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Design publicitário?

Dando continuidade aos posts voltados para design, agora com um foco maior no gráfico.

Palavrinhas chaves nos dias de hoje, enquanto sociedade, Mercado e Propaganda. Quem nunca ouviu falar dessas palavrinhas? Podemos até não compreende-las corretamente (o que é comum, visto que todas abrangem significados bem complexos de sistemas), mas certamente se pudéssemos entrevistar pessoas nas ruas e perguntassem o que é publicidade/mercado/propaganda para elas, muitas teceriam comentários no mínimo, pertinentes acerca dessas áreas.

Existem diversas formas de publicidade/marketing e propaganda. Se estudarmos a fundo essas áreas veremos milhões de estratégias, modos, pensamentos e até mesmo gestalt atuando na construção e funcionamento das mesmas. A verdade é que a definição destas três disciplinas ainda não são claras para mim – muitos dizem que são coisas distintamente diferentes, mas ao meu ver as três se complementam e atuam uma sobre a outra. Para fins objetivos irei me ater neste momento ao marketing/publicidade inicialmente.

No design gráfico é comum associarmos de maneira quase que inerente a publicidade ou o marketing a área. Pois lidamos com o público alvo, famoso alvo de pesquisas e análises. Conhecer seu público/cliente é algo considerado obrigatório afim de se ter um “bom” design (aquele que comunica visualmente sem esforço, lembram?). Felizmente existem designers gráficos que discordam disto, o que gera discussão e no mínimo, nos fará pensar – Publicidade e marketing tem presença obrigatória no design gráfico?

Eu diria, não, não tem. Depende de sua finalidade com aquele projeto. Se for para agradar o cliente que tá te pagando, então terá sim, você fará de tudo para vender sua ideia e agradar. Se seu projeto for para a solução de um problema de um sistema ou projeto gerado por você, onde o cliente tem consciência que seu gosto pessoal não é importante, então não, seu objetivo estará claro como uma resolução sistemática de um problema e não em agradar um possível público alvo.

Segue uma citação abaixo do livro “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” da Cosac Naify, para fins ilustrativos da questão levantada.

Quando o departamento de marketing, mais ligado à publicidade, faz a intermediação, o cliente sempre vai dizer coisas do tipo: “Não gostei desse vermelho, consultei minha mulher e ela me disse que não pode ser vermelho.” O diretor de marketing vai ao escritório e pede para mudar. Eu não posso fazer isso.

Wollner expõe um fato comum, que já vi diversas vezes ser retratado por professores militantes na área, por mim e diversos outros amigos que trabalham com freelas ou estagiam – o gosto “pessoal” interferindo em seu trabalho e a intermediação do cliente feito por um departamento “comercial” ou de “publicidade/marketing.”

O compromisso do design gráfico (nestes casos, ao meu ver) não é ser uma máquina de agrado e sim de resolução de problemas em um nível semiológico. Não é apenas apertar a porca e evitar o vazamento do cano de água velho e enferrujado e sim a substituição do sistema inteiro para evitar futuros vazamentos.

Penso em design como projeto, sistema. Podemos desenvolver sistemas para uma identidade visual completa ou até mesmo para cartazes. Talvez por um motivo cultural brasileiro (o famoso dá um jeitinho ai) não tenhamos essa cultura de pensarmos a longo prazo e planejar. O Design na maioria dos casos (pequenas e médias empresas) é visto de maneira errônea e completamente menosprezado.

Quantas vezes já ouvi de colegas de trabalho, quando surgia uma demanda “Pô, tem um cliente ai, que quer uma peça X. Então faz uma arte bem maneira ai, tipo assim e depois manda pra aprovar.

Esse era o briefing. Claramente minha função era de adivinhar e fazer algo que o cliente gostasse e não projetar algo efetivo para os fins daquele cliente, fossem propaganda, divulgação ou quaisquer que pudessem ser seus motivos.

Tudo se resumia em “deixar o cliente feliz” e não em realmente resolver um problema.

Colocar isso de maneira suscinta, estudar 4 anos, aprender sistemas, gestalt, tipografia além de diversos outros conhecimentos teóricos como semiologia, linguagem visual, signos e etc, para ser um profissional que “Agrada clientes.” ou que “Faz uma arte maneira.” ?

Sinceramente, não precisamos estudar design para sermos artistas. Mesmo. Qualquer um pode ser artista. O sucesso dele dependerá de quantidade de pessoas que ele conseguir agradar. Simples assim. Ele correrá atrás do conhecimento necessário em um caso ou outro para agradar aquele cliente em específico, que quer um efeitozinho de carimbo ali, que requer um brushzinho do photoshop especial aqui e etc.

Infelizmente isso só mostra que nossa profissão não está consolidada e oficializada no papel, como também no mercado. Design pode desempenhar a função do “agradar o cliente”, mas ele não se resume a isso.

Acontece que o lucro bruto, em sua maioria, está na mão daqueles que agradam o cliente fazendo que os que reclamam deste tipo de prática do mercado escutem coisas como “Aw, então morre de fome ué!“.

Continuação em breve…

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3 Responses to “Design publicitário?”


  1. 1 Fred
    outubro 18, 2011 às 3:13 pm

    Puta… me identifiquei com o texto, fico triste, com o pensamento atual do mercado, no aspecto que você tem que “se virar” pra agradar o cliente, mesmo que a solução já esteja clara, ou parcialmente. Por de lado uma pesquisa e dar entrada ao seu lado “criativo” sem pesquisa alguma, só para satisfazer os porquês do seu empregador realmente desvaloriza, aquilo pelo que nós passamos tempos aprendendo. Mas não entendo como dialogar com um cliente com uma demanda que não há tempo pra pesquisa. É claro que deveríamos bater o pé e argumentar os valores da ossa solução proposta, mas o que fazer com as demandas que caem de “paraquedas” e nos forçam a criar a esmo, não sei. Bom, gostei do texto Delminho!

  2. outubro 19, 2011 às 12:25 am

    É, eu entendo esse ponto Fredinho. Como disse o supervisor da eletrobrás que me entrevistou – “Apagar incêndio acontece. Vez ou outra temos de parar tudo que estamos fazendo e resolver uma pendência urgente depressa.” – Comum, em agências, escritórios etc. Acontece que quando “apagar incêndio” é a demanda diária do dito “escritório de design” ou “área de design” (comumente chamada de “área de criação” ou melhor ainda “galera da arte” hahahahaha) só apaga incêndios o tempo todo. Dai acho que se torna um local utilizado apenas pra soluções emergenciais superficiais, devido a natureza do que é exigido ali. Eu particularmente odeio locais de trabalho que a demanda é exclusivamente essa, talvez em um escritório de direito dê certo viver trabalhando em cima de prazos ínfimos, mas para nosso caso acho que isso impacta negativamente na qualidade de nosso projeto – afinal não é pq o cliente aprovou que o trabalho tá bom – Seu cliente pode ser um tremendo de um imbecil! =\


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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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