Arquivo para outubro \19\UTC 2014

19
out
14

9 anos e o Design 3.0

Olá internet.

Dia 18 de outubro foi o aniversário de 9 anos da empresa que trabalho. Uma enorme comemoração aconteceu após o expediente. Dança, música, performances e muita comida boa. Uma celebração pra ninguém por defeito e a chance de uma conversa muito bacana a respeito de design, indústria, India e Brasil.

Estou fazendo parte de um projeto para redefinir o branding de uma empresa de Taxi. O projeto começou 2 dias após minha chegada e está completando um mês. Durante este 1 mês nosso trabalho foi mergulhar na pesquisa, mapear o serviço e nos colocar nos “sapatos” dos usuários. Testamos vários serviços de taxi na India, gravamos entrevistas e levantamos uma grande quantidade de informações. O passo seguinte (e o mais divertido) compilar e extrair insights de tudo capturado. Entender relações e a partir disto explorar oportunidades que finalmente irão gerar idéias de serviços e o reposicionamento do branding da empresa.

Fiquei encarregado da etapa de mapear e sintetizar a experiência do usuário. O fiz, revisei, mergulhei nas entrevistas, nos post-its e foi uma semana bem intensa compilar tudo. Mostrei para um dos chefes, responsável pelo lado de “Business Strategy” da empresa e ao terminar de ver o que eu havia levantado ele usou apenas uma palavra “Superficial.”

Fiquei curioso e um pouco decepcionado, afinal achei que tinha feito um bom trabalho e ouvi atentamente sua crítica. No final eu conclui sem titubear: ele tinha toda razão. Minha análise estava racional e embasada apenas nos dados, mas não tinha intuição ou “gut feeling”. Não tinha um olhar humano ali. Não havia empatia. Não era design.

Um dos insights mais pertinentes que eu não havia notado era como se davam as relações nos serviços de taxi. Os principais serviços usam aplicativos, telefone ou web para chamar um táxi. Todos utilizavam tecnologia para estabelecer as relações com os clientes e com isto causando uma mudança fundamental – As relações viravam transações.

Não havia muito mais do “calor humano” ou uma relação de fato sendo estabelecida entre os usuários e os serviços de táxi. A necessidade de expansão em larga escala tornou a tecnologia algo indispensável. Sem ela não seria possível atendermos a demanda, mas ao mesmo tempo nos levou para a impessoalidade e a “mecanicidade” dos atos. Seguimos passos estabelecidos pelo sistema para conseguirmos marcar um táxi e toda nossa comunicação com as empresas é feita através de um aplicativo. O Uber sendo o caso mais extremo aonde nenhum contato com o motorista é necessário. Nem para pagar a corrida. Chegou no seu local de destino? Abra a porta e saia, a conta é debitada no seu cartão de crédito, tornando o motorista (um ser humano) num serviço – um agente invisível – que você mal percebe que está lá. Poderia ser facilmente substituído por um robô piloto (assim que a tecnologia se tornar viável/disponível) e não faria muita diferença.

Seres humanos estão sempre em busca de experiências. Relações. Conexões. Percebi que meu papel como designer era olhar para estas relações não mensuráveis de maneira crítica. Entender como elas se estabelecem e através de nossas “soluções propostas ao cliente” criarmos um ambiente para que elas ocorram naturalmente. Como tirar uma pedrinha de um caminho que bloqueava a água de escorrer pelo córrego.

Tecnologia não é vilã, tão pouco “má”. Não acredito em estabelecer juízos de valores binários (positivo/negativo), mas em compreender como as relações se dão e usá-las para fortalecermos o aspecto humano em nossos relacionamentos. Sejam como pessoas ou com business, tirando proveito do que a tecnologia pode nos oferecer.

Menos transações e mais relações. Criar relações centradas no usuário.

Isso para mim é o papel mais importante de um designer. É nisso que acredito e nem me preocupo em buscar dados e comprovações científicas sobre – para tal, meu “gut feeling” basta. =)

02
out
14

Do Design e o aprendizado

17 dias se passaram desde que cheguei. Daqui a 59 dias estarei de volta ao Brasil.

Como alguns poucos sabem sou designer gráfico de formação, mas me afastei dessa área desde que pus os pés na Parsons em 2012. Para ser sincero o design mais tradicional (por tradicional entenda-se o que domina o mercado em termos de demandas, como gráfico, produto e web) era o que eu pretendia trabalhar, quando entrei no curso de Desenho Industrial, Projeto de Programação Visual em 2009. Lembro que gostava de trabalhar com criação de identidades visuais e todo o processo de geração de um manual de ID e suas aplicações, regras, tipografias, paletas de cores e etc. Achava isso um máximo. O top.

Graças a Dilma, 2012 fui para Parsons aonde conheci design thinking e todo o cenário de Designers que não “faziam design” na minha cabeça. Como aquele cara ali é considerado um bom designer se ele nem sequer sabe mexer no photoshop? E o cara tinha idéias geniais, conectava pontos, pessoas e criava ecosistemas inteiros. Bolava diagramas e fluxogramas explicando toda a informação e como as coisas se encaixavam. Se eu pedisse para ele fazer um cartaz ou um logo ele diria “Não faço a menor idéia de como fazer isso.” E isso era perfeitamente ok.

Passado o estranhamento, o que era incomum passou a ser o comum para mim. Havia descoberto a quantidade de coisas que um designer é capacitado durante os seus 4 anos de faculdade e quão pouco aprendemos a utilizar isso de maneira menos centrada nas ferramentas e mais focada no conhecimento em si. Nos métodos. Nas capacidades.

Havia descoberto o que eu queria estudar e ser, enquanto Designer. Era (e ainda são) muitas informações novas e desconexas, que aos poucos vou conectando.

Estou trabalhando na IDIOM fazem uns 17 dias. Trabalhando como Designer. Em 17 dias se eu fiquei mais do que 4 horas em um programa da Adobe foi muito. Estou finalmente vendo na prática o que um “Design Manager” faz, como atua, suas ferramentas e seu escopo. Não poderia estar mais feliz em ter descoberto e finalmente poder praticar isso.

IDIOM é uma Design DRIVEN Consultancy. Significa que todo o processo de um projeto utiliza métodos de Design. Desde uma reunião com clientes (que sempre acabam sendo mini workshops com post-its e white-boards cheios no final) até na hora de entregar o projeto. Ao perguntar a um designer se eles tinham profissionais de marketing na equipe ele respondeu “Pra que? O design possui todas as ferramentas que precisamos para executar nossos projetos e a filosofia da empresa é ser Design driven. Não oferecemos pesquisas nem serviços de marketing. Nossa pesquisa é qualitativa e baseada em etnografia/sociologia. Design Research, user centered não Market Centered. Normalmente o que os clientes fazem, se acharem necessários é procurar esse serviço por fora.” É uma visão distinta de mercado. O mercado são as pessoas, os consumidores com suas individualidades e desejos. Identificá-los é papel comum ao Design/Marketing, mas a forma como isso é feita por cada área que é completamente diferente.

Existem vários profissionais de outras áreas como ilustradores, arquitetos, marceneiros, etc. Todos debaixo de um mesmo teto, cada um com sua expertise, mas todos conectados por um método e uma visão de se executar projetos. Aqui na IDIOM por exemplo, não existe Identidade Visual desatrelada ao usuário e sua experiência. Branding. Não existe fazer um logo, deixar o cliente feliz e cabou-se o projeto. Não existe o óbvio e todo projeto tem espaço para Design Research e oportunidades para se descobrir algo novo.

Nestes 17 dias que estou aqui, estou participando de dois projetos grandes. Já fiz pesquisa/entrevista de campo, participei no desenvolvimento de frameworks, workshops, personas, jornadas de usuários e estou aprendendo a como me centrar nos vários stakeholders envolvidos nos projetos afim de planejar os próximos passos. Como extrair insights e usar e abusar do nosso gut feeling para gerar novas idéias e consequentemente inovação/valor para todos os envolvidos nos projetos. A idéia por detrás da intuição/sensibilidade/experiência/knowledge brokering de um designer do que apenas se basear em números e tabelas.

Essa está sendo minha experiência so far. =)




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.