exército debruçando-se sobre o muro. Sente algo bater em suas costas. Uma flecha acaba de lhe acertar em cheio. Aquiles cambaleia e tomba muro abaixo. Sente sua vida se esvaindo conforme cai…

Continua…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.