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Humano, demasiadamente humano…

Olá pessoal. Domingo de sol violento e eu tô todo vermelho. Sol realmente é cruel quando não apreciado com moderação (e inteligência).

Humano, demasiadamente humano! Aos desconhecidos essa frase é o título de umas das diversas obras de Nietzsche. Recentemente tenho começado a ter contato com leituras e vídeos de Nietzsche e sua revolução filosófica que influenciou correntes como a psicanálise e o existencialismo. A sua idéia de  Niilismo – a negação e destruição – de todo e qualquer valor ou “moral” e suas críticas ao modelo de pensamento Platônico/Socrático. Seu pesado ataque contra o niilismo cristão. São apenas algumas das diversas coisas por onde a afiada língua de Nietzsche passou.

Nietzsche fala de niilismo, critica os valores e formas de pensamento – desconstrói a moral vigente – questiona a verdade : Para que serve a verdade? (Diferente da usual “O que é a verdade?” feita por tantos filósofos – incessante busca por ela). Ao pensarmos nisto poderíamos classificar Nietzsche como um niilista, mas ao meu ver, ele não era. Ele desconstruia valores, mas os criava também. Pensava ele que a humanidade deveria ser superada, a transvaloração de todos os valores vigentes, o “Übbermensch” ou super-homem (também pode ser entendido como além-homem).

Tudo ainda é muito raso, preciso estudar muito Nietzsche, mas irei falar um pouco sobre o que já li até agora, deixando claro que é uma interpretação minha que ainda está “engatinhando”. A falta de bagagem para ler um filósofo do calibre de Nietzsche atrapalha um bocado. =\

A crítica de Nietzsche ao cristianismo niilista. Por que niilista? Simples. O cristianismo é a negação de tudo que é “humano”. Uma construção completamente fantasiosa, que a todo tempo nega essa humanidade. A idéia de prosperidade, vida eterna, castigo divino e todo o caminho desdobrado por estes valores.

Estou lendo o novo testamento, como sabido pelos que frequentam este blog. Terminei recentemente o evangelho de Mateus. Vi a todo momento Jesus usar o termo de “verdade”. O que me incomoda um bocado, pois não deixo de notar como o pensamento Socrático/Platônico de verdade e sua busca está inserida na lógica cristã. A utilização deste modelo de pensamento de causas excludentes. Infelizmente a história de Jesus não me soa muito mais que um belo conto de fadas até então, mas irei ler os outros evangelhos para ter um conhecimento maior a respeito.

A igreja veio pregar o cristianismo (sem trocadilhos). Curioso ver em diversos sites cristãos, a negação total de nossa vivência. Valores como – Sexo é pecado, sujo e transmissor de doenças, quando fora do casamento. Se você tem Jesus em seu coração você não pode sofrer! Ele está lá para lhe amparar SEMPRE! E se você está sofrendo, saiba que seu sofrimento não é nem de longe uma fração do que “Ele” passou pela cruz (curioso essa, pois os cristãos conseguem quantificar dor e para eles ninguém jamais sofreu mais que Jesus, tanto quando dor física ou “psicológica). Se sofrer, calma, saiba que será recompensado em sua vida eterna lá no céu.

Esses valores cristãos são em sua essência niilistas. Negam a nossa “humanidade” (de acordo com o Nietzsche). Sofrer é parte do ser humano, tentar “tapar” com peneiras esse sofrimento com um “Amparo divino” é uma negação do que somos – seres com consciência de sua mortalidade, que sofrem, que se alegram e que fazem sexo. Para o cristianismo isso não é o correto, não é ser “De Cristo” ou “Como Cristo”. Diversas barreiras e valores (embasados biblicamente, muitos deles pobremente) foram criadas afim de que essa “moral” cristã se tornasse vigente e “humana”.

Não há vida eterna, não há felicidade. Felicidade é um conceito criado de tal maneira a jamais ser alcançado. Alegria sim, felicidade plena? Não. Assim como “sentido da vida”, não existem um e sim diversos. Todos particulares a cada um. Não existe “O” sentido que permeia a raça humana e a significa como um só. O conceito de onipotência, atribuido a deus, demonstra fortemente o como somos impotentes – precisamos de uma consciência divina para nos amparar e servir de guia em nossas vidas. “Entregue sua vida a Cristo!” dizem os pastores. Enterre-se.

Somos cheios de fraquezas, angústias e desesperos. Transvalorar estes valores não são eliminá-los, mas sim conviver de maneira a suportá-los, pois todos nos fazem ser o que somos – humanos.

Irei ficar por aqui, mas tenho mais a escrever sobre. Vi aqui o “word count” do wordpress 730+ palavras. Não quero que isso fique enorme. Abraços a todos!

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3 Responses to “Humano, demasiadamente humano…”


  1. janeiro 11, 2010 às 12:12 pm

    É meu amigo, também não sou letrado em Nietzsche(que nome escroto)
    mas devo dizer que algumas de suas colocações tornam clara e bem mais comunicáveis, do que alguém que escreve para o mundo dos letrados, gostei e
    pesquei beeeem melhor o niilismo cristão, obrigado por isso, e é como você bem disse, se estás descostruindo algo, estás ao mesmo tempo construindo a descontrução, o apego aos novos valores.
    Valores quais, como a razão, não existe razão pura e límpida que se possa apoiar na lógica de maneira a não se apoiar na emoção, daí surgem a maioria dos argumentos, que tentam provar a razão de uns e desaprovar a razão de outros, o motivo, a razão, mesmo que não queira Nietzsche, e mesmo que não fossemos acidentais doutrinados a viver sobre a sombra de virtudes e valores, quais dificilmente vamos transpor, ainda somos apenas humanos, nos apoiamos na emoção e toda nossa razão é impura, pois a razão verdadeira se apoia na lógica, e se todos tívessemos a capacidade logística de chegar a um mesmo ponto, não precisaríamos argumentar, o argumento é a emoção, deixando falar, que talvez EU(qualquer pessoa aqui) esteja certo, minha razão persuadiu o outro a não ser que ele tenha um contra argumento, uma contra-emoção, eu gosto um pouco de Nietzsche, mas acho que não vou viver até um dia onde todos os humanos desprendam-se de seus argumentos emocionados e sigam a razão pura, puxa, que texto chato.

    um Beijo rapa!

  2. 2 afro
    setembro 3, 2010 às 4:01 pm

    desculpe, mas tal niilismo, não corresponde à fé cristã e sim a algumas caricaturas dela.
    a fé bíblica, longe de tal apatia estoica, afirma a vida a dor o gozo em toda a sua extenção e verdade. Diz q o próprio Deus se fez homem, gozou, comeu bebeu, (nada sabemos sobre sua sexualidade, mas isso é pessoal e diverso…sem parâmetros únicos), sofreu, teve amigos inimigos, afirmou suas convicções e foi à morte por elas, aliás Nietzche disse q só acredita naquilo q foi escrito com sangue…eu tb! abç

  3. março 29, 2011 às 12:21 pm

    Parabéns por suas colocações.Uma pena que nem todos querem escutar ou se abrir a novas formas de pensar. Sou estudante do Curso de Ciências Sociais da Univesridade Federal de Goiás e integrante do NEPEDUCA – Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação de Catalão. Atualmente pesquisa Educação e Moral nos enunciados nietzschianos, tendo novas ideias e materiais compartilhe. Bom trabalho.


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Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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