Posts Tagged ‘Aquiles

11
maio
10

Aquiles – Finale

– Aiiiiiiii!

Grita o pequeno Aquiles ao escorregar de uma pedra e ralar os joelhos. Caído no chão, levanta-se com grande esforço e começa a chorar. Nunca havia sentido tanta dor antes! Tudo que mais queria naquele momento era os cuidados de sua mamãe. Correu desesperado em direção sua casa aos berros e prantos “Mããããããããããe!”

– O que é menino?!
– Mãe! Meu joelho tá doendo muito, me machuquei! Aquela pedra idiota!
– Ora bolas! Engula esse choro menino! O que você acha que os outros garotos da vila vão pensar quando souberem que você chora por qualquer coisinha?
– Mas mãe, tá doendo muito!
– Sem mas! Anda, corre pra dentro que eu faço um curativo e lhe preparo uma comida! Anda, anda!

Aquiles só conseguia lembrar de sua mãe e infância. Dizem que quando a morte está perto toda nossa vida nos passa como um flash. Aquiles parecia cair eternamente. A ferida em sua lateral não doía mais nem mesmo podia sentir a flechada em suas costas. Não ouvia os sons do exército aliado logo abaixo dos portões. Era tudo calmo, sereno. Apenas caía lentamente como se o tempo, implacável houvesse aberto uma exceção para Aquiles naquele momento. Para que ele pudesse saborear seus últimos momentos.

Aquiles nunca quisera ser um guerreiro. Os constantes esforços de seus pais para que ingressasse em carreira militar e seu medo de desapontá-los o colocaram neste caminho. Acontece que Aquiles, por mais que nunca houvesse desejado aquilo sempre fora obstinado. Qualquer que fosse a tarefa escolhida para executar sempre dava o seu melhor. Desafiava professores, treinava duro. Se tornou um dos melhores rapidamente. Sua afinidade com uma lâmina era promissora, concordavam todos os professores. Dotado de uma resiliência e velocidade impressionantes, Aquiles era dado como um guerreiro nato.

Mas lá no fundo Aquiles nunca se sentiu completo. Mesmo vencendo inúmeras guerras, matando diversos soldados nunca era o bastante. Ele corria atrás de uma fama inalcançável. Queria ser o único, exclusivo – o melhor. Obstinado com o que um professor seu lhe dissera uma vez “Aquiles, não importa o quanto tente, sempre haverá um melhor que você. Quando esse dia chegar, seu orgulho será sua queda.” Não! Jamais! Eu SEREI o ÚNICO! Aquiles – o MELHOR guerreiro do mundo! Um Deus!

Deuses não sangram, Deuses são imortais. Aquiles agora percebia da pior maneira possível sua finitude, sua mortalidade. Pensava em sua infância e em seu objetivo inalcançável agora, visto que estava prestes a morrer. Aquiles sentiu-se tão injustiçado, tão decepcionado consigo que começou a sentir lágrimas vindo em seus olhos. Estava tudo acabado…

A queda por fim termina, em um banco de areia macia. Aquiles bate no chão com força e rola o banco de areia abaixo. Em um último esforço levante sua cabeça e vê o exército aliado invadindo a cidade portões adentro e pensa consigo mesmo “O maldito arqueiro que me acertou terá o que merece…” e então tudo escurece.

A guerra segue adiante. O exército aliado destrói facilmente o inimigo. Com a enorme surpresa e facilidade proporcionada pelo plano de Aquiles era vitória garantida. Horas depois a cidade já tomada, está tudo mais calmo. Soldados inimigos sendo executados, alguns presos. O exército agora limpa o campo de batalha, recolhendo os armamentos dos soldados caídos para reparos e os corpos para homenagens póstumas. Quando um dos batedores avista um pouco afastado da batalha o corpo de Aquiles. Faz alarde para os outros e corre até ele.

– É AQUILES! ELE ESTÁ RESPIRANDO AINDA! TRAGAM AJUDA RÁPIDO!

****

Dois dias se passam até que Aquiles desperte. Como tirado de um pesadelo, vai recobrando seus sentindos aos poucos. Reconhece lentamente o lugar onde está. A barraca do general de seu exército. Sente dores pelo corpo todo. Tenta se levantar.

– Devagar Aquiles! Você sofreu ferimentos severos!
– Como…eu…estou…vivo? O que…aconteceu?
– Não sei Aquiles. Um dos batedores lhe encontrou caído longe dos portões. Foi muita sorte ou os deuses resolveram lhe sorrir. Aconteceu o que você havia planejado bravo soldado! Ganhamos a batalha facilmente e tomamos a cidade. Agora é só coletarmos os espólios da guerra!
– Eu…meus homens…os soldados comigo…eles…
– Descanse Aquiles…depois conversaremos…

10 dias se passam e Aquiles já começa a se sentir melhor. O rei deseja vê-lo pessoalmente. Um banquete é feito em sua homenagem e boa parte das pilhagens da cidade lhe são dadas como reconhecimento pelo seu feito heróico. Aquiles permanece sério durante toda a festança. Não sente prazer naquilo. Não está satisfeito. O que ele quer ouro nenhum pode comprar. Decide retornar a Grécia. Sobe no barco quando é chamado pelo general:

– Aquiles! Aonde vai? O rei deseja lhe dar um alto cargo nesta cidade! Finalmente poderá se aposentar e viver como um dono de terras!
– Diga ao rei que dê o cargo para você meu bom amigo. Irei voltar a Grécia. Ainda tenho muito para aprender e muitas guerras para lutar.
– Hahahahahaha! Bravo Aquiles! Enquanto o exército grego contar com você, jamais seremos derrotados! Vá com os deuses nobre amigo! Com os deuses! Hahahahahahahahaha!

Aquiles põe-se a olhar o horizonte enquanto o barco zarpa. Pensativo. Lembra das palavras de seu professor. E pela primeira vez teme que aquele dia chegue…

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04
maio
10

Aquiles – Queda

– Que lugar nojento!

Reclama um dos soldados.

– Hahahahahaha e você esperava o que? Um mar de rosas? No final a bosta de todos nós é tão fedida quanto…
– Tenha dó Aquiles! Isso não é lugar para soldados como nós! Muito menos para você!
– Pfffft…Vocês e suas manias de se acharem especiais…por que? Somos pessoas quaisquer. Não somos especiais. Não importa aonde a guerra for é nosso dever estar lá.
– Aquiles, poupe-nos. Somos seus amigos de longa data. “Dever” é algo para com o qual, você não está muito habituado a concordar.
– Hmpf. Então está. Apenas aguentem o cheiro e me sigam em silêncio.

Aquiles e seu grupo de elite seguem pelos estreitos esgotos subterrâneos da cidade inimiga. Após uns 20 minutos de caminhada pelo putrefato ambiente, acham uma grade para parte interna da cidade. Aquiles cuidadosamente remove a proteção da grade e por fim a mesma. Observa atentamente os arredores e volta para o esgoto.

– Muito bem. É aqui que a brincadeira começa. Estamos bem próximos de um dos acessos a parte alta dos muros, onde provavelmente iremos encontrar o mecanismo para abrir os portões. Se movam em grupos de dois no máximo. Somos seis ao todo. Procurando cobertura e olho vivo! Se os guardas nos virem seremos massacrados. Prontos? Vamos!

Aquiles levanta-se do acesso do esgoto e rapidamente esconde-se atrás de uma pilastra. Nota a presença de dois guardas logo acima do primeiro lance de escadas laterais do muro. Corre rapidamente para o início das escadas, seguido por seu grupo. Um dos guardas, de costas para as escadas, completamente desavisado é assassinado por Aquiles. O seu companheiro escuta um som e ao checar o que é tem o mesmo destino de seu amigo.

O grupo se move como as sombras da noite, sem barulho, sem serem notados. Vão ganhando altura e finalmente atingem os muros. Aquiles sinaliza com a mão direita para que andem agachados. Seria muito fácil arqueiros de outras partes do muro notarem seus movimentos. Após percorrerem boa parte dos muros aproximam-se de seu objetivo.

– Ok soldados. Estamos perto. Vocês dois, cuidem essa entrada enquanto eu ir…

Aquiles mal pôde completar sua frase e três flechas perfuram um dos soldados do seu grupo.

– Mas que?!! Fomos descobertos! Merda! Procurem cobertura!

Quando Aquiles finaliza a frase mais dois de seus soldados são abatidos. Os três sobreviventes correm para uma espécie de torre com dois acessos. Um deles com um corredor aberto até o objetivo deles e o outro para a entrada por onde vieram.

– Droga! Fomos descobertos! Posso ouvir o alarde lá embaixo. Eles enviarão tropas para cá. Porcaria. Teremos de lutar!
– Não! Aquiles corra para as alavancas dos portões! Iremos segurar o exército deles o máximo que pudermos! Nestes corredores estreitos podemos aguentar! Vá!

Aquiles hesita por uns segundos, mas acata a ordem do seu companheiro e amigo.

– Foi uma honra lutar ao seu lado soldados…

Empunha sua espada e seu escudo. Aperta seu capacete e olha para o outro lado do muro, onde fica seu objetivo. Pensa consigo mesmo : São uns 300 metros até a outra torre. Terei de correr e torcer para que as flechas não me acertem. Se eu conseguir abrir o portão posso transformar esse desastre em sucesso.

Tomando fôlego, Aquiles corre. Adquire velocidade do vento. Corre rápido e com o seu escudo protegendo seu corpo. Uma chuva de flechas vem em sua direção.

– Awwwwwwwwwwww! Andem seus idiotas! Tentem me acertar! Hahahahahahahahahaha!

Correndo e gritando, em um misto de desespero e coragem Aquiles alcança a outra torre. Os soldados já o esperavam, mas eram apenas 5. Aquiles pula no meio dos 5 e executa um giro de 180º com seu braço/tronco, cortando um arco a sua frente matando dois dos cinco soldados. Os outros três mal conseguem reagir a velocidade explosiva de Aquiles, jogando o escudo em um deles, Aquiles mata o outro e antes mesmo que o atingido possa se livrar do escudo é morto.

Quando se vira para matar o último Aquiles nota que a mão do soldado trêmula, está coberta com sangue. Sem entender Aquiles olha para sua lateral direita e nota algo. Sangue. O soldado o perfurou com uma adaga enquanto lutava com os outros. Como pôde ser tão descuidado! Agora estava sangrando a um ritmo perigoso. Aquiles mata o último soldado e gira a alavanca destravando os portões. Se arrasta até o lado de fora com uma tocha e sinaliza para seu exército debruçando-se sobre o muro. Sente algo bater em suas costas. Uma flecha acaba de lhe acertar em cheio. Aquiles cambaleia e tomba muro abaixo. Sente sua vida se esvaindo conforme cai…

Continua…

30
abr
10

Aquiles – Audácia

Aquiles retorna a praia, onde a principal parte da luta estava sendo travada. Agora o exército aliado colhia armas/armaduras e separavam os corpos inimigos. Aquiles passa pela quantidade massiva de cadáveres. Enquanto outros soldados limpavam o que havia sobrado daquela carnificina. Aquiles passa com olhos vazios, observando tudo  como se fosse a própria morte. Adentra a cabana de um dos generais do exército.

– Awww Aquiles! Já esperava por você! Soube de sua vitória! Excelente trabalho avisando a formação para evitar a cavalaria inimiga…seu cuidado nos garantiu a vitória! Sente-se gostaria de…
– Sabe de quem pertence esse bracelete? – Interrompe o General, joga o bracelete no chão. Feito de bronze com partes em ouro. Todo ornamentado e cuidadosamente forjado.
– Hmmmmm. Não sei, mas algum mestre ferreiro deve ter feito isso…espere…essas marcas. Se eu não me engano isso pertence a alta elite do exército inimigo. Aonde arranjou isso?!
– Eu matei o dono disso ai.
– Aquiles! Hahahahahahaha, quando irei parar de me supreender com seus feitos? Isso provavelmente irá impactar e muito na moral inimiga! Irei avisar o Rei de seus feitos hoje! Sua presença em campo foi definitiva para a nossa primeira vitória.

Aquiles senta em uma almofada, afrouxa sua armadura e se serve de vinho. Segura a taça com as duas mãos enquanto olha o seu conteúdo. Mal consegue distinguir o vinho do sangue em suas mãos. Um breve silêncio.

– Como estamos agora?
– Ótimos! Derrubamos a primeira resistência. Forçamos o exército inimigo a se retirar e barricar-se na cidade. Agora teremos espaço para colocarmos nossas balistas e tropas pesadas em campo. Estamos com a costa livre para desembarcar tudo o que temos.
– Amanhã?
– Sim, amanhã iremos lançar uma ofensiva total contra os muros da cidade. Precisamos de um plano consistente, os muros são altíssimos e abrigam arqueiros. Um ataque frontal pode ser um erro.
– E se eu invadisse a cidade e abrisse os portões?
– Você está louc…Ah! Você Aquiles…está falando realmente sério?
– Sim. Com um pequeno grupo de soldados, poderia invadir a cidade a noite e abrir os portões. Mataria os guardas silenciosamente. Isso pode ser feito. Eu posso fazer isto. E se eu morrer vocês podem continuar a guerra como planejado, afinal serei eu e mais um pequeno punhado de homens mortos apenas.
– Bem. Falarei com os outros generais. Precisamos manter nossas forças apostos caso você seja bem sucedido. Se isso funcionar Aquiles, me certificarei pessoalmente que viva como um rei depois disso tudo! Hahahahahahaha brinde comigo! Aquiles o Lorde da guerra! Hahahahahahaha!

Aquiles brinda com o general eufórico, mas não partilha de tal euforia. Deixa a barraca do general e segue para a sua caminhando. O chão parece abrir em seus pés. Aquiles começa a pensar no propósito daquilo. Ele se sente tão bem dilacerando inimigos no campo de batalha, mas pelo breve momento que se segue. Quando o frenesi passa, ele começa a pensar. Sente-se vazio e manipulado. Como se sua alma se esvaisse junto com o sangue de seus oponentes…

5 horas depois reúne-se com seus 5 soldados escolhidos para a missão noturna. Prepara seu equipamento. Aquiles escoltara boa parte dos muros laterais horas antes.

– Guerreiros, a missão é simples. Invadiremos a cidade a noite e abriremos os portões frontais para que nosso exército invada. Vamos ganhar essa guerra rápido. Afinal creio que todos aqui queiram voltar para casa, não?
– Senhor! Perdoe-me, mas como iremos escalar muros tão grandes sem sermos notados?
– Bela pergunta. Não iremos. Achei uma passagem de esgoto a mais ou menos 2 quilômetros daqui. Iremos nos sujar um pouco, mas não há beleza na guerra…
– Senhor como devemos proceder?
– Sigam meu comando. Eu irei a frente vocês me seguem logo atrás. Teremos de ser silenciosos e rápidos. Evitem combate! Se os guardas forem alertados, teremos sérios problemas. Não poderemos enfrentar todo o exército inimigo dentro da cidade. Partiremos em 1 hora. Me encontrem aqui, já equipados. Vão!

Os homens deixam a barraca de Aquiles. Ele se senta e confere o plano mentalmente. Um ato de total audácia. Aquiles começa a divagar.

Se isso der certo finalmente conseguirei o que quero. Um homem sozinho praticamente, vencendo a guerra. Hahahahahahaha, duvido que qualquer deus poderia fazer melhor. Afinal nunca vi nenhum deles vencer guerras. Apenas histórias…bah! As chances são pequenas…hora de rolar os dados.

Continua…

29
abr
10

Aquiles – Deus

Guerra! O som de espadas e escudos se chocando! Sangue, morte e destruição! Aquiles e seu pequeno grupo de elite descem do barco e seguem adiante.

– Ao meu passo! Vamos! Levantem seus escudos, formação diamante! Vamos vamos vamos!

Aquiles sente o seu braço do escudo pesar. Diversas flechas acertam seu escudo enquanto ele corre para fora da linha de frente seguido por seu grupo. Seu grupo se separa da linha de frente, fazendo um movimento semi-circular, conseguindo passar por detrás da linha de frente inimiga. Escondem-se atrás de um pequeno monte de areia, dando visão para um grupo de arqueiros inimigos logo a frente.

– Abaixem-se! Muito bem, ao meu sinal, iremos a total velocidade em direção aos arqueiros. A essa distância eles mal conseguirão ter tempo de nos acertar. Segurem seus escudos firmes e se protejam. Prontos?! VAI!

Como um avatar da guerra, Aquiles levanta e corre. Seguido de seu grupo, como um esquadrão da morte. Avançam em direção ao grupo de arqueiros, diminuindo a distância que os separavam em questões de segundos. Aquiles é o primeiro a atingir os arqueiros, um rápido golpe com seu escudo seguido de um corte horizontal na garganta com sua espada. Aquiles acabara de derramar o primeiro sangue. Os arqueiros desnorteados pela presença prematura inimiga se armam com suas facas e espadas, mas não há treinamento que os faça superar Aquiles.

Aquiles como uma enguia, zigue-zaguea pelos arqueiros de forma quase sobre-humana. Sua espada como trovão, corta com facilidade tudo que fica em seu caminho. Seu grupo faz jus ao seu nome, derrubando diversos soldados pelo caminho. Sua falange acabara de atropelar uma formação de aproximadamente 50 arqueiros.

– Ótimo! Excelente trabalho homens! Hahahahahahaha, isso foi mais fácil do que eu imaginava! Se continuar nesse ritmo dificilmente seremos considerados lendas.
– Não se preocupe Senhor! Os músicos tem sua fama de fantasiar as coisas! Eles lhe darão uma mãozinha!

Diz um soldado, fazendo com que boa parte do grupo abra um sorriso. Momento breve. Aquiles faz sinal. Aquilo era apenas o começo. Ele avista de longe um homem montado em um cavalo, com uma armadura toda ornamentada. O homem distoa dos outros soldados.

– Aquele homem deve ser um general ou capitão. Alguma patente alta. Se eu derrubar esse homem poderei desmoralizar logo de início o exército inimigo. Sei que irá arruinar boa parte da diversão, mas…! Ok, ao meu sinal!

Eles correm em direção ao grupo. Dessa vez são notados a uma certa distância.

– Senhor! Um grupo vem vindo em nossa direção! E não são nossos!
– O que?! Impossível! Como?! Deixe-me ver isso…aquela armadura…eu reconheço! É…AQUILES! O que ele está fazendo aqui?! Impossível! Droga, me dê minha lança! Venham comigo!

O oficial do exército inimigo com desespero aparente, não vacila. Se ele recuar poderia estar condenando a todo o resto. Não lhe resta nada além de encarar de frente Aquiles e seu grupo. Com sorte ele iria matar Aquiles com um golpe só e se tornar uma lenda. Os deuses hão de sorrir!

Os cavaleiros correm em direção ao bando de Aquiles com suas lanças empunhadas. O Oficial no meio da formação, mira em Aquiles de longe. A distância entre ambos é cada vez menor, Aquiles completamente focado no oficial e vice-versa. Como se o tempo diminuisse e ambos se encarassem – um olhar de vítima e carrasco. Ambos possuem a determinação e a resiliência de militares, mas apenas um irá se sobressair. Um choque de duas forças, inevitável.

Aquiles angula seu escudo e assim que a lança faz contato com o escudo ele empurra para cima, fazendo com que ela deslize para fora. Logo em seguida corta um dos tendões do cavalo, derrubando-o juntamente com o Oficial. Seu prêmio! O Oficial desnorteado rola pelo chão e levanta-se rapidamente. Empunha sua espada e encara Aquiles.

Aquiles com sua postura completamente relaxada apenas sorri.

– Caiu do cavalo foi? Não aprendeu a usar uma lança ainda?
– Ora seu desgraçado!

O Oficial parte para cima de Aquiles. O golpe vertical é facilmente evitado com um jogo de corpo lateral. O horizontal é defendido pela espada de Aquiles. O Oficial tenta dar uma estocada frontal que é brutalmente defendida. Aquiles acabara de quebrar o pulso do soldado. Aquiles apenas sorri enquanto se aproxima do oficial, agora se arrastando de costas para o chão, tentando prolongar o inevitável…

– O que você é?! Algum tipo de demônio?!
– Não, pior…eu sou um Deus!

Podia-se notar a pavorosa expressão nos olhos do Oficial. Agora morto no chão…

Continua…

28
abr
10

Aquiles – Ascensão

O sol e seu brilho traziam conforto as almas, frias e apreensivas. O velejar do barco, embalava como crianças em um berço gigante. Lá no fundo a praia com suas areias que brilhavam feito ouro, anunciavam o que estava por vir. O céu azul, limpo abria caminho.

Sentia uma calma inebriante. Apesar de estar me dirigindo a morte certa, me sentia confiante. Morrer ou não, tudo que eu quero é a glória! Os estandartes de guerra, subiam firmes no céu! Arranhavam e coloriam aquele céu azul. Tão bela visão. Nosso exército estava a caminho.

– Preparem-se homens! Quero lanceiros logo atrás das defesas! Linha de frente! Usem seus escudos para protegerem seus companheiros logo atrás! Vamos minimizar o máximo possível nossas perdas para que os arqueiros possam fazer o que fazem de melhor!
– Capitão, qual são as chances?
– 3 para 1. Estamos em uma pequena desvantagem. Por isso preciso que a linha de frente segure firme para que os arqueiros tenham espaço para diminuir essa desvantagem!
– Hahahahaha! Só pela minha espada eu irei igualar essa batalha!

E ao dizer isso, os homens no barco ecoaram um som bárbaro de valentia!

– Ora ora Aquiles, como sempre valente! Espero que sua valentia não nos custe a guerra!
– Capitão, não se preocupe. Se eu cair em batalha será uma honra. Você sabe que eu não dou a mínima para o Rei e esse motivo besta. Só irei lutar por estes homens que estão nesse barco e por mim mesmo.
– Ora…se não precisássemos tanto de você Aquiles, garantiria pessoalmente que fosse chicoteado por sua subversão

Apenas com um sorriso ele dá as costas para o capitão e continua a olhar fixo para a praia. Onde tudo que sempre desejou finalmente estaria ao seu alcance. Ser lembrado para todo o tempo como um dos maiores e mais gloriosos guerreiros de toda a história! Canções celebrariam por séculos seus feitos! Conforme pensava isso, mais e mais a idéia de morrer já não fazia diferença. A praia começava a se distinguir de um brilho dourado. As formações inimigas começavam a surgir no horizonte. Seus pensamentos de glória foram subitamente interrompidos. Começou a se focar na formação inimiga e analizar os flancos. Aquiles começara a fazer o que nasceu para – Guerra.

– Capitão se permite uma pergunta deste soldado subversivo. Qual a nossa ordem da linha de frente?
– Poupe-me de seu sarcasmo! Escudos na frente. Lanças atrás. Espaçamento de 2 pés. Por que??
– Mude isso! Avise aos outros navios. Eles tem cavalarias apostos! Precisamos dos lanceiros o mais próximo possível dos escudos!
– O que?! Cavalaria? Diabos!

Aquiles agora de debochado e galante estava sério. Como se a concentração e seu foco na guerra o tornassem outra pessoa. Não queria que erros dos estrategistas do Rei lhe custassem a vitória.

– Soldados! Ouçam-me! Não iremos na linha de frente mais! Quando pisarmos na areia, me sigam! Formação diamante ao meu passo! Entendido?!
– Sim senhor!

O capitão irritado, grita:

– Não irei tolerar que dê ordem ao meu contingente!

Em um movimento rápido Aquiles pega a faca da cintura do capitão e a empunha contra seu pescoço:

– Escute aqui seu idiota! Eu não dou a mínima para sua hierarquia. Esses homens obedecerão o meu comando! Quer ganhar esta guerra? Não irei deixar esses homens desse barco desperdiçarem suas vidas servindo de grosso para a linha de frente! Posso tirar muito mais proveito desse grupo do que você e sua maldita inteligência militar! Entendeu?!

O capitão visivelmente assustado com a reação explosiva de Aquiles pode notar em seus olhos que ele estava sério. Demais. Que não havia sequer uma ínfima fração de hesitação em seus olhos. Acenou com a cabeça em aprovação e ficou em silêncio.

A praia agora estava bem próxima. Poucos metros para o embarque e a descida frenética. Aquiles começa a pensar…

Agora é comigo. Liderarei esse pequeno grupo no buraco da formação deles. É tudo simples. Isso será fácil. Hahahaha imagino como os deuses devem estar orgulhosos de mim ou irritados. Afinal eu tomarei esse título. Após essa guerra eu não serei nada menos que um deus. Aquiles o verdadeiro Deus da Guerra!

Concluindo o resto do pensamento, grita alto olhando para o céu :

– Que seja feita a vontade dos Homens! Que desçam de seus tronos e venham me desafiar!

Pulando do barco com um sorriso no rosto, seguido de seu grupo de soldados Aquiles se embrenha na multidão…

Continua…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.