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mar
10

Conceitos utópicos

Matar é errado. Roubar é desprezível. Espíritos existem. Deus existe.
Para boa parte das pessoas que lêem este blog, provavelmente todas as afirmativas acima são verdadeiras e fazem parte do que chamaríamos de “senso-comum”. Acontece que se uma das afirmativas for negativa para uma pessoa (ou um grande grupo delas) o senso deixa de ser comum? Ou ele nem sequer existe?

Constantemente vejo esses termos sendo utilizados em tópicos de fóruns, comentários em blogs a respeito dos mais diversos assuntos. Nós tendemos a ver o mundo através de nossas lentes. Não irei aqui discutir os possíveis fatores que constroem tais lentes nem suas razões. Irei apenas me atentar ao produto que essas lentes geram.

O que é senso-comum? Senso comum seria toda aquela resposta gerada a certas condutas, de modo que fosse comum – ou seja – todos iríamos ser quase como robôs, se a condição fosse lançada o produto sempre seria o mesmo. Gerando a resposta comum. Um evento gerando sempre o mesmo final. Acontece que como não somos programados na lógica “if”, é difícil dizer que exista um senso-comum entre nós.

Algumas perguntas, serão quase senso comum, devido ao alto número de respostas positivas acerca da afirmativa. Matar é errado, provavelmente seria uma destas. Praticamente todos concordaríamos (sei que não, mas vamos dizer que sim, a nível de experimentação), mas será que as razões que levam a tal resposta comum são as mesmas? Será que matar é errado para mim pelos mesmos motivos que todos as outras pessoas? Diria que não. Provavelmente as razões para não se matar seriam tão diversas, que mais uma vez é difícil estabelecermos padrões de “senso”, afim de chamá-lo de senso comum ou padrão.

Quando discutimos qualquer assunto, lemos textos ou opiniões contrárias as nossas de termos subjetivos como religião, moral, ética e etc, tendemos a refutar argumentos utilizando dessas palavrinhas mágicas. “É óbvio que matar é errado, nosso senso-comum diz isso!” Será mesmo? Por qual razão? Não seria somente pois nós achamos ser errado, logo é? Não há certo e errado, há apenas como nos sentimos em relação a tais atos. Se eu for lucrar muito da morte de alguém e me sentisse bem com isso, o que me impediria de matar? Senso-comum? Inferno? Acho que não.

Diria que o que me impede de fazer coisas que julgo “más”, não vem de um senso estrito de moral e ética. Não vem de medos de uma punição divina. Vem de um motivo puramente egoísta – simplesmente não conseguiria dormir e viver minha vida normalmente. Aquele ato que julgo errado iria me atormentar de tal maneira que não o conseguiria fazer. Esse “desespero” que funciona como trava moral, é irracional. Não sei explicar o que me levaria a ter tanto peso na consciência ao cometer algo que julgo errado, simplesmente é como eu me sentiria.

Isso seria minha “alma” se manifestando? Esses valores irracionais que carregamos conosco? Improvável. Acho que são fatores gerados por diversos motivos, que como mencionei anteriormente, não irei entrar neste mérito.

Fica claro que ao pensarmos sobre qualquer assunto e discutirmos questões subjetivas, não deveríamos nos ater a argumentos tão fracos como “senso comum” ou “moral”. Pensar que algo por ser “unânime” entre todos, constitue realidade é um engano. Entendermos também que verdade não há(?) São ditas tantas “verdades” diferentes ao mesmo tempo, que dificilmente conseguiríamos saber o que realmente é. Se é.

São todos conceitos. E como tais variam de pessoa para pessoa. Vamos deixar de lado essa máxima. Não explica nada, não refuta nada. Vamos problematizar. =)

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1 Response to “Conceitos utópicos”


  1. 1 Rembrandt Donizette Castro
    dezembro 23, 2012 às 2:09 pm

    Boca do ogro, acredito em que você seja o mesmo com quem me comuniquei há alguns anos atrás. Você foi o único partidário do ateísmo que me confessou não ter certeza da inexistência de Deus. Eu também não tinha certeza da existência; hoje, porém, digo que a ciência prova a criação da vida. Um exemplo é a vida animal. Se analisarmos comportamentos complexos de centenas de espécies, veremos que o acaso não poderia ter ensinado estes animais, mas os seres foram programados a ter tal comportamento. Os pássaros, por exemplo, fazem monumentais coreografias, movimentos sincronizados, quando em bando. Como aprenderam? Foram programados. Eles têm noções de aerodinâmica, fazem voos difíceis com precisão. Como aprenderam? Foram programados. Vários animais têm características imprescindíveis à sua sobrevivência, características estas que não poderiam ter surgido ao longo do tempo, num processo evolutivo, mas teriam de estar presentes desde o surgimento das espécies. Exemplo: pica-pau. Devido às fortes bicadas que eles dão nas árvores, precisam de proteção para o pescoço e para a cabeça, para evitar danos fatais. Estas proteções não poderiam ter surgido com o tempo, mas teriam de estar presentes desde o início da espécie.


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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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