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28
jul
14

Os polêmicos 10 minutos

Olá internet! Mais uma vez venho aqui, com toda minha irregularidade e indisciplina, escrever sobre algo neste blog. A bola da vez é um comportamento bem comum que percebo nas mídias sociais (especificamente facebook) que ocorre com bastante frequência.

Já vi o fenômeno em questão ser chamado de “Geração só da cabecinha”, pois boa parte dos jovens usuários de mídias sociais não lêem o conteúdo inteiro das matérias e artigos postados em suas timelines – lêem apenas o título – julgando ser o suficiente para formular uma opinião. Isso já aconteceu comigo. Fiz um post um tempo atrás, com o título “Ditadura gay” e ao compartilhar em meu facebook, algumas pessoas me criticaram, achando que eu era homofóbico. Bem, se elas tivessem se dado ao trabalho de abrir o link e ler o texto, veriam que eu tecia críticas a então nova onda de que com os direitos homoafetivos conquistados, estaríamos caminhando para uma ditadura gay.

O fenômeno que percebi, extremamente relacionado ao primeiro é o da polêmica temporária dos assuntos. Ultimamente com o confronto Israel x Palestina e o projeto de lei de regulamentação da publicidade infantil, óbvio, que todos querem dar sua opinião. Aquela vontade que temos de que os outros saibam o que pensamos – motivo deste blog por exemplo, além de supostamente, promover alguns debates e arquivamento de informações.

É quando as coisas começam. Vamos pegar a questão Israel x Palestina. Os conflitos já existem a décadas e são permeados por motivos religiosos, econômicos, sociais e culturais. Extremamente complexo. Na minha opinião, ao nos aproximar de algo desconhecido, devemos exercer um mínimo de cautela. Não nas mídias sociais, que funcionam como um bate papo no bar, algo informal, aonde as pessoas se portam como verdadeiros experts dos mais variados assuntos. Aquele seu amigo que mal falava sobre filosofia, pois achava essas coisas chatas e muito viagem? Em menos de 10 minutos é o mais novo expert e referência no assunto Israel e Palestina. Baseado nos links que ele copiou e colou da globo news e de um site aleatório pró palestina é tudo muito claro – “Israel é covarde e está compactuando com as elites brancas brasileiras (judias) para perpetuar a ditadura venezuelana que o PT quer implementar no Brasil e em Israel.”

Jesus, Maria e José. Puta que pariu.

Ao tentar argumentar com este “amigo” o post dura. Réplica, tréplica. Chuva de links, textos, artigos. Você realmente acha que pode engajar num debate bacana. Até que você percebe que o assunto já ficou chato, e você por insistir em querer debatê-lo, mais chato ainda. A polêmica acabou, já enjôou. Minha opinião sobre Israel é essa e ponto. Já se passaram 10 minutos. Esse assunto já deu o que tinha que dar, hora de procurar o próximo buzz, trend. É como se fosse um fast food de polêmicas. Eu acho uma polêmica, devoro ela em 10 minutos, não faço a digestão e já estou com fome de outra. Vou olhar o menu (minha timeline) para procurar a próxima.

Ultimamente estou pesquisando bastante sobre a questão da publicidade infantil e sua regulamentação. Confesso que fiquei metade do meu domingo pesquisando e vendo documentários a respeito do assunto e ainda assim não tenho uma opinião fechada e definitiva do assunto. É algo complexo, importante e que necessita do mínimo de entendimento. Acho impressionante a capacidade das pessoas de fecharem opiniões absolutas em 10 minutos com apenas UMA fonte de informação a respeito do assunto.

Me parece que as coisas perdem a graça rápido. 10 minutos e aquela polêmica toda já não me instiga mais a procurar a informação e um entendimento melhor de tudo aquilo ali exposto. Tem que ser rápido. Afinal, quem tem tempo hoje em dia não é mesmo? Estamos todos sempre muito ocupados e atarefados. Com nossos celulares nas mãos seja andando na rua ou dirigindo. Todos em busca de uma polêmica para os próximos 10 minutos.

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22
maio
14

Mudanças permanentes

Olá internet! Mais uma vez tirando o pó deste meu esquecido blog.

Aos pouquíssimos que me acompanham, sabem que tive uma experiência extraordinária, que foi morar em Nova Iorque por 1 ano, participando do programa Ciência sem Fronteiras. Estou no Brasil desde agosto de 2013. Já já fará um ano que eu voltei e somente agora percebi que muitas coisas mudaram – permanentemente.

Eu mudei como profissional e designer. A mudança mais aparente e a que haveria de se esperar. Fui exposto a tantas coisas novas e a um ambiente REALMENTE acadêmico (não é o que eu encontro por aqui na minha área) que não poderia ser diferente – Aprendi muito nesse 1 ano. Conheci professores e colegas de profissão que marcaram profundamente minha forma de aprender e conhecimento. Claro – ainda fiz uns amigos no processo. 

Essa mudança foi ótima. Não quero parar. Quero investigar e continuar mais e mais neste processo e ritmo de aprendizado. Tudo bem que lá fora era muito fácil aprender várias coisas novas todo dia. Bastava ir para a faculdade e mesmo que com intuito de vadiar, era sempre um aprendizado. O laboratório vivia cheio de alunos brilhantes e projetos malucos. Era um aprendizado por osmose. Aqui não é tão fácil, especialmente se tratando da minha universidade, mas tenho mantido meu ritmo de estudos e aprimoramento com o que eu tenho.

Acho que isso acaba até gerando uma capacidade de nos virarmos como podemos aqui no Brasil. Não temos as coisas muito fáceis e trezentos professores doutores ali pertinho ao alcance de uma conversa pós aula. O ambiente faz um bocado de diferença em todo o processo. Especialmente se tratando de um ambiente acadêmico.

Segunda mudança é a menos perceptível. Aquela que poucos notam e poucos sabem. A pessoal, subjetiva.

Voltar e achar que tudo e todos continuam a mesmice de sempre. Uma analogia nerd da porra que curto fazer é baseada na morada do templo lá de Dragonball Z. Lembram aquela sala lá no templo de Kami-Sama (acho que escreve assim) aonde 24 horas da terra equivalem a 1 ano inteiro lá dentro? Pois então me sinto exatamente assim. 1 ano em Nova Iorque pareceram 24 horas para as pessoas e as coisas em geral aqui no Brasil.

Andei lendo sobre isso e vi várias pessoas que tem sensação semelhante, especialmente com os amigos. Aqueles super amigos que no final acabam se tornando “aquela pessoa que eu falo quando esbarro na rua” por simples afastamento natural.

Eu sei que as coisas mudaram e as pessoas também. Nada fica estático por 1 ano, inerte. Problema é aguçar minha percepção para driblar isso. Pensei que estivesse enlouquecendo, mas vejo que é algo meio que natural e nada especial. Maioria dos depoimentos de pessoas que passaram por experiência semelhante reportaram a mesma coisa. As pessoas a sua volta pareciam entediantes e paradas no tempo, o que no final levou-as a procurar novas amizades e pessoas mais alinhadas com suas recem-adquiridas perspectivas devido a experiência vivida.

Planos para o futuro, obviamente, envolvem sair do país sim. Claro, em parte por insatisfações diversas, não irei negar, mas em peso maior pelo simples fato de saber que existe um mundo gigante lá fora e tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo!

Não dá para ficar se imaginando parado sendo uma manchinha no mapa. Vive-se apenas uma vez. =)

04
abr
14

Startup Weekend Favela 2014

Olá internet! Agora que arranjei uns minutos para respirar e por tudo em perspectiva, irei dividir um breve post a respeito da Startup Weekend realizada no morro da Providência este ano. A primeira vez que este evento acontece em uma comunidade do Rio de Janeiro misturando o universo do empreendedorismo e inovação com o rico ambiente cultural e humano que é a comunidade da Providência.

O evento em si dispensa apresentações, o Startup Weekend já acontece pelo mundo todo fazem uns bons anos. O evento basicamente é uma grande JAM, aonde times devem criar uma startup/negócio em aproximadamente 54 horas. Alguns participantes logo no início fazem um pitch (apresentar uma idéia em 60 segundos) e uma votação ocorre. Ao final, as 9 idéias mais votadas são levadas adiante. Os grupos se formam de maneira espontânea, você corre atrás da idéia que quer trabalhar e os trabalhos começam nos dois dias que seguem.

No final 9 idéias foram escolhidas sobre temas diversos: lixo nas comunidades, cultura, geração de renda e um projeto que me chamou a atenção – criado pelo Hudson, um rapaz de 19 anos que mora na comunidade do Borel – A inserção dos e-sports (jogos digitais como esportes) nas comunidades. Sabe aquela história de termos escolinha de futebol nas favelas? Que tal uma escolinha de League of Legends, Battlefield, Crossfire, Starcraft, Dota, etc? Gerar inclusão digital e levar essa cultura gamer para as comunidades.

Achei a idéia fantástica, pois também sou um gamer e já estudei muito a respeito do processo de criação de jogos, mas acima disso acredito que jogos são uma mídia fantástica. Possuem um potencial enorme tanto para o entretenimento, quanto para o lado educativo. Acreditem se quiser – aprendi inglês graças a Diablo II, o que me permitiu mais tarde, passar no TOEFL e conseguir uma bolsa de estudo. Comigo foi um processo não guiado e sem pensar. Não jogava Diablo II com o intuito de aprender inglês, precisava aprender pois a economia do jogo era baseado em trocas. Como iria barganhar se não sabia me comunicar? Então era dicionário português-inglês na mão e muita tentativa e erro.

Agora a idéia é – como transformar isto num método afim de explorar este potencial nos jogos, de maneira eficaz? Usar jogos que não possuem finalidades pedagógicas como uma ferramenta extra aos entediantes livros e quadros negros das salas de aula. A idéia do Hudson era apenas fomentar a cultura gamer profissional nas comunidas, mas logo logo ao batermos um papo vimos que o projeto poderia se desdobrar muito além daquilo.

A grande Jam então começou. Nosso grupo era diverso, eu como designer, moradores de outras comunidades (conhecimento tácito e local), empreendedores, desenvolvedores, etc. Começamos a etapa da modelagem de negócios com o Canvas. Pensar estratégias, segmentos de clientes, geração de renda, etc. A mentoria foi excelente, nos ajudando muito. Uma das mentoras, a Lindália, Diretora de Inovação da Estácio, nos colocou em contato direto com o ex-presidente da Intel para batermos um rápido papo a respeito do mercado dos jogadores profissionais. Foi sensacional.

Assim nascia a Incoming Brasil Games – a primeira startup focada na profissionalização de gamers nas comunidades do Rio de Janeiro. O evento seguiu. No último dia um campeonato piloto foi realizado em uma lan house local. Validando a idéia/formato de campeonatos. O primeiro lugar ganhou uma bolsa de estudos em um curso profissionalizante, de um dos patrocinadores que estavam no evento. Descobrimos através dos próprios gamers da comunidade, que o mercado é enorme e a procura por esse tipo de fomento também.

A Incoming Brasil Games ficou em segundo lugar, mas foi como se tivéssemos ficado em primeiro. A comoção do pessoal, a chuva de parcerias/pessoas interessadas no projeto e no próprio Hudson (criador da idéia) foram imensas. Aos mais descrentes no início (jogos são coisa de desocupados) foi um belo aprendizado – jogos são uma mídia única e fazem o que um livro, filme, música – dê o nome – não conseguem. Não no sentido de serem superiores, mas no sentido de possuirem elementos muito mais abrangentes e com potenciais que nem mesmo a indústria dominou ainda.

Minha lição? Aprendi que existem empreendedores incríveis nas comunidades e que idade não faz a menor diferença (o primeiro lugar foi um senhor de 70 anos, com uma plataforma de saúde). Percebi que é necessário a criação de ambientes como a startup weekend, mas de maneira sistemática. Existir um espaço nas comunidades permanentes para isso, aonde outros “Hudsons” possam tirar suas idéias do papel e ao mesmo tempo impactarem suas vidas e de outras pessoas positivamente.

Em resumo – troca de experiências, networking, idéias inovadoras e um espaço altamente produtivo. Essas são minhas palavras chaves para o Startup Weekend Favela.

 

20
mar
14

Funcionarismo Público – Banco do Brasil

Durante essa semana, resolvi acompanhar minha mãe a uma agência do Banco do Brasil. Ela precisava resolver um problema com uma conta antiga. A agência em questão foi a da Moreira César com Presidente Backer. (Niterói/Icaraí).

A agência estava vazia e logo logo minha mãe foi atendida. Fiquei sentado esperando enquanto observava a péssima sinalização/layout que a agência possuia. Especialmente a tela de aviso do número da senha em questão. Era um monitor menor que o do meu laptop (15 polegadas) e apenas metade das cadeiras possuia visibilidade para o mesmo – ou seja – se eu me sentar fora do alcance do monitor terei de ficar atento aos funcionários gritando os números, em caso de agência cheia.

Fiquei matutando maneiras de melhorar aquele espaço, como re-organização das cadeiras e mesas de atendimento assim como uma melhor sinalização para as pessoas ali. Especialmente idosos que tem dificuldade de enxergar/ouvir direito (sem contar no balcão do caixa para cadeirantes que possui a MESMA altura que o balcão para pessoas não-cadeirantes), mas não foi isso que mais me chamou a atenção.

Após uns 10 minutos esperando o atendimento de minha mãe terminar, eis que surge uma senhora, beirando seus 80 anos. Tinha um papel na mão e parecia bem perdida. Como não havia ninguém na espera e uns 4 funcionários ociosos, ela se dirigiu até um deles, que estava no celular faziam uns 10-15 minutos falando algo sobre churrascos e dando risada. Não dava para ouvir muito bem de onde eu estava sentado.

A senhora se dirigiu a ele, que fez sinal com a mão para ela esperar. Ele continuou no celular rindo e papeando por mais uns 5 minutos. Quando decidiu finalmente atender a senhora, simplesmente dizia que não podia fazer nada e que ela se dirigisse direto ao caixa (atendimento). 10 minutos depois a senhora voltou dizendo que a caixa mandou ela pegar uma senha e falar com eles, pois no caixa ela não poderia resolver o problema dela. No caso dessa agência, as senhas ficam ANTES de se passar pela porta de detector de metais – ou seja, se quiser um novo atendimento/serviço tem que sair da agência, pegar a senha lá fora e voltar. Nunca vi algo tão idiota feito esse. Parece ser um padrão que o Banco do Brasil repete (já vi mais de uma agência assim).

A pobre senhora já parecia nervosa, dizia que ninguém informava ela direito. O funcionário pediu para ela sentar e a atendeu. Ele resolveu o problema dela em 5 minutos. CINCO MINUTOS. Eu observei tudo e fiquei embasbacado – se ele não podia fazer nada no início, por que diabos conseguiu depois resolver o problema dela em 5 minutos? Fiquei realmente sem entender.

A senhora levou quase uns 20-25 minutos para finalmente resolverem o problema dela em 5 minutos. Sendo que 70-80% desse tempo foi descobrindo o que ela deveria fazer/com quem falar/aonde ir, e o resto de fato resolvendo o problema em si. Observando essa pequena interação de um simples atendimento, em um dia de agência vazia, pude perceber que existem pequenos problemas que contribuem para a má fama e longas esperas dentro de um banco. Fico imaginando uma situação com 4-5 senhoras feito essas num dia de agência cheia.

Existem oportunidades imensas para se aprimorar um serviço tão simples feito esse. Sinceramente poderia imaginar diversas maneiras de se abordar um Re-design da experiência do atendimento em um serviço público feito o Banco do Brasil. Não apenas treinando os funcionários (sinceramente, passar numa prova não deveria ser o suficiente para certos cargos, especialmente quando se trata de lidar com o cliente diretamente), mas no sistema da agência em si – desde a sinalização/layout e estrutura de atendimento.

Challenge accepted. =)

13
mar
14

Idéias – Transformar

Estava dia desses assistindo no GNT um programa aleatório a respeito da “Food revolution” que o Jamie Oliver, um chef britânico, tentava implementar na América do Norte, mas especificamente no estado da West Virginia.

Ele queria levantar apoio/fundos para ajudar na realização de seu programa, que não somente incluia comidas mais saudáveis nas escolas Norte Americanas, mas também um belíssimo programa de treinamento profissional com os estudantes, ensinando eles a cozinhar.

O britânico então resolveu dar um jantar para 80 pessoas, incluindo senadores, jornalistas e formadores de opiniões. Até ai parecia algo normal. A grande sacada de Oliver foi apostar numa idéia – colocar os próprios adolescentes de uma escola do ensino médio Norte Americano “to do the cooking”. Alguns deles nem sequer haviam colocado a mão em uma colher de pau. Um deles disse que havia cozinhado 4 vezes a vida toda. Após a refeição, todos teciam elogios a Oliver, que ao final revelou a charada. Os alunos eram os cozinheiros esse tempo todo. Esse impacto permitiu que os adolescentes falassem e fossem ouvidos. Não era mais o criador do projeto e principal interessado que ele fosse implementado que estava falando – eram os futuros participantes agora. Era o “público alvo” ali. Era um belo momento de feedback e co-criação acontecendo.

Fiquei muito intrigado com esse episódio. Vi que um cara, com sua expertise que é cozinhar, podia usar isso para mudar realidades e criar impacto. É tão óbvio para nós criarmos uma relação de importância com certas profissões e achar que outras são menos importantes. Médicos quase tem escrito na testa “Salvadores de vida”, mas um chef de cozinha não. Você ao olhar um Designer em frente ao seu computador consegue imaginar ele salvando vidas através do que ele faz? Da sua expertise como designer?

Esse tipo de conexão é quase inexistente. Curioso ficarmos tão restritos a visões superficiais a respeito de certas profissões que não percebemos o quão fantástica são as possibilidades. Jamie Oliver nos mostrou claramente como ele pode usar sua expertise de chef de cozinha, para salvar e mudar milhares de vidas de jovens no ensino médio. Projetos como o Estaleiro Liberdade, Escola Quiron, Dream:in e o Design Possível, mostram que Designers/Empreendedores já estão mudando realidades. Alguns deles salvando vidas. Empresas como a IDEO vão a locais mais extremos do mundo afim de solucionar problemas ou facilitar a vida de comunidades carentes através do Design e seus inúmeros métodos.

Proponho aqui uma reflexão – Vamos parar de achar que apenas médicos e engenheiros são capazes de resolver os problemas complexos que temos. Achar que eles são os únicos capazes de gerar inovação ou salvar vidas. Que tal olharmos para profissionais extremos e pensar em como eles podem contribuir com algum impacto social. Imaginem o que um jogador de futebol pode fazer? O que um tatuador famoso poderia fazer?

Extrapole e especule.

19
jan
14

Era 2013…ou 2014? Não consigo lembrar. Tudo parece ter acontecido há uns bons anos atrás. Sabe…a nossa percepção cronológica, nosso relógio biológico completamente fodido. Dentro da cela da cadeia, super lotada, mal consigo organizar meus pensamentos. Não sei há quanto tempo estou aqui dentro, tampouco espere qualquer precisão histórica da crônica dos fatos que irei expor aqui. Eu só lembro da enorme mancha vermelha no chão e um corpo desfigurado – havíamos feito aquilo que nosso coletivo gritava silenciosamente – fizemos um governador sangrar.

Tudo começou com um repentino movimento popular. Eu não lembro bem, foi como um torpor, parecíamos uma colméia de abelhas sendo apedrejada, quanto mais nos acertavam, mais difícil era de discernir o zumbido coletivo da realidade. As passeatas se davam de maneira “pacífica”, você sabe, aqueles bando de frouxos aos berros “Sem violência!” enquanto a Polícia Militar descarregava spray de pimenta e bala de borracha na gente. No início, um morreu dias depois, intoxicado pelo gás e outros sofreram sequelas permanentes devido a truculência policial. “Sem violência” os babacas continuavam a gritar.

Lembro que foi num dia…puta que pariu, não lembro o mês nem nada…já disse, não quer acreditar não acredite, aconselho pesquisar e ligar o aqui narrado com o registrado e verá que não estou inventando. Lembro, estávamos no centro da cidade, gritando palavras de ordem, algumas idiotas, outras genéricas e a mesma merda de sempre “Sem violência, blá blá…” quando o de sempre, uma senhora foi brutalmente atacada por um PM. O PM pulou ferozmente na idosa e com um teaser a eletrocutava sem parar. As pessoas em volta gritando “PARA COM ISSO! ELA VAI MORRER!” enquanto outros pms empurravam e protegiam o covarde colega, que estava cozinhando a velha viva. Foi quando o primeiro passo em direção alguma coisa concreta aconteceu. Foi rápido e silencioso. Foi do nada…como os gringos gostam de falar? “Out of the blue” um cidadão com um .38. chegou calmamente em direção ao policial que defendia o colega covarde e descarregou o revólver na cara dele. 6 tiros acho. Todos no rosto. Aquele capacetinho ridículo da tropa de choque não serviu de nada…apenas para manter os miolos dele contidos num lugar só.

Eu lembro. Todos pararam. Todos. Os outros PMs se viraram e os 8 segundos que levaram para imobilizar o autor dos disparos e quebrar seu pescoço pareceu uma eternidade. O barulho, a cadência dos tiros. Lembro perfeitamente. Aquilo ali foi o Iceberg mostrando mais do que sua ponta. Depois descobriram e postaram na internet na época, esse rapaz era parente do que havia sido assassinado por intoxicação de gás de pimenta. Ele executou o policial que usou o spray de pimenta em demasia. Era uma vendetta particular, justiça mais primitiva possível sendo servida. Ele cumpriu o papel de nosso estado não-democrático. De vítima passou a ser algoz. Descarregou um revólver na cara do policial que havia matado seu pai dias antes.

Isso foi pro mundo inteiro. O governador fez aquilo que sabia fazer – liberou o uso de armamentos letais para conter as passeatas. Se antes reclavam do gás de pimenta e das balas de borracha, agora não iam sequer ter essa chance. Iam morrer no meio da rua. “Vândalos” a emissora repetia. Reforçava sempre que éramos todos vândalos e bandidos, assassinos de um policial honesto pai de 1 filho. Éramos aquilo que queriam que nós fôssemos. Os párias. Então resolvemos dar a eles o que eles tanto queriam – uma guerra civil.

Não me pergunte nomes, quem começou, da onde as armas vieram ou quem organizou tudo. Sei que tinha uma página na rede social e um cara com grana. Nunca quis saber. Apenas aceitei o fuzil e marchei junto com mais de 3 milhões de pessoas. Lembra do Egito na época? Cidadãos trocando chumbo com o exército? Foi isso mesmo. Uma guerra civil. “Sem violência” já sequer era lembrado. Estávamos além daquele momento. Precisamos de apenas 1 abelha para deixar a colméia insana. Aquele .38, aqueles disparos. Aquele momento mudou tudo. Marchamos em direção ao gabinete do governador. Marchamos. Morremos, matamos. Foi uma verdadeira chacina, mas não havia o que ser feito. No final víamos os próprios policias (os que não se uniram ao movimento) correr – não existe nada que supere auto preservação. Nem ordens de um governador demente do alto de seu gabinete ou helicóptero.

O prefeito foi esperto. Pediu escolta e deixou a cidade 1 semana antes, mas o governador…não. Ele era poderoso. Dizia na televisão que não tinha medo de nada e ninguém. Que iria responder a altura de qualquer manifestação de vândalos. Que era a oposição querendo derrubá-lo, uma espécie de perseguição política e que ele não iria arredar o pé dali. Foi a melhor coisa que ele podia dizer em rede pública.

Marchamos e invadimos. Eu estava lá. Quando invadimos a sala dele. Ele aos prantos implorando por sua vida. Chorava e dizia que não podíamos fazer aquilo. Os momentos seguintes foram apenas sons de osso quebrando. Estava acabado. Silêncio. Havíamos assassinado o governador. A notícia se espalhou rápido e em pouco tempo o governo federal mandou exércitos e mais exércitos para conter a situação. Não tinha mais motivo para lutar. Todos se entregaram. Havia acabado…

21
dez
13

2013

Olá a todos. Sei que o blog tá cheio de poeira assim como meu tumblr, que começou numa época péssima (durante projeto final). 2013 acabou e tenho algumas palavras a dizer sobre. Colocar perspectiva, sabe. Poder parar este momento que estou agora e gerar uma espécie de “Ei, lembra o que foi 2013?” pois então. Serei breve, resumido, pois quero que as pessoas leiam.

Sei que é um porre pegar aqueles posts que você fica dando scroll down e eles não acabam nunca. Não irei postar uma parede de texto, fiquem tranquilos (aos pouquíssimos leitores que ainda esbarram neste blog).

Parsons e Nova Iorque.

Apesar de ter começado em 2012, meu ano em Nova Iorque foi 2013. Foi quando descobri aulas de mestrado, uma nova visão completamente inédia a respeito do Design e a China através do projeto DREAM:IN. Agora sei o que quero trabalhar e aprender mais. Não achei uma vocação ainda, mas sinto que estou muito mais em sintonia com o que realmente quero do que antes. Via meu futuro fazendo posters e logos o resto da vida no passado e queria dar um tiro na cabeça por isso. Graças a pessoas e a experiências dessa bolsa de estudos, pude ver a amplitude que ser treinado para ser um designer nos permite ter. Meu sonho? Causar um impacto positivo a nível nacional (ou fora do Brasil) no sistema de educação que temos. Como? Usando as ferramentas/corpo teórico que o Design nos proporciona. Quero trabalhar com educação e quem sabe – virar professor universitário. =)

Beijing Shanghai e Hong-Kong

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China. Fui parar lá através do Dream:in. Conheci as 3 cidades mencionadas e assumo que fiquei encantado com a comida e com a semelhança que temos com eles. Nos centros urbanos tem-se todas as mazelas e belezas. China possui belíssimas paisagens, assim como nós e um trânsito problemático e caótico. Moradores de rua também. Acho que é a tal globalização. Não tive choque cultural, tampouco senti “nossa, eles são totalmente diferentes de nós”. Claro, tem nuances e sutilezas que não pude perceber, mas a cultura ocidental está fortemente presente, especialmente em Shanghai. Lojas, Posters, produtos, propagandas. Tudo. Um KFC e McDonald a cada esquina de Beijing. Talvez indo para o interior possamos perceber uma China mais exuberante e distinta, experiência que não tive acesso. Trabalhar no DREAM:IN e poder conhecer um pedacinho dessas 3 cidades foi uma experiência ímpar.

Dormitório, rotina e amigos

Viver por conta própria, administrar contas, comida, compra de mês e limpar o banheiro. Tarefas recorrentes em viver no dormitório. Como era bom. Foi a melhor parte de ter ficado um ano em Nova Iorque. Mesmo. A rotina, os amigos que moravam no mesmo andar e constantemente faziam visitas (sempre queriam minha farofa e meu feijão) e os papos. Os projetos e os planos para o futuro. Pergunta que sempre nos fazíamos – Como será voltar pro Brasil? – e sempre imaginávamos um cenário deprimento e assustador. Nova Iorque era uma cidade maravilhosa (diferente do Rio) não existia trânsito (só usava metrô) e eu podia vagar por Manhattan de madrugada quando tinha minhas crises de insônia. Essa rotina faz uma falta danada.

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2013 pós Nova Iorque e o futuro

Voltei, fiz meu TCC e continuei com a faculdade. Não tenho muito o que dizer academicamente. Minha faculdade não me anima e não tenho mais vontade de ir para lá. Irei terminar por obrigação e por me faltar apenas um período. Consegui um estágio bacana aonde estou em contato com pessoas sensacionais tanto em curriculo, quanto em experiência e valores humanos. Estou a pouco mais de um mês e já estou envolvido em diversos projetos. Voltei e mantenho contato com alguns amigos que fiz por lá em Nova Iorque e estou tecendo um projeto aonde irei trabalhar com estudantes de ensino médio público. 2014 tem potencial. Muito. Planos não faltam e oportunidades irão surgir.

Apesar da nostalgia, sinto que Nova Iorque foi mais um “Até logo” do que um “Adeus”.

=)

 

 




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.