Arquivo de janeiro \19\UTC 2014

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Era 2013…ou 2014? Não consigo lembrar. Tudo parece ter acontecido há uns bons anos atrás. Sabe…a nossa percepção cronológica, nosso relógio biológico completamente fodido. Dentro da cela da cadeia, super lotada, mal consigo organizar meus pensamentos. Não sei há quanto tempo estou aqui dentro, tampouco espere qualquer precisão histórica da crônica dos fatos que irei expor aqui. Eu só lembro da enorme mancha vermelha no chão e um corpo desfigurado – havíamos feito aquilo que nosso coletivo gritava silenciosamente – fizemos um governador sangrar.

Tudo começou com um repentino movimento popular. Eu não lembro bem, foi como um torpor, parecíamos uma colméia de abelhas sendo apedrejada, quanto mais nos acertavam, mais difícil era de discernir o zumbido coletivo da realidade. As passeatas se davam de maneira “pacífica”, você sabe, aqueles bando de frouxos aos berros “Sem violência!” enquanto a Polícia Militar descarregava spray de pimenta e bala de borracha na gente. No início, um morreu dias depois, intoxicado pelo gás e outros sofreram sequelas permanentes devido a truculência policial. “Sem violência” os babacas continuavam a gritar.

Lembro que foi num dia…puta que pariu, não lembro o mês nem nada…já disse, não quer acreditar não acredite, aconselho pesquisar e ligar o aqui narrado com o registrado e verá que não estou inventando. Lembro, estávamos no centro da cidade, gritando palavras de ordem, algumas idiotas, outras genéricas e a mesma merda de sempre “Sem violência, blá blá…” quando o de sempre, uma senhora foi brutalmente atacada por um PM. O PM pulou ferozmente na idosa e com um teaser a eletrocutava sem parar. As pessoas em volta gritando “PARA COM ISSO! ELA VAI MORRER!” enquanto outros pms empurravam e protegiam o covarde colega, que estava cozinhando a velha viva. Foi quando o primeiro passo em direção alguma coisa concreta aconteceu. Foi rápido e silencioso. Foi do nada…como os gringos gostam de falar? “Out of the blue” um cidadão com um .38. chegou calmamente em direção ao policial que defendia o colega covarde e descarregou o revólver na cara dele. 6 tiros acho. Todos no rosto. Aquele capacetinho ridículo da tropa de choque não serviu de nada…apenas para manter os miolos dele contidos num lugar só.

Eu lembro. Todos pararam. Todos. Os outros PMs se viraram e os 8 segundos que levaram para imobilizar o autor dos disparos e quebrar seu pescoço pareceu uma eternidade. O barulho, a cadência dos tiros. Lembro perfeitamente. Aquilo ali foi o Iceberg mostrando mais do que sua ponta. Depois descobriram e postaram na internet na época, esse rapaz era parente do que havia sido assassinado por intoxicação de gás de pimenta. Ele executou o policial que usou o spray de pimenta em demasia. Era uma vendetta particular, justiça mais primitiva possível sendo servida. Ele cumpriu o papel de nosso estado não-democrático. De vítima passou a ser algoz. Descarregou um revólver na cara do policial que havia matado seu pai dias antes.

Isso foi pro mundo inteiro. O governador fez aquilo que sabia fazer – liberou o uso de armamentos letais para conter as passeatas. Se antes reclavam do gás de pimenta e das balas de borracha, agora não iam sequer ter essa chance. Iam morrer no meio da rua. “Vândalos” a emissora repetia. Reforçava sempre que éramos todos vândalos e bandidos, assassinos de um policial honesto pai de 1 filho. Éramos aquilo que queriam que nós fôssemos. Os párias. Então resolvemos dar a eles o que eles tanto queriam – uma guerra civil.

Não me pergunte nomes, quem começou, da onde as armas vieram ou quem organizou tudo. Sei que tinha uma página na rede social e um cara com grana. Nunca quis saber. Apenas aceitei o fuzil e marchei junto com mais de 3 milhões de pessoas. Lembra do Egito na época? Cidadãos trocando chumbo com o exército? Foi isso mesmo. Uma guerra civil. “Sem violência” já sequer era lembrado. Estávamos além daquele momento. Precisamos de apenas 1 abelha para deixar a colméia insana. Aquele .38, aqueles disparos. Aquele momento mudou tudo. Marchamos em direção ao gabinete do governador. Marchamos. Morremos, matamos. Foi uma verdadeira chacina, mas não havia o que ser feito. No final víamos os próprios policias (os que não se uniram ao movimento) correr – não existe nada que supere auto preservação. Nem ordens de um governador demente do alto de seu gabinete ou helicóptero.

O prefeito foi esperto. Pediu escolta e deixou a cidade 1 semana antes, mas o governador…não. Ele era poderoso. Dizia na televisão que não tinha medo de nada e ninguém. Que iria responder a altura de qualquer manifestação de vândalos. Que era a oposição querendo derrubá-lo, uma espécie de perseguição política e que ele não iria arredar o pé dali. Foi a melhor coisa que ele podia dizer em rede pública.

Marchamos e invadimos. Eu estava lá. Quando invadimos a sala dele. Ele aos prantos implorando por sua vida. Chorava e dizia que não podíamos fazer aquilo. Os momentos seguintes foram apenas sons de osso quebrando. Estava acabado. Silêncio. Havíamos assassinado o governador. A notícia se espalhou rápido e em pouco tempo o governo federal mandou exércitos e mais exércitos para conter a situação. Não tinha mais motivo para lutar. Todos se entregaram. Havia acabado…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.