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Discussões Acadêmicas – 1

Esse post iniciará o que provavelmente será algo grande. Qualquer discussão, debate ou assunto que surgir no meio acadêmico (dentro ou fora da sala de aula) e eu achar pertinente irei postar aqui. Espero que ocorram bastante situações como esta. Muitas vezes serão apenas críticas minhas, outras (espero) serão críticas minhas e as respostas dos professores ou quem quer que esteja participando. Quero assim ter uma forma de desenvolver de maneira mais concisa um pouco do que penso e bater na tecla acerca das estruturas argumentativas (que já foi motivo de post, só clicar).

Bom a prova possuía um depoimento de um famoso designer brasileiro (Alexandre Wollner) e a parte que fazia importância para a resolução da questão era “Eu não entendo como alguém consegue esboçar no computador!” Wollner basicamente dizia que para ele, o primeiro esboço de qualquer projeto gráfico, deveria ser feito no lápis e papel. Justificando isso, através de exemplos de suas experiências pessoais, que são vastas por sinal, visto que ele já está nesta estrada a muitos anos.

Daí começou a pergunta, que exigia uma dissertação. A questão ao meu ver já começou errada. Reparem na frase “Como todo bom designer, devemos sentar com folha/papel para esboçarmos antes de usarmos o computador.” Reparem no juízo de valor que a frase carrega, logo em seu início –  “Todo bom designer“. O que nos levaria a uma pergunta bem idiota, mas válida “Quem começa no computador, automaticamente é um designer “ruim”?” E ao meu ver isso invalidou o restante da questão. Utilizei do espaço dissertativo para avaliar a questão em si e embasar minha crítica. Vamos pensar um pouco.

Será muito comum no meio dos designers ver essa postura do “lápis e papel” e pessoas que defenderão isso com unhas e dentes. Até ai, tudo bem, eu particularmente creio ser um adepto do “lápis e papel” também. Acontece que por eu concordar com o “lápis e papel” não quer dizer que compartilhe do pensamento “bom designer”. Muito provável que iremos encontrar designers que desenvolvam seus esboços em computadores. Se encontrarmos uma pessoa que está tão a vontade com uma tablet, quanto um lápis e papel, por quais razões ela não poderia esboçar diretamente no computador? A experiência táctil do papel? As dimensões dele? O “cheiro” do papel? Bem todos esses “argumentos” são baseados em impressões pessoais de cada designer, portanto não constituem uma argumentação plausível de modo que pudéssemos evidenciar satisfatoriamente que este caminho é o ÚNICO eficiente.

Algumas possíveis argumentações que podem vir a surgir (espero que não) para se justificar esse argumento falho. “Todos os designers que eu conheço (digamos que essa pessoa conheça muitos) trabalham assim!” Estrutura falaciosa, ou seja, se todos acham verdade aquilo se torna verdade? Maioria do mundo acredita no criacionismo em certo grau, que um ser único ou múltiplos seres criaram tudo que conhecemos da natureza. Isso torna Darwin um idiota? Isso falsea o estudo de Darwin? Não. Portanto crendice popular ou “todos que eu conheço agem assim” não CONSTITUE UM ARGUMENTO.

Essa questão está correta, pois Fulano/Beltrano/Ciclano escreverem livros e confirmam exatamente isso.” Isso é outro argumento falacioso, de apelo à autoridade. “Isso é verdade, pois Wollner disse!” Desculpem, mas isso não torna algo real. Mesmo sendo dito por uma figura importante na área. Assim que o meio acadêmico e científico funcionam, de maneira que não se criem dogmas perpetuados por esse pensamento. “Se ele disse, tá falado.” Entenda-se isso de uma vez por todas.

Então prove/demonstre que é possível criar esboços diretos no computador. Diga alguém que faça isso!” Bem essa afirmação não seria nem cabível, pois eu não afirmo nada. Portanto quem deveria me demonstrar algo antes, seria a pessoa que afirma. Neste caso demonstrar que NÃO existem BONS designers que projetem direto no computador. Tendo em vista que isso seria bem trabalhoso, quase impossível, não me restaria  dizer que a questão deveria ser reavaliada.

Gostaria que isso não ocorresse no meio acadêmico. Esses juízos de valor, essa defesa passional de metodologias que possuem uma argumentação fraca e carregam afirmações improbabilíssimas de serem evidenciadas. Vamos parar com esses pré-conceitos. Ao invés de julgar um designer como “bom” ou “ruim” por usar papel ou não, julgue-o mediante o produto final. Sua capacidade de solucionar questões que lhe forem pedidas. Sinceramente grandes porcaria se o cara prefere uma tablet ou a porra de um lápis 6B e uma folha A4 para começar. Vamos olhar para o produto final, que tal?

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4 Responses to “Discussões Acadêmicas – 1”


  1. 1 suelennunes
    abril 14, 2010 às 10:56 pm

    Puxa, Delmo, coincidentemente hoje eu pensei em escrever um post sobre a vida acadêmica também. Mas só que era para resgatar o lado positivo, pois hoje me senti até mais animadinha e tal, aí vem você e me lembra dessas merdas que rolam pela universidade. Dogmas estúpidos, coisas infundadas.

    No meu caso, como eu tenho muitos professores que são antigos na universidade, muitas vezes discordo da metodologia deles. São defasadas, rasas.

    Já briguei com uma professora de Metodologia Visual por ter questionado a eficácia de uma abordagem que ela fez em relação ao equilíbrio de uma composição e tal. Ou melhor, ela me humilhou na frente de todos os meus colegas, desnecessariamente, dizendo que eu tinha “má vontade de aprender”. Naquele dia eu me controlei para não chorar de raiva dela.

    Sou muito cética quanto à psicodinâmica das cores, por exemplo, e é uma questão que a meu ver nunca foi esclarecida na faculdade.

    Dentre tantos outros problemas acadêmicos.

    Não é difícil encontrar professores (e até alunos) que defendam esse modo retrógrado de pensar que você explicitou no post, uma lástima.

    Mas ainda bem que existem alunos que questionam tudo isso. 🙂

    • abril 14, 2010 às 10:59 pm

      Pior que eu fiz isso na prova. Sentei a lenha e coloquei no final que achava mesmo que ela tinha de reavaliar a questão. Espero que não tome um zero sem uma justificativa MUITO BOA. Mas a professora que eu tenho de metodologia é muito gente boa, creio eu que se rolar uma discussão será de maneira cordial e tranquila.
      Que merda quanto ao ocorrido contigo. Que merda. Foi mal por lhe fazer lembrar dessas merdas que acontecem. =\

  2. abril 16, 2010 às 2:40 pm

    Brother te dou toda a razão!
    e também espero que você não tome um zero.
    =|
    e fica frio, ela nem é de discussão infundada, até onde eu saiba
    mas que vc tinha q1ue ter respondido, ahhh isso tinha, escrevesse o questionamento no verso rapaz!

    uma beijoca!


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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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