Posts Tagged ‘ateismo

09
jan
12

Não há fadas no jardim.

Era um pequeno povoado. Pequeno mesmo. Cerca de 50 habitantes…homens, mulheres e um punhado de crianças.

Viviam em meio a floresta onde tinham água, comida e caça. Eram bons agricultores e plantavam de tudo…de tudo que a terra e o clima permitiam.

Mas a sobrevivência deles, de acordo com o líder do povoado, possuia apenas um culpado – as fadas que habitavam aquela região – sempre garantindo boas colheitas e fartura nas caças. Todo mês separavam mais da metade de seus suprimentos estocados para oferecer as fadas. Iam de tardinha, deixavam toda a comida e partiam antes da meia noite – horário que as fadinhas vinham coletar as oferendas.

Uns diziam que eram ninfas, belas com asas, outros diziam que eram parecidos com leões e possuiam asas de águia. Alguns diziam até ter conversado com as fadinhas, mas fato era que não havia um consenso – cada um pintava a imagem das fadinhas como bem queriam.

Alguns meses se passaram e a situação não estava boa…a caça havia se esgotado e o solo também. As colheitas já não eram mais fartas e começava a faltar carne na mesa. Preocupados os líderes do vilarejo se reuniram, temendo que a falta de alimento prejudicasse a oferenda às fadas, complicando ainda mais a situação. Apesar da situação crítica, era unânime – não poderiam faltar com as fadas, que tanto fizeram por eles por todos esses anos…algo de errado devia estar acontecendo, mas com certeza era só esperar que as fadas iriam resolver. Bastava que fizessem sua parte – dar metade de todo seu suprimento em oferta.

Sem que notassem, apenas um jovem do vilarejo decidiu se esconder próximo ao local da oferenda. Após o ritual ser feito e os alimentos postos no local, todos foram embora menos ele. Escondeu-se em um rochedo próximo. Resolveu ficar lá para tentar conversar com as fadas, ele precisava descobrir o que havia de errado para tentar ajudar sua vila. Sua irmãzinha chorava toda noite com fome, pois não tinha o que comer devido ao racionamento – que reduzira a 1 refeição por dia sua rotina. Ele queria fazer um apelo aquelas doces fadinhas que haveriam de lhe atender, afinal sempre estiveram lá por tantos anos.

Horas, dias, semanas…bebia água do riacho próximo e comia um pouco da comida oferecida…afinal elas teriam que entender, ele tinha muita fome e precisava esperar por elas lá…após 4 semanas fora encontrado por um grupo de homens do vilarejo, dizendo que já procuravam por ele fazia semanas devido a seu sumiço. O jovem explicava aflito que não haviam fadas! Que ele havia ficado escondido ali o tempo todo e que quem acabava devorando as oferendas expostas, eram a fauna local. Ele viu tudo acontecer.

Os homens furiosos lhe perguntaram como havia se mantido por 3 semanas ali. Ele mostrou o riacho próximo e disse que havia comido um pouco da oferenda para se manter, mas que mais da metade fora devorada por animais da floresta. Irritados arrastaram o jovem de volta para a vila e o julgaram. Disseram que ele havia comido toda a oferenda e por esta razão as fadas não ajudariam mais o vilarejo – ele havia condenado a todos.

O rapaz chorava e tentava explicar os fatos, mas era abafado pelos gritos e vaias de ódio dos habitantes. O líder disse que somente sacrificando o próprio menino como sinal de boa fé, mostraria que eles não concordavam com o que o menino havia feito – sua morte mostrará as fadas que nós não tivemos nada com isso!

Assim foi feito. O jovem foi morto e oferecido no mesmo local de oferendas. Deixaram seu corpo lá e foram embora, pouco antes do anoitecer. Ele ficou lá…servindo de alimento para os animais da floresta…

Poucos meses depois todos morreram devido a fome. Não se mudaram para terras novas, pois um dia as fadinhas havia de lhes salvar…

22
maio
11

O motivo de crer : Introdução

Começarei uma série de posts que abordarão este tema. O motivo, o cerne, o por que, o tal qual, a mola propulsora, o sentido da vida (para muitos) – A crença religiosa. Não irei apontar uma religião específica tampouco um deus qualquer. Irei falar de modo geral dessa tão dita “virtude” – a fé no divino.

Gostaria de deixar claro de antemão que não irei cobrir todos os motivos existentes (seria, digamos, impossível) irei tratar apenas dos que eu conheço e entendo. Os mecanismos que levam esses poderosos memes a se replicarem e mutarem (em bastante casos) com tanta facilidade e velocidade.

Eu não saberia dizer quando exatamente a crença em algo misterioso e superior, uma espécie de criador oni-tudo começou, mas posso falar muito bem sobre como existe hoje.

Quanto mais procuro, menos sentido a existência de um deus faz. Intrigante ver o quão diferente as pessoas possam ser a ponto de bilhões dela pensarem completamente diferente. Mesmo. Extremo opostos. Algo como quase eu zero e eles um.

Hoje mesmo supostamente deveria ser o fim do mundo para um grupo de evangélicos norte americanos que logicamente tem espaço aqui no Brasil. Pude ver em diversos ônibus circulando pela cidade (Niterói/RJ) a propaganda do fim do mundo e o início do arrebatamento hoje. Eles afirmam ter provas bíblicas irrefutáveis deste evento. Nada aconteceu. Isso os torna mentirosos? Idiotas? Ou o que?

Seria a crença deles no fim do mundo hoje tão absurda assim? As pessoas acreditam que um espírito engravidou uma mulher, que seu filho 33 anos mais tarde foi morto e ressuscitou 3 dias após. Seu pai teria assistido tudo lá de cima e nada fez, pois era parte de um plano maior seu filho ser surrado até a morte. Sem falar em outros absurdos bíblicos, como Adão e Eva. Isso não torna qualquer cristão idiota, mas aqueles que achavam que o mundo ia acabar hoje com base em estudos bíblicos são idiotas. São alvo de chacota de outros grupos cristãos.

Curioso não?

Vejo muitos cristãos criticando o Bolsonaro (ficou famoso após polêmicas declarações homofóbicas no CQC), mas se pararmos para pensar ele sim estaria mais próximo dos valores bíblicos que estes cristãos que o criticam. Não lembro de nenhuma passagem bíblica que dissesse ou desse a entender que o homossexual era algo a ser respeitada e compreendida. Aliás o único cristão famoso que vi dizer isso foi Chico Xavier em um programa de entrevista da extinta rede Tupi.

Não consigo deixar de notar certas incoerências. O papo que rola é “Awww mas nós filtramos as coisas ruins da bíblia né! Não vamos levar tudo ao pé da letra!” – Claro. E quem seríamos nós para dizer o que presta e o que não presta no que chamam de ESCRITURAS SAGRADAS. Foi DEUS quem escreveu aquilo. Como ousa interpretar/filtrar tais palavras?

Começarei por partes. Próximo post irei especificar os motivos do crer das pessoas que conheço. Contextualizarei/tecerei comentários acerca.

08
nov
10

Crenças

Desculpem. Sumi. Sumi mesmo, mas estou bem. Vida seguindo e ando muito bem obrigado.

Constantemente venho pensando sobre a idéia de ateu. Do descrente, do que acredita só em dinheiro ou daquele que não acredita em nada. Infelizmente todas as definições anteriores estão equivocadas e são extremamente preconceituosas. Ateus não são pessoas livres de crenças.

Você pode ser Ateu e acreditar em Tarot. Seria incoerente, mas não arruinaria sua definição ateísta, visto que ateus são aqueles que não crêem em deuses e PONTO.

Eu por exemplo possuo diversas crenças. É, do ponto de vista científico, da definição de crença, eu possuo diversas.

Não acredito em:

– Deuses ou quaisquer mitos semelhantes. Santos se incluem aqui também assim como espíritos.

– Sobrenatural ou milagres.

– Sorte ou azar.

– Pseudociências. Coisas ou imbecilidades que se apoiam em explicações pseudo-científicas para embasarem sua veracidade. Ex: Pulseiras do poder, anéis que dão sorte, tratamentos “alternativos” médicos e etc.

Coisas que ACREDITO (por acredito, digo que apenas acredito, mesmo sem evidências fortes em alguns casos) :

– Amor.

– Pessoas.

– Sentimentos. Tanto na bondade quanto na maldade do ser humano.

Falando em crença no ser humano, vi agora pouco no jornal, um casal de idosos canadenses que ganharam na loteria. Ganharam cerca de 11 milhões de dólares, mas simplesmente doaram todo o dinheiro. Doaram para hospitais, escolas e instituições de caridade. Pois simplesmente sabiam que aquele dinheiro na idade deles não faria a menor diferença.

Ao invés de morrer e deixarem o dinheiro para filhos ou netos se matarem pra saber quem fica com mais, fizeram algo muito nobre e útil com ele. Irão beneficiar centenas de crianças nas escolas e pesquisas em hospitais. Que prova maior de crença no ser humano eles poderiam dar? Fiquei muito admirado com o ato e pensar que esse tipo de pessoas ainda existem. =)

Ter crenças é algo normal em todos nós. Uma coisa que eu definitivamente não tenho é idolatria. Isso jamais. Idolatrar algo ou alguém, de maneira fervorosa e doentia. Um fenômeno muuuuuito comum, especialmente em adolescentes Emos que escutam NxZero ou Restart e ao estarem na presença dos membros da banda entram em completo desespero. Outro infeliz exemplo disso são os marmanjos doentes por seus times de futebol…esses são os piores.

Quer exemplo? Hoje no record notícias, juntamente com essa dos idosos, um rapaz de Pindamonhangaba (interior de SP) se disfarçou de policial pra tentar invadir o Copacabana Palace e conseguir ingressos dos seus ídolos daquela porcaria de filme de vampiros. Lixo Nova. Tudo que ele conseguiu no final foi um autógrafo do delegado na ficha criminal dele. Bacana não?

Robert “Edward” Pattinson ficou como? Imagino a cara que ele fez quando soube disso…

Uh…tanto faz, ele só tem uma expressão facial mesmo.

08
ago
10

Anti-teísmo?

Comum ao afirmarmos que algo é ruim. Mais comum ainda é, quando isto ocorre, sermos rotulados como generalizadores ou exagerados.

“Seu ponto de vista é limitado! Você só vê o lado ruim da coisa!” ou “Não é assim. A maioria pode até ser, mas tem aqueles que não são assim no (insira aqui o grupo criticado)!”

E ao ouvirmos isso normal fazermos aquela cara de bunda e concordar com a pessoa que lançou esse argumento.

Acontece que…isso é um argumento?

Existem muitos assuntos que são quase que concordâncias universais e jamais são vítimas do argumento “generalização precipitada” ou “tendenciosa”. Exemplo disso? Nazismo.

Se falarmos “O nazismo era horrível!” dificilmente ouviremos “Aw, não exagere! O Nazismo não era de todo mal. Tinham alguns nazistas que nem eram radicais…”

Creio eu que esse tipo de coisa não ocorra, pois normalmente o termo “nazista” é utilizado quando queremos demonstrar que algo é radical ao extremo ou por simplesmente jamais conseguir nos sentir bem ao demonstrar simpatia por algum produto nazista. Claro que isso exclui os neo-nazistas ativistas.

Alguns outros assuntos devem se encaixar nessa quase que imunidade da “generalização”. Isso deixo aos leitores, como reflexão, pensar e identificar alguns assuntos que se encaixam nesse perfil.

Bem o ponto do meu post não é esse. O ponto é até onde generalizar na religião poderia de fato ser considerado como um argumento?

Digamos que em discussões, é fácil apontarmos nos dias de hoje (vamos deixar o passado de fora, por agora) o quão alienante as mídias evangélicas podem ser. Falo mídias, pois eles estão se expandindo de diveeeeeersas formas distintas. Internet, rádios, jornais e canais de tv dedicados 24h a propagar a doutrina evangélico-cristã.

O que encontramos nesses canais? Doutrinação de crianças e jovens, homofobia, preconceito, racismo e apologia a diversos dogmas cristãos completamente infundados. Sem contar na pitada de misticismo de algumas igrejas onde os pastores AFIRMAM operar milagres.

Certeza que já terão pessoas que ao lerem o ultimo parágrafo começarão a esboçar os primeiros sinais do “Awww mas você está generalizando! Nem todos os pastores são assim!”

De fato, nem todos os pastores são assim. Mas ai jaz a cerejinha do sundae. O ponto desse post. Aonde estão os “bons religiosos” nessa hora?

Os fanáticos surgem, propagam idéias completamente surreais e vendem idealismos recheados de ódio e preconceito. Não satisfeitos, sugam até o último centavo dos fiéis e vendem curas milagrosas que não curam nada. Enquanto de um lado as pessoas mais esclarecidas lamentam por isso, os religiosos não fanáticos e moderados, pertencentes aquele mesmo grupo dos fanáticos, fazem o que? Nada.

Eles deixam os bandidos e mau-caráteres, se instalarem de maneira legítima. Sem nenhuma forma de combate ou esclarecimento. Isso ocorre em diversos meios. Sempre sob uma liberdade incondicional e vetada de qualquer embate. Não digo de proibir a execução destes cultos, claro. Não irei entrar no mérito da liberdade de culto, protegida por lei. Digo em tentar levar esclarecimento dentro das próprias igrejas para abrir o olho dos religiosos para estes tipos de prática.

Para condenar gays, ateus, lésbicas e quaisquer outro grupo que julgam “demoníacos” eles não poupam discursos ou esforços. Mas para combater os charlatões e enganadores dentro de seus próprios grupos a coisa muda.

Seria algo “Bom, ele é radical e eu jamais concordaria com esse papo de cura milagrosa, mas bem ou mal ele tá levando a palavra de Deus…” Porra! Espero que não! Os meios justificam os fins?! Caramba, que cristão esse pensamento!

Seria religião de todo mal? Estaríamos generalizando? Podemos citar a religião como algo bom em casos isolados. Um ou outro que largou as drogas, mas virou um religioso quase que fanático. Alguém que ia se matar e encontrou conforto em uma religião. Alguém que perdeu um parente próximo e sente-se melhor por crer que o verá em breve novamente.

Mas por outro lado, temos fatores globais tão fortes que podem nos levar a concluir que religião nos dias de hoje causam muitos males e são um dos fatores que mais disseminam preconceitos. Quer pior inimigo a oficialização do matrimônio gay? Não consigo ver sequer UM ARGUMENTO BEM EMBASADO, que demonstre um bom motivo para que o casamento gay não seja aceito. Todos os argumentos tem embasamento bíblico forte, até os mais desenvolvidos acabam esbarrando em uma passagem bíblica no final.

Estamos em 2010, mas sinto que isso só tende a piorar e se firmar. Temos o Crivella (evangélico ferrenho) como senador, Garotinho também, José Serra maldizendo ateus em comícios com maioria religiosa e uma febre cristã crescendo. Aw e até na medicina! Médica norte-americana que criou vacina “anti-lésbica”. (Motivo de meu próximo post, por sinal).

Era das trevas…?

07
maio
10

Crença & Pessoal

Interrompo minha estória delirante acerca de Aquiles para um assunto sério. Não se preocupem, próximo post teremos a continuação e desfecho desta aventura. =)

Bom como todos sabem eu sou contra qualquer tipo de idolatria. Seja por times de futebol (um dos piores tipos de idolatria na minha opinião) ou deuses. Por idolatria entenda-se não somente acreditar, mas fazer daquele objeto de idolatria algo mais importante que tudo. Algo que o torne fanático. Algo que o faça cometer coisas estúpidas, como agredir torcedores rivais pois apenas são do outro time ou amarrar bombas no seu corpo e se explodir, achando que está indo viver com virgens e limpando a terra de infiéis.

Algo que me deixa um bocado irritado é religião ser um dos assuntos intocados. Não se pode fazer piada com nenhum dos mitos dito “sagrados” que as pessoas que acreditam se sentem absurdamente ofendidas. Até as pessoas não fanáticas ficam ofendidas com aquilo. Isso eu já experienciei com conhecidos e amigos que acreditam, mas nem sequer vão a igreja. Eles ficam ofendidos. Se eu fizer uma piada com Jesus é como se eu tivesse feito uma piada com a mãe do cidadão/cidadã.

As coisas que eu acredito, por exemplo, vejo piadas com Darwin ou sua teoria quaisquer outros valores que eu venha seguir e não levo para o lado pessoal. Brinco rio e sacaneio. Provavelmente me ofenderia se fosse algo direto a minha pessoa e não a um conjunto. As pessoas se ofendem pois acreditam em Jesus, mas e dai?

Uma piada acerca das 300000 contradições/absurdos bíblicos não deveriam ser levados tão a sério. Fazemos piadas de diversas coisas, sobre todo tipo de assunto, até mesmo essas pessoas que se sentem ofendidas com Jesus sendo sacaneado. Faz parte da nossa cultura e digo-lhes, uma parte muito boa.

Termos a capacidade de transformar quase tudo em algo bem humorado que nos faça dar risadas. Amenizar um fato trágico e trazer um pouco de leveza em coisas mais pesadas.

Por mais doentio que eu ache a Bíblia em especial a carta de Paulo aos romanos (terminei de ler ela e simplesmente fiquei de boca aberta) tenho respeito pela crença, não fico exigindo a todos que acreditam que fiquem se justificando os por-quês. Agora ficar ofendido com piadas ou brincadeiras pois “É minha crença, está me desrespeitando!” Pro inferno!

Primeiro não é sua crença. Segundo ela já existia milênios antes de você nascer. Terceiro foi escrita por diversos autores, possui inúmeras traduções e manipulações (o que já torna duvidoso a bíblia dos dia de hoje, o quão precisa ela seria se comparada a original?). Tudo que tá na bíblia foi parte de um acordo, que excluiu diversos outros evangelhos, ou seja, o que está ali não está por ser verdade ou acaso – está por um motivo.

Sua crença não é você. Pessoas que se definem por suas crenças, deveriam parar para pensar o quão a sério elas se definem. Se quer se definir pela sua crença, então comece a seguir o estilo bíblico de vida – odeie homossexuais, apedreje adúlteros e coloque Deus acima de tudo. Mesmo. Tudo. Inclusive de sua própria vida e de seus filhos – Assim como Abraão. Parece que soa bonito e correto dizer que é “cristão” para os outros ouvirem – como se isso automaticamente o tornasse uma boa pessoa.

A verdade é que são poucos os religiosos que levam sua religião a SÉRIO MESMO. Quantos evangélicos conhecemos que fazem sexo antes do casamento? Que engravidam até antes de casar? Religiosos homossexuais e por ai vai. Isso ao meu ver é ótimo! Sinal que uma espécie de bom senso ou algo do gênero, faz com que as pessoas consigam separar e filtrar alguns absurdos que na época em que a bíblia foi feita faziam todo o sentido.

Espero que esse tipo de comportamento continue a se seguir, até que fiquem com as poucas coisas boas da bíblia e joguem todo o resto fora. Seguir uma moral bíblica inflexível nos dias de hoje seria no mínimo, uma loucura estúpida. Coloquem a graça na religião de volta.

18
abr
10

A navalha de Occam

Um princípio lógico que sempre utilizei sem saber. A navalha de Occam (ou Ockham) basicamente (irei utilizar um reducionismo para explicar brevemente o conceito, paradoxalmente estaria eu aplicando o próprio conceito da navalha para explicar o conceito?! Não!) diz que ao analisarmos um fenômeno e posteriormente começarmos a tecer hipóteses para explicar aquilo, devemos eliminar o maior número de informações desnecessárias possíveis. Tentar começar pelas hipóteses que possuem o menor número de fatos não evidenciados afim de que se descubra uma explicação para tal fato. É simplesmente “procurar o caminho mais simples” afim de se encontrar explicações eficientes. Sempre partir do menor para o maior, caso a simplicidade não consiga explicar aquele fenômeno.

Quando conversei com meu amigo, utilizei de um exemplo tosquíssimo para exemplificar a navalha de Occam na prática. Graças a minha preguiça irei utilizar de novo o mesmo exemplo tosco do prato.

Digamos que você está na sua casa. Acabou de lavar a louça e pôs os pratos no guarda louças e foi sentar-se no sofá. Após uns segundos tu escuta um barulho na cozinha. Vai correndo pra ver, chegando lá o prato se estatelou pelo chão. Qual fator fez o prato cair? Uma janela aberta e uma corrente forte de vento? O prato foi mal colocado no porta louças, fazendo com que escorregasse? Um espírito irritado deu um tapa no prato e o derrubou? Partindo da navalha de Occam, a explicação que seria eliminada de cara seria do espírito, pois invoca diversos fatores a mais, necessários para a explicação do problema. O que é um espírito? Por que ele derrubou o prato? Por que estava irritado? Por que estaria ali na cozinha? Enquanto que o vento ou o mal posicionamento da louça no descanso são explicações que invocam menos elementos para a solução. Claro que mediante o não esclarecimento, com os fatores simples, iremos posteriormente adicionando complexidade aquele sistema, mas aos poucos e não “de cara”.

É exatamente esta postura que é adotada pelo método científico. O reducionismo científico.

Sempre utilizei essa lógica da navalha, quando tentava analisar situações ou “fenômenos” milagrosos. Minha postura quanto ao espiritismo passa por este princípio. Se procurarmos as respostas sobre alguns fenômenos “paranormais” ou atribuídos aos “espíritos” podemos achar explicações (ou ao menos hipóteses) mais simples (com certeza, devem existir) que venham a explicar boa parte dos fenômenos.

Não há erro nenhum em procurarmos pelas explicações mais simples antes de partirmos para mais complexas. Acho que isso faz tanto sentido que mal conseguiria tentar defender tal postura. É um dos processos intuitivos conhecidos como “óbvio”. Algo que não necessita de um raciocínio para saber sua conclusão. Intuitivamente sabemos o que irá acontecer. Como ao olharmos um vidro cair, saberemos que ele ao bater no chão irá quebrar. Sem raciocinarmos toda a explicação necessária para que pudéssemos concluir que o vidro irá quebrar.

Bem essa foi uma breve explicação do conceito da navalha de Occam. Logicamente não aprofundei o conceito, resolvi pesquisar sobre isto faz pouco tempo e vi que costumava utilizar esse príncipio sem nem mesmo saber. Caso encontre algo mais e pertinente acerca disto, trarei a vocês. Abraços!

10
abr
10

Rio, chuvas e tragédia

Interrompo meu post sobre Chico e espiritismo, apesar dele estar em alta e bem pop (devido ao seu filme) irei falar de um assunto mais “pop” ainda. A tragédia que ocorreu no Rio de Janeiro devido as chuvas. Minto, devido ao despreparo e total descaso existentes nesta merda de estado. Copa? Olimpíadas? Hahahahahahahahahaha!

É bem sabido que em boa parte do Brasil, especialmente o Lixo de Janeiro, nada é feito para prevenir. Espera-se as piores das catástrofes ocorrer para remediar – nunca prevenir. As obras quando acontecem são super faturadas ou apenas suprem uma necessidade rápida do momento. Nunca prevenir um além.

São Paulo choveu durante 72 dias e segundo as fontes que consultei não houve nenhuma morte. A cidade aguentou. Rio de janeiro choveu uma semana. Morreram mais de 200 pessoas ao todo, com destaque para o trágico episódio do morro do Bumba em Niterói. Diversas casas construídas sobre um antigo depósito de lixo. Liberado pela prefeitura para construção a 25 anos atrás. Jorge Roberto ao ser indagado acerca disso “Eu não sabia disso…” – isso pois foi prefeito 3x já. Incrível. A ignorância lhe convém…

Antes que falem que foi “Deus” ou como adorariam sugerir os evangélicos mais fanáticos “Obra do diabo” a explicação pra tragédia do Bumba é bem simples – Irresponsabilidade humana e química. Os gases liberados pela decomposição do lixo, ficaram ali, por anos, sendo produzidos. Era uma espécie de bomba relógio. Devido as massivas chuvas, a água começou a infiltrar o solo e os gases a serem liberados. O gás era metano. Altamente explosivo. A hipótese de ter ocorrido uma explosão que gerou o deslizamento monstruoso é corroborado por depoimentos de diversos moradores, que afirmaram ter ouvido um estampido forte segundos antes da tragédia.

Não há deus que salve disso. Os bombeiros, esses sim, merecem os créditos pelos salvamentos. Não existem milagres. Existe trabalho duro e dedicação de vidas humanas em salvar outras. A estes homens que ainda se encontram no local trabalhando sem descanso, dedico este post. No final só podemos contar com aquilo que de fato nos é tangível. Não há forças “meta-físicas” operando neste momento.

Alguns depoimentos me chamaram atenção. Dois em especial, que vi na globo news. Uma senhora que estava calma e falou tranquilamente. A repórter havia perguntado se ela iria morar ali, mesmo depois daquilo. Ela respondeu mais ou menos assim “-Sim irei.  Sou daquelas pessoas antigas que acreditam em deus. Isso foi apenas um acaso.” Já o outro depoimento foi uma moça, que em prantos falava desesperada “O homem tem que parar de querer ser maior que deus! Tem que parar!

Não estou aqui para julgar, mas até que ponto vai a crença dessas pessoas? A mulher não ter escolha para onde ir é uma coisa, mas continuar a morar pois “acredita em deus” pondo sua vida em risco e dizer isso tranquilamente? Não sei por qual razão fiquei supreendido, visto que o raciocínio de homens bomba é muito mais assustador.

Sem falar nos arrastões que aconteceram em Niterói, no dia seguinte. A mídia toda acordou em dizer “Foram boatos!”, mas  ao meu ver, não. Creio que isso foi uma tentativa de abafar a fragilidade que essa porcaria de estado se encontra. Entregue, frágil e completamente perdido. Problema que dai cairei naqueles tortuosos caminhos que a “teoria de conspiração” levam.

Vejo a irresponsabilidade do estado (e de certa forma, nossa mesmo) ser abafada pelas diversas mobilizações de solidariedade. Assim vamos levando. Se acontecer uma outra tragédia, basta doar um quilo de feijão e arroz que tá tudo certo…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.