27
jan
10

A “milagrosa” cura?

Olá pessoal. Tudo bom? Férias no fim. Aulas irão começar!

Assistindo a televisão hoje aleatoriamente me deparei com uma matéria em um dos jornais noturnos (não lembro se era band ou record) sobre as curas milagrosas. A fé que cura doenças. Assisti na esperança que alguém com uma postura cética fosse ser entrevistado. Alguém que pudesse levantar algumas questões pertinentes acerca deste assunto um pouco polêmico. Nem devo dizer que minha espera foi em vão…

Um rapaz tinha um problema na tireóide, depositou sua fé nas rezas diárias que fazia. Numa consulta posterior o médico lhe disse que “Eu não sei o que você tinha, mas sua tireóide agora está normal.” O rapaz de imediato disse “Glória a Deus então!”

Agora nos aproximemos da questão de maneira cética e vamos levantar algumas questões pertinentes, que ao meu ver demonstram que nem de longe “deus” foi responsável pela cura.

Primeiro – Realmente nosso cérebro é um orgão poderoso. Em testes duplos cegos de farmaco (onde têm-se grupos de controle – um recebe o medicamento real e outros placebos) em muitos casos o grupo “placebo” demonstra sinais de melhora. Levantando a possibilidade de que nosso cérebro tem um “poder” de sugestão bem grande e pode ser capaz de aumentar nossas chances contra doenças. Até mesmo nos curar. Portanto basta ter fé na pílula de açucar ou na cadeira de sua sala que os efeitos seriam os mesmos. Acontece que normalmente as pessoas preferem depositar sua fé no deus cristão (no caso do Brasil) dando-lhe uma maior chance de receber créditos por tais curas. Sortudo!

Segundo – A conclusão visto que já que eu rezei e melhorei de minha condição, logo deus existe. Bem ela infelizmente não possui nada além de uma interpretação do fato em si. Interpretação essa que admite tantas hipóteses mais plausíveis, que cogitar que “foi o deus curador” logo de cara, seria um erro. Mais uma vez a fé depende de algo para existir, mas não é por que temos fé nesse “algo” que ele passará a existir. “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade.” Ok, mas não iremos exagerar nessa “mentira”.

Terceiro – Quantas pessoas, estatisticamente falando, se curam “milagrosamente”? Quantas outras pessoas que tiveram fé pereceram diante de suas moléstias? Quantas outras que não tiveram fé e simplesmente tiveram um tratamento médico adequado sobreviveram? Se analisar estatisticamente os ditos “milagres da fé” são raríssimos e ínfimos se comparados ao “comum”. Comum entenda-se pessoas que se submeteram a tratamentos médicos e não “gurus” ou “pastores sai-caroço”. Na série feita por Richard Dawkins “Root of all evil?” (Raíz de todo mal?) ele visita um local onde mais de 80 mil pessoas por ano vão em busca de cura milagrosa. Devotos levam seus doentes procurando a cura. Sendo que têm-se registro aparente de algo em torno de 40 curas de fato. Vejam bem, 80 mil pessoas por ano, por vários anos e apenas 40 casos de “cura milagrosa”? Uma estatística um tanto quanto desencorajadora.

Não subestimo a fé em si e do que ela é capaz. Sim no que ela se deposita. Acreditar que através de reza somente iremos curar todos os males é muito arriscado. Abandonar tratamentos médicos embasados em estudos e evidências, jogar estatísticas fora em troca de um “milagre” é apostar no improvável.

Gostaria muito que a “série da fé que cura” colocasse alguém que levantasse essas questões. Muito fácil encontrar profissionais para desenvolver esses questionamentos de maneira mais suscinta que eu. Só não sei se interessaria ter esse tipo de postura num espaço “reservado” para a fé.

Apostar em um milagre é brincar de roleta russa. Minto, pois se o tambor da arma utilizada tiver 6 espaços totais e apenas um conter a bala, as chances de morrer são de 16,6% aproximadamente. Bem maior que qualquer cura milagrosa que existe por ai.

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2 Responses to “A “milagrosa” cura?”


  1. 1 Li
    janeiro 28, 2010 às 7:53 pm

    Aproveitando o assunto cura, doença, e fé…

    Queria saber, pq nosso presidente ao passar mal, foi para um hospital particular?
    Ao invés de ser atendido no UPA que acabara de inaugurar?
    Hein? Hein? Hein?

    É… Só tendo muita fé mesmo, viu?


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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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