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maio
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Jesus verossímel?

Digamos que em um futuro não muito distante consigam demonstrar que Jesus nunca ressuscitou de sua morte. Digamos que Jesus nunca houvesse feito milagres, tampouco fosse filho de uma virgem. Quais são as primeiras coisas que nos vem a mente?

A minha seria o ruir de inúmeras instituições religiosas que usam esse dogma da ressureição como base central para suas crenças. Imagino também diversas vertentes mais radicais que simplesmente iriam ignorar essa descoberta e continuar a cultuar esse “Jesus ressuscitado”.

Bom agora voltando a realidade, sabe-se que Jesus possivelmente tenha existido e é algo plausível. Temos os evangelhos os 4 oficiais do novo testamento e uns extra-oficiais. Além das cartas de Paulo. Fontes diversas citam a existência desse “Jesus” que nos é dito hoje. Historicamente falando, admitir a existência de Jesus é algo possível e plausível.

Acontece que o problema é justamente em evidenciar historicamente o Jesus “Ressuscitado” dos mortos. Vi um debate interessantíssimo a respeito disso com William Lane Craig (que me desapontou um bocado) e um historiador chamado Ehrman. Devo confessar que o debate poderia ter sido melhor se ambos não ficassem evitando responder as perguntas alheias. Enfim.

Bom o Ehrman levanta uma hipótese (diversas) afim de justificar de maneira mais provável o desaparecimento do corpo de Jesus da tumba, que é atestada pelos 4 evangelhos do novo testamento. Craig se prende em afirmar que a ressureição é a “melhor explicação” para esse fato, pois é atestado em diversas “fontes” independentes. Tais fontes seriam as cartas de Paulo e os evangelhos. Bem eu não considero essas “fontes” muito confiáveis, visto que um evangelho serviu de base para os outros, não sabemos quem escreveu os evangelhos (os títulos conhecidos por nós hoje “de Mateus”, “de Marcos” e por dai em diante). O evangelho de supostamente “Marcos” o mais antigo, foi escrito a uns 25-35 anos após a morte de Cristo. Seguido dos outros com intervalos de aproximadamente 10 anos entre eles. Portanto ao percebermos as semelhanças entre os fatos, poderíamos pensar que os evangelhos na verdade não seriam “fontes independentes” entre si, mas apenas influências uns dos outros. Isso é plausível ao meu ver. Isso explicaria a semelhança no “coração da narrativa” e as diferenças superficiais dos fatos.

A grande questão do debate em si é Lane Craig assumir que o argumento de Ehrman é falacioso, o seguinte argumento – “Milagres por definição, são eventos improváveis de se acontecer. Tão improváveis, que recebem o nome de milagres. Portanto afirmar que um milagre, como a ressureição é a melhor explicação para Jesus é algo que um historiador não pode cogitar.” Pois bem, Craig usa de uma complicada fórmula matemática, para demonstrar que esse argumento é falacioso.  O que ao meu ver, sinceramente, devido a falta de compreensão da fórmula fiquei sem saber se ela demonstrava ou não a falácia. Achei descabido Lane Craig utilizar deste tipo de recurso, visto que o tempo de debate era curto e mesmo ele indo “passo a passo” a quantidade de informações se perdia ao logo da explicação, dificultando e muito a clareza que Craig deveria ter.

A posição de Ehrman é nada mais nada menos que o princípio metodológico científico (história é uma ciência) da navalha de Occam. A hipótese da ressureição, por mais que aparentemente se encaixe nos evangelhos todos (ou fonte independentes, como Craig gosta de chamar) de maneira satisfatória, puxa questões maiores como – Deus existe? Quem é Deus? Que poderes ele tem? – isso sendo simplório.

Claramente Craig é influenciado pela sua total parcialidade devido a sua crença em toda a história cristã. Para Craig aceitar esse argumento de Ehrman seria difícil. Eu compreendo a necessidade de Craig colocar como a “melhor” explicação para Jesus e o sumiço do seu corpo o fato da ressureição.

Talvez se alguém me explicasse com maior facilidade o argumento matemático exposto por Craig, eu pudesse concordar que de fato há uma falácia neste pensamento de Ehrman, mas até então ele soa bem razoável para mim. A menos que diversas hipóteses já tenham sido exauridas para explicar o sumiço do corpo de Jesus da tumba e as visões que as pessoas tinham dele, não podemos concluir logo “de cara” a hipótese da ressureição.

Muita calma nessa hora Doutor Craig…

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1 Response to “Jesus verossímel?”


  1. maio 22, 2010 às 4:19 am

    “Digamos que em um futuro não muito distante consigam demonstrar que Jesus nunca ressuscitou de sua morte.”

    Digamos que se conte a um homem que viveu a vida toda numa cadeira de rodas que ele pode andar.

    Digamos que se conte a uma sociedade que tudo que ela se apoiou nunca existiu.


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Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

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