Arquivo para abril \30\UTC 2010

30
abr
10

Aquiles – Audácia

Aquiles retorna a praia, onde a principal parte da luta estava sendo travada. Agora o exército aliado colhia armas/armaduras e separavam os corpos inimigos. Aquiles passa pela quantidade massiva de cadáveres. Enquanto outros soldados limpavam o que havia sobrado daquela carnificina. Aquiles passa com olhos vazios, observando tudo  como se fosse a própria morte. Adentra a cabana de um dos generais do exército.

– Awww Aquiles! Já esperava por você! Soube de sua vitória! Excelente trabalho avisando a formação para evitar a cavalaria inimiga…seu cuidado nos garantiu a vitória! Sente-se gostaria de…
– Sabe de quem pertence esse bracelete? – Interrompe o General, joga o bracelete no chão. Feito de bronze com partes em ouro. Todo ornamentado e cuidadosamente forjado.
– Hmmmmm. Não sei, mas algum mestre ferreiro deve ter feito isso…espere…essas marcas. Se eu não me engano isso pertence a alta elite do exército inimigo. Aonde arranjou isso?!
– Eu matei o dono disso ai.
– Aquiles! Hahahahahahaha, quando irei parar de me supreender com seus feitos? Isso provavelmente irá impactar e muito na moral inimiga! Irei avisar o Rei de seus feitos hoje! Sua presença em campo foi definitiva para a nossa primeira vitória.

Aquiles senta em uma almofada, afrouxa sua armadura e se serve de vinho. Segura a taça com as duas mãos enquanto olha o seu conteúdo. Mal consegue distinguir o vinho do sangue em suas mãos. Um breve silêncio.

– Como estamos agora?
– Ótimos! Derrubamos a primeira resistência. Forçamos o exército inimigo a se retirar e barricar-se na cidade. Agora teremos espaço para colocarmos nossas balistas e tropas pesadas em campo. Estamos com a costa livre para desembarcar tudo o que temos.
– Amanhã?
– Sim, amanhã iremos lançar uma ofensiva total contra os muros da cidade. Precisamos de um plano consistente, os muros são altíssimos e abrigam arqueiros. Um ataque frontal pode ser um erro.
– E se eu invadisse a cidade e abrisse os portões?
– Você está louc…Ah! Você Aquiles…está falando realmente sério?
– Sim. Com um pequeno grupo de soldados, poderia invadir a cidade a noite e abrir os portões. Mataria os guardas silenciosamente. Isso pode ser feito. Eu posso fazer isto. E se eu morrer vocês podem continuar a guerra como planejado, afinal serei eu e mais um pequeno punhado de homens mortos apenas.
– Bem. Falarei com os outros generais. Precisamos manter nossas forças apostos caso você seja bem sucedido. Se isso funcionar Aquiles, me certificarei pessoalmente que viva como um rei depois disso tudo! Hahahahahahaha brinde comigo! Aquiles o Lorde da guerra! Hahahahahahaha!

Aquiles brinda com o general eufórico, mas não partilha de tal euforia. Deixa a barraca do general e segue para a sua caminhando. O chão parece abrir em seus pés. Aquiles começa a pensar no propósito daquilo. Ele se sente tão bem dilacerando inimigos no campo de batalha, mas pelo breve momento que se segue. Quando o frenesi passa, ele começa a pensar. Sente-se vazio e manipulado. Como se sua alma se esvaisse junto com o sangue de seus oponentes…

5 horas depois reúne-se com seus 5 soldados escolhidos para a missão noturna. Prepara seu equipamento. Aquiles escoltara boa parte dos muros laterais horas antes.

– Guerreiros, a missão é simples. Invadiremos a cidade a noite e abriremos os portões frontais para que nosso exército invada. Vamos ganhar essa guerra rápido. Afinal creio que todos aqui queiram voltar para casa, não?
– Senhor! Perdoe-me, mas como iremos escalar muros tão grandes sem sermos notados?
– Bela pergunta. Não iremos. Achei uma passagem de esgoto a mais ou menos 2 quilômetros daqui. Iremos nos sujar um pouco, mas não há beleza na guerra…
– Senhor como devemos proceder?
– Sigam meu comando. Eu irei a frente vocês me seguem logo atrás. Teremos de ser silenciosos e rápidos. Evitem combate! Se os guardas forem alertados, teremos sérios problemas. Não poderemos enfrentar todo o exército inimigo dentro da cidade. Partiremos em 1 hora. Me encontrem aqui, já equipados. Vão!

Os homens deixam a barraca de Aquiles. Ele se senta e confere o plano mentalmente. Um ato de total audácia. Aquiles começa a divagar.

Se isso der certo finalmente conseguirei o que quero. Um homem sozinho praticamente, vencendo a guerra. Hahahahahahaha, duvido que qualquer deus poderia fazer melhor. Afinal nunca vi nenhum deles vencer guerras. Apenas histórias…bah! As chances são pequenas…hora de rolar os dados.

Continua…

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29
abr
10

Aquiles – Deus

Guerra! O som de espadas e escudos se chocando! Sangue, morte e destruição! Aquiles e seu pequeno grupo de elite descem do barco e seguem adiante.

– Ao meu passo! Vamos! Levantem seus escudos, formação diamante! Vamos vamos vamos!

Aquiles sente o seu braço do escudo pesar. Diversas flechas acertam seu escudo enquanto ele corre para fora da linha de frente seguido por seu grupo. Seu grupo se separa da linha de frente, fazendo um movimento semi-circular, conseguindo passar por detrás da linha de frente inimiga. Escondem-se atrás de um pequeno monte de areia, dando visão para um grupo de arqueiros inimigos logo a frente.

– Abaixem-se! Muito bem, ao meu sinal, iremos a total velocidade em direção aos arqueiros. A essa distância eles mal conseguirão ter tempo de nos acertar. Segurem seus escudos firmes e se protejam. Prontos?! VAI!

Como um avatar da guerra, Aquiles levanta e corre. Seguido de seu grupo, como um esquadrão da morte. Avançam em direção ao grupo de arqueiros, diminuindo a distância que os separavam em questões de segundos. Aquiles é o primeiro a atingir os arqueiros, um rápido golpe com seu escudo seguido de um corte horizontal na garganta com sua espada. Aquiles acabara de derramar o primeiro sangue. Os arqueiros desnorteados pela presença prematura inimiga se armam com suas facas e espadas, mas não há treinamento que os faça superar Aquiles.

Aquiles como uma enguia, zigue-zaguea pelos arqueiros de forma quase sobre-humana. Sua espada como trovão, corta com facilidade tudo que fica em seu caminho. Seu grupo faz jus ao seu nome, derrubando diversos soldados pelo caminho. Sua falange acabara de atropelar uma formação de aproximadamente 50 arqueiros.

– Ótimo! Excelente trabalho homens! Hahahahahahaha, isso foi mais fácil do que eu imaginava! Se continuar nesse ritmo dificilmente seremos considerados lendas.
– Não se preocupe Senhor! Os músicos tem sua fama de fantasiar as coisas! Eles lhe darão uma mãozinha!

Diz um soldado, fazendo com que boa parte do grupo abra um sorriso. Momento breve. Aquiles faz sinal. Aquilo era apenas o começo. Ele avista de longe um homem montado em um cavalo, com uma armadura toda ornamentada. O homem distoa dos outros soldados.

– Aquele homem deve ser um general ou capitão. Alguma patente alta. Se eu derrubar esse homem poderei desmoralizar logo de início o exército inimigo. Sei que irá arruinar boa parte da diversão, mas…! Ok, ao meu sinal!

Eles correm em direção ao grupo. Dessa vez são notados a uma certa distância.

– Senhor! Um grupo vem vindo em nossa direção! E não são nossos!
– O que?! Impossível! Como?! Deixe-me ver isso…aquela armadura…eu reconheço! É…AQUILES! O que ele está fazendo aqui?! Impossível! Droga, me dê minha lança! Venham comigo!

O oficial do exército inimigo com desespero aparente, não vacila. Se ele recuar poderia estar condenando a todo o resto. Não lhe resta nada além de encarar de frente Aquiles e seu grupo. Com sorte ele iria matar Aquiles com um golpe só e se tornar uma lenda. Os deuses hão de sorrir!

Os cavaleiros correm em direção ao bando de Aquiles com suas lanças empunhadas. O Oficial no meio da formação, mira em Aquiles de longe. A distância entre ambos é cada vez menor, Aquiles completamente focado no oficial e vice-versa. Como se o tempo diminuisse e ambos se encarassem – um olhar de vítima e carrasco. Ambos possuem a determinação e a resiliência de militares, mas apenas um irá se sobressair. Um choque de duas forças, inevitável.

Aquiles angula seu escudo e assim que a lança faz contato com o escudo ele empurra para cima, fazendo com que ela deslize para fora. Logo em seguida corta um dos tendões do cavalo, derrubando-o juntamente com o Oficial. Seu prêmio! O Oficial desnorteado rola pelo chão e levanta-se rapidamente. Empunha sua espada e encara Aquiles.

Aquiles com sua postura completamente relaxada apenas sorri.

– Caiu do cavalo foi? Não aprendeu a usar uma lança ainda?
– Ora seu desgraçado!

O Oficial parte para cima de Aquiles. O golpe vertical é facilmente evitado com um jogo de corpo lateral. O horizontal é defendido pela espada de Aquiles. O Oficial tenta dar uma estocada frontal que é brutalmente defendida. Aquiles acabara de quebrar o pulso do soldado. Aquiles apenas sorri enquanto se aproxima do oficial, agora se arrastando de costas para o chão, tentando prolongar o inevitável…

– O que você é?! Algum tipo de demônio?!
– Não, pior…eu sou um Deus!

Podia-se notar a pavorosa expressão nos olhos do Oficial. Agora morto no chão…

Continua…

28
abr
10

Aquiles – Ascensão

O sol e seu brilho traziam conforto as almas, frias e apreensivas. O velejar do barco, embalava como crianças em um berço gigante. Lá no fundo a praia com suas areias que brilhavam feito ouro, anunciavam o que estava por vir. O céu azul, limpo abria caminho.

Sentia uma calma inebriante. Apesar de estar me dirigindo a morte certa, me sentia confiante. Morrer ou não, tudo que eu quero é a glória! Os estandartes de guerra, subiam firmes no céu! Arranhavam e coloriam aquele céu azul. Tão bela visão. Nosso exército estava a caminho.

– Preparem-se homens! Quero lanceiros logo atrás das defesas! Linha de frente! Usem seus escudos para protegerem seus companheiros logo atrás! Vamos minimizar o máximo possível nossas perdas para que os arqueiros possam fazer o que fazem de melhor!
– Capitão, qual são as chances?
– 3 para 1. Estamos em uma pequena desvantagem. Por isso preciso que a linha de frente segure firme para que os arqueiros tenham espaço para diminuir essa desvantagem!
– Hahahahaha! Só pela minha espada eu irei igualar essa batalha!

E ao dizer isso, os homens no barco ecoaram um som bárbaro de valentia!

– Ora ora Aquiles, como sempre valente! Espero que sua valentia não nos custe a guerra!
– Capitão, não se preocupe. Se eu cair em batalha será uma honra. Você sabe que eu não dou a mínima para o Rei e esse motivo besta. Só irei lutar por estes homens que estão nesse barco e por mim mesmo.
– Ora…se não precisássemos tanto de você Aquiles, garantiria pessoalmente que fosse chicoteado por sua subversão

Apenas com um sorriso ele dá as costas para o capitão e continua a olhar fixo para a praia. Onde tudo que sempre desejou finalmente estaria ao seu alcance. Ser lembrado para todo o tempo como um dos maiores e mais gloriosos guerreiros de toda a história! Canções celebrariam por séculos seus feitos! Conforme pensava isso, mais e mais a idéia de morrer já não fazia diferença. A praia começava a se distinguir de um brilho dourado. As formações inimigas começavam a surgir no horizonte. Seus pensamentos de glória foram subitamente interrompidos. Começou a se focar na formação inimiga e analizar os flancos. Aquiles começara a fazer o que nasceu para – Guerra.

– Capitão se permite uma pergunta deste soldado subversivo. Qual a nossa ordem da linha de frente?
– Poupe-me de seu sarcasmo! Escudos na frente. Lanças atrás. Espaçamento de 2 pés. Por que??
– Mude isso! Avise aos outros navios. Eles tem cavalarias apostos! Precisamos dos lanceiros o mais próximo possível dos escudos!
– O que?! Cavalaria? Diabos!

Aquiles agora de debochado e galante estava sério. Como se a concentração e seu foco na guerra o tornassem outra pessoa. Não queria que erros dos estrategistas do Rei lhe custassem a vitória.

– Soldados! Ouçam-me! Não iremos na linha de frente mais! Quando pisarmos na areia, me sigam! Formação diamante ao meu passo! Entendido?!
– Sim senhor!

O capitão irritado, grita:

– Não irei tolerar que dê ordem ao meu contingente!

Em um movimento rápido Aquiles pega a faca da cintura do capitão e a empunha contra seu pescoço:

– Escute aqui seu idiota! Eu não dou a mínima para sua hierarquia. Esses homens obedecerão o meu comando! Quer ganhar esta guerra? Não irei deixar esses homens desse barco desperdiçarem suas vidas servindo de grosso para a linha de frente! Posso tirar muito mais proveito desse grupo do que você e sua maldita inteligência militar! Entendeu?!

O capitão visivelmente assustado com a reação explosiva de Aquiles pode notar em seus olhos que ele estava sério. Demais. Que não havia sequer uma ínfima fração de hesitação em seus olhos. Acenou com a cabeça em aprovação e ficou em silêncio.

A praia agora estava bem próxima. Poucos metros para o embarque e a descida frenética. Aquiles começa a pensar…

Agora é comigo. Liderarei esse pequeno grupo no buraco da formação deles. É tudo simples. Isso será fácil. Hahahaha imagino como os deuses devem estar orgulhosos de mim ou irritados. Afinal eu tomarei esse título. Após essa guerra eu não serei nada menos que um deus. Aquiles o verdadeiro Deus da Guerra!

Concluindo o resto do pensamento, grita alto olhando para o céu :

– Que seja feita a vontade dos Homens! Que desçam de seus tronos e venham me desafiar!

Pulando do barco com um sorriso no rosto, seguido de seu grupo de soldados Aquiles se embrenha na multidão…

Continua…

26
abr
10

Muse²

Mais uma vez, starlight, música que venho ouvindo um bocado. Me remete algumas pessoas em certas estrofes. Ai segue o link, uma versão ao vivo muito boa!

My life
You electrify my life, let´s conspire to re-ignite
all the souls that would die, just to feel alive

I’ll never let you go
If you promise not to fade away, never fade away…

Essa abaixo é Knights of Cydonia, versão ao vivo também que curto muito!

Não sou um cara musical, mas espero tornar esse posts mais frequentes. =)

23
abr
10

388

10 anos se passaram desde que a deixei. Não sei como ela está, nem quero saber. Segui o meu caminho. A guerra não faz exceções para amantes ou qualquer sentimento – ela é implacável e exige de todos. Minha cidade natal agora não passa de destroços, cinzas e miséria.

Cidades pequenas como a minha sofrem assim. As grandes corporações se instalam aqui, nos escravizam por miúdos e corrompem seus filhos. Se tiver sorte você entra para os militares e vira um peão na mão deles. Se tiver azar vira uma espécie de robô trabalhando 12 horas diárias.

Andando pelo que foi o centro de minha cidade, vejo maltrapilhos, crianças correndo e brincando. Como é possível existir algum resquício de inocência neste lugar? Barracos destruídos. Os espólios da guerra. Até hoje lembro dos cartazes e propagandas militares, prometendo mundos e fundos para quem se alistasse. As cidades que mais contribuissem com soldados, seriam recompensadas a peso de ouro, diziam os militares. “Seus esforços não serão esquecidos cidadãos! Alistem-se já!”

Acontece que os plutocratas sabiam que não haveria vitória possível. Jogaram com a vida de milhares para que pudessem salvar seus malditos rabos. Esticaram a guerra o máximo que puderam, fizeram toneladas de dinheiro e quando não dava mais para lucrar sumiram. A esta altura estão em outro planeta…

Eu lutei lado a lado com meus companheiros, iludidos pelo fogo patriota e esperança de riquezas. Matei incontáveis inimigos e quase fui morto. Salvo pela Ordem. Onde fui acolhido, treinado e afastado de toda essa realidade massiva. Fui afastado desse foco doentio de misérias e guerra. Só assim pude ver, de fora, o quanto estava errado. O quanto fui manipulado…

Não pretendia voltar aqui nunca mais. Mas senti algo estranho, flashes, recordações e sonhos fragmentados. Uma maldita colcha de retalhos que não faz o menor sentido. Por alguma razão precisava voltar e ver com meus próprios olhos. Algo está acontecendo comigo e pretendo descobrir o que é.

****

O mensageiro atravessa o grande salão correndo rapidamente. Após breve pausa adentra a sala onde o mestre meditava.

– Senhor. Perdoe-me. Trago notícias.
– Adiante…

O mensageiro se aproxima e lhe entrega um bilhete. Uma espécie de carta, apenas mais informal que o costume. Fazendo um sutil movimento com a mão, ordena que o mensageiro lhe deixe sozinho. Após desdobrar o bilhete, põe-se a ler.

Mestre venho lhe pedir atenção para o seguinte assunto. Um de seus alunos deixou a academia, com seu consentimento a 2 anos atrás e não retornou. Não obtivemos nenhuma informação a respeito de seu paradeiro. O aluno em questão era um oficial e portanto, possuia deveres para com a Ordem. Peço que o senhor entre em contato o quanto antes a respeito deste assunto. Nenhum de nossos batedores dos postos avançados tem notícia deles. O único paradeiro sabido do membro em questão foi o seu destino. Sua terra natal. Tratar o assunto com discrição.

Atenciosamente – O conselho

O mestre abaixa a carta e sente um temor. A carta trazia assuntos oficiais, mas no entanto era informal. Não carregava o selo oficial da Ordem. Algo estava errado. Algo acontecia por debaixo dos panos. O mestre sabia que ele encontraria algo além do que esperava. Completamente estático o mestre fita o centro da sala. Suas feições são de seriedade. A serenidade, comum em seu rosto, já não se encontra.

Levanta-se e cruza o enorme salão. Procura um dos assistentes e diz:

– Preparam minha saída. Irei resolver um problema urgente. Avisem para que as devidas providências sejam tomadas em minha ausência.
– Mestre? O senhor está partindo? O que aconteceu?! Quando volta?

Ele apenas olha sério para o assistente e nada responde.

****

18
abr
10

A navalha de Occam

Um princípio lógico que sempre utilizei sem saber. A navalha de Occam (ou Ockham) basicamente (irei utilizar um reducionismo para explicar brevemente o conceito, paradoxalmente estaria eu aplicando o próprio conceito da navalha para explicar o conceito?! Não!) diz que ao analisarmos um fenômeno e posteriormente começarmos a tecer hipóteses para explicar aquilo, devemos eliminar o maior número de informações desnecessárias possíveis. Tentar começar pelas hipóteses que possuem o menor número de fatos não evidenciados afim de que se descubra uma explicação para tal fato. É simplesmente “procurar o caminho mais simples” afim de se encontrar explicações eficientes. Sempre partir do menor para o maior, caso a simplicidade não consiga explicar aquele fenômeno.

Quando conversei com meu amigo, utilizei de um exemplo tosquíssimo para exemplificar a navalha de Occam na prática. Graças a minha preguiça irei utilizar de novo o mesmo exemplo tosco do prato.

Digamos que você está na sua casa. Acabou de lavar a louça e pôs os pratos no guarda louças e foi sentar-se no sofá. Após uns segundos tu escuta um barulho na cozinha. Vai correndo pra ver, chegando lá o prato se estatelou pelo chão. Qual fator fez o prato cair? Uma janela aberta e uma corrente forte de vento? O prato foi mal colocado no porta louças, fazendo com que escorregasse? Um espírito irritado deu um tapa no prato e o derrubou? Partindo da navalha de Occam, a explicação que seria eliminada de cara seria do espírito, pois invoca diversos fatores a mais, necessários para a explicação do problema. O que é um espírito? Por que ele derrubou o prato? Por que estava irritado? Por que estaria ali na cozinha? Enquanto que o vento ou o mal posicionamento da louça no descanso são explicações que invocam menos elementos para a solução. Claro que mediante o não esclarecimento, com os fatores simples, iremos posteriormente adicionando complexidade aquele sistema, mas aos poucos e não “de cara”.

É exatamente esta postura que é adotada pelo método científico. O reducionismo científico.

Sempre utilizei essa lógica da navalha, quando tentava analisar situações ou “fenômenos” milagrosos. Minha postura quanto ao espiritismo passa por este princípio. Se procurarmos as respostas sobre alguns fenômenos “paranormais” ou atribuídos aos “espíritos” podemos achar explicações (ou ao menos hipóteses) mais simples (com certeza, devem existir) que venham a explicar boa parte dos fenômenos.

Não há erro nenhum em procurarmos pelas explicações mais simples antes de partirmos para mais complexas. Acho que isso faz tanto sentido que mal conseguiria tentar defender tal postura. É um dos processos intuitivos conhecidos como “óbvio”. Algo que não necessita de um raciocínio para saber sua conclusão. Intuitivamente sabemos o que irá acontecer. Como ao olharmos um vidro cair, saberemos que ele ao bater no chão irá quebrar. Sem raciocinarmos toda a explicação necessária para que pudéssemos concluir que o vidro irá quebrar.

Bem essa foi uma breve explicação do conceito da navalha de Occam. Logicamente não aprofundei o conceito, resolvi pesquisar sobre isto faz pouco tempo e vi que costumava utilizar esse príncipio sem nem mesmo saber. Caso encontre algo mais e pertinente acerca disto, trarei a vocês. Abraços!

16
abr
10

Puzzle box 4

É eu estava errado. E como é bom estar errado, sentir essa sensação que o mundo esconde mais do que meus olhos podem notar. Mesmo.

Criamos nosso mundo através de nossas percepções que funcionam como lentes – portanto como qualquer lente, deveríamos saber que elas nem sempre captam as coisas com precisão. Longe do fenômeno físico, apelo para uma aproximação mais filosófica acerca do assunto. Essas lentes não são compostas por um material físico passível de análise e explicação, mas sim de diversos materiais não tangíveis. Invisíveis ao olhar. Dentre eles nossa cultura, sociedade, educação, crenças, moral, ética, senso e todas as outras coisas que são subjetivas e nos é passada.

Nossas lentes criam nossos mundinhos, onde nos armamos com teorias e uma sabedoria sabe-se lá da onde. Quando um fato nos é colocado, tentamos imediatamente traduzí-lo e interpretá-lo. Buscamos explicar aquilo tudo de modo que faça o menor sentido para nós e assim, possamos demonstrar um certo alívio devido a nossa quase onipotência. Criamos toda a nossa parafernália, uma belíssima blindagem e estufamos o peito “Estou pronto para tudo e todos!”

Pois bem. Dai esquecemos o óbvio – a realidade não é o que achamos. Vemos que nossas lentes ineficazes, ultrapassadas de nada servem para nos preparar para o “real”. Que é o real afinal? Na visão mais otimista, claro! Muitas pessoas passarão a vida inteira sem sequer saber dessa lente.

Não importa o quanto acreditamos em algo, isso jamais tornará aquilo real. Não somos privilegiados, não somos especiais. Somos animais como quaisquer outros. Produtos de uma evolução? Muito provável que  sim. Produto divino? Não mesmo…

Estar errado é ótimo. Conhecer outro ponto de vista, realidades diferentes! Peças de quebra-cabeças, que aos poucos vão montando esse mistério – que ao meu ver nem é mistério – chamado vida.




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.