11
maio
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Aquiles – Finale

– Aiiiiiiii!

Grita o pequeno Aquiles ao escorregar de uma pedra e ralar os joelhos. Caído no chão, levanta-se com grande esforço e começa a chorar. Nunca havia sentido tanta dor antes! Tudo que mais queria naquele momento era os cuidados de sua mamãe. Correu desesperado em direção sua casa aos berros e prantos “Mããããããããããe!”

– O que é menino?!
– Mãe! Meu joelho tá doendo muito, me machuquei! Aquela pedra idiota!
– Ora bolas! Engula esse choro menino! O que você acha que os outros garotos da vila vão pensar quando souberem que você chora por qualquer coisinha?
– Mas mãe, tá doendo muito!
– Sem mas! Anda, corre pra dentro que eu faço um curativo e lhe preparo uma comida! Anda, anda!

Aquiles só conseguia lembrar de sua mãe e infância. Dizem que quando a morte está perto toda nossa vida nos passa como um flash. Aquiles parecia cair eternamente. A ferida em sua lateral não doía mais nem mesmo podia sentir a flechada em suas costas. Não ouvia os sons do exército aliado logo abaixo dos portões. Era tudo calmo, sereno. Apenas caía lentamente como se o tempo, implacável houvesse aberto uma exceção para Aquiles naquele momento. Para que ele pudesse saborear seus últimos momentos.

Aquiles nunca quisera ser um guerreiro. Os constantes esforços de seus pais para que ingressasse em carreira militar e seu medo de desapontá-los o colocaram neste caminho. Acontece que Aquiles, por mais que nunca houvesse desejado aquilo sempre fora obstinado. Qualquer que fosse a tarefa escolhida para executar sempre dava o seu melhor. Desafiava professores, treinava duro. Se tornou um dos melhores rapidamente. Sua afinidade com uma lâmina era promissora, concordavam todos os professores. Dotado de uma resiliência e velocidade impressionantes, Aquiles era dado como um guerreiro nato.

Mas lá no fundo Aquiles nunca se sentiu completo. Mesmo vencendo inúmeras guerras, matando diversos soldados nunca era o bastante. Ele corria atrás de uma fama inalcançável. Queria ser o único, exclusivo – o melhor. Obstinado com o que um professor seu lhe dissera uma vez “Aquiles, não importa o quanto tente, sempre haverá um melhor que você. Quando esse dia chegar, seu orgulho será sua queda.” Não! Jamais! Eu SEREI o ÚNICO! Aquiles – o MELHOR guerreiro do mundo! Um Deus!

Deuses não sangram, Deuses são imortais. Aquiles agora percebia da pior maneira possível sua finitude, sua mortalidade. Pensava em sua infância e em seu objetivo inalcançável agora, visto que estava prestes a morrer. Aquiles sentiu-se tão injustiçado, tão decepcionado consigo que começou a sentir lágrimas vindo em seus olhos. Estava tudo acabado…

A queda por fim termina, em um banco de areia macia. Aquiles bate no chão com força e rola o banco de areia abaixo. Em um último esforço levante sua cabeça e vê o exército aliado invadindo a cidade portões adentro e pensa consigo mesmo “O maldito arqueiro que me acertou terá o que merece…” e então tudo escurece.

A guerra segue adiante. O exército aliado destrói facilmente o inimigo. Com a enorme surpresa e facilidade proporcionada pelo plano de Aquiles era vitória garantida. Horas depois a cidade já tomada, está tudo mais calmo. Soldados inimigos sendo executados, alguns presos. O exército agora limpa o campo de batalha, recolhendo os armamentos dos soldados caídos para reparos e os corpos para homenagens póstumas. Quando um dos batedores avista um pouco afastado da batalha o corpo de Aquiles. Faz alarde para os outros e corre até ele.

– É AQUILES! ELE ESTÁ RESPIRANDO AINDA! TRAGAM AJUDA RÁPIDO!

****

Dois dias se passam até que Aquiles desperte. Como tirado de um pesadelo, vai recobrando seus sentindos aos poucos. Reconhece lentamente o lugar onde está. A barraca do general de seu exército. Sente dores pelo corpo todo. Tenta se levantar.

– Devagar Aquiles! Você sofreu ferimentos severos!
– Como…eu…estou…vivo? O que…aconteceu?
– Não sei Aquiles. Um dos batedores lhe encontrou caído longe dos portões. Foi muita sorte ou os deuses resolveram lhe sorrir. Aconteceu o que você havia planejado bravo soldado! Ganhamos a batalha facilmente e tomamos a cidade. Agora é só coletarmos os espólios da guerra!
– Eu…meus homens…os soldados comigo…eles…
– Descanse Aquiles…depois conversaremos…

10 dias se passam e Aquiles já começa a se sentir melhor. O rei deseja vê-lo pessoalmente. Um banquete é feito em sua homenagem e boa parte das pilhagens da cidade lhe são dadas como reconhecimento pelo seu feito heróico. Aquiles permanece sério durante toda a festança. Não sente prazer naquilo. Não está satisfeito. O que ele quer ouro nenhum pode comprar. Decide retornar a Grécia. Sobe no barco quando é chamado pelo general:

– Aquiles! Aonde vai? O rei deseja lhe dar um alto cargo nesta cidade! Finalmente poderá se aposentar e viver como um dono de terras!
– Diga ao rei que dê o cargo para você meu bom amigo. Irei voltar a Grécia. Ainda tenho muito para aprender e muitas guerras para lutar.
– Hahahahahaha! Bravo Aquiles! Enquanto o exército grego contar com você, jamais seremos derrotados! Vá com os deuses nobre amigo! Com os deuses! Hahahahahahahahaha!

Aquiles põe-se a olhar o horizonte enquanto o barco zarpa. Pensativo. Lembra das palavras de seu professor. E pela primeira vez teme que aquele dia chegue…

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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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