08
jan
10

Condições – Esboço #1

Recentemente andei pensando sobre toda essa idéia de uma suposta “condição” humana de sofrer. Ditados populares que salientam que o sofrimento é uma pré-condição para o sucesso, as religiões e suas doutrinas de sofrimento para que somente assim a graça maior ou a recompensa final, a qual elas dizem existir, possam finalmente ser alcançadas.

Acontece que nenhum de nós pode ter certeza dessas recompensas, sendo assim, eu perguntaria não seria loucura viver uma vida cheia de regras criadas por sabe-se lá quem, com o objetivo de achar o pote de ouro no fim do arco-íris? Se o pote não existir? O pote não existe!

Em uma conversa de altíssimo nível me foi chamado atenção para a novela das 8 que passa na Globo. Aquela porcaria chamada “Viver a Vida”. Reparem que no final da novela sempre tem um testemunho de uma pessoa que sofreu horrores, mas agora é um exemplo de felicidade e superação. Já viram algum testemunho de alguém que sempre teve uma vida boa, tranquila, infra-estrutura boa, mas mesmo assim decidiu fazer caridade ou também é um exemplo de pessoas bem sucedidas? Será que não existe isso? Será que essa idéia torna a condição de vencedor mais digna? Será que realmente estamos tão presos a essa condição que só assim aprendemos a dar valor as coisas?

Crescemos ouvindo exemplos assim. Vemos exemplos assim nas novelas, histórias, cinemas e livros. Como se fosse um senso mais do que comum essa condição. Perfeitamente compreensível. “Ora somente após apanhar veemente na vida que as pessoas aprendem. Afinal seres humanos são burros, só aprendem do jeito difícil.” Ninguém em momento algum se dá ao trabalho de mostrar o outro lado, possível.

Por que não podemos aprender com os erros alheios? Seria muito mais fácil, prático e inteligente. Podemos? Ora, claro! Acontece? Sim, mas creio eu que não importa muito. Afinal qual é mais merecedor? Pensem nestes exemplos hipotéticos.

Aquele que era esportista, ficou aleijado com um acidente após anos de fisioterapia conseguia mexer o braço direito. Fundou uma ONG pela internet e hoje presta ajuda a diversos aleijados do mundo (online).

Ou…

Aquele que é esportista, ganhou diversas medalhas, goza de contratos bilionários. Resolveu abrir um centro no bairro em que nasceu para atletas que não tem condição de pagar uma escola. Crianças carentes.

Provavelmente o nosso enraizado juízo nos fará simpatizar por demais com o primeiro exemplo. Pergunto, por qual razão? Pois ele passou por uma condição que o inviabilizaria de pensar em qualquer coisa a não ser sua recuperação? Ai estamos contando com uma pressuposição muito humana…o egoísmo “inerente” a todos nós. Ele é o exemplo de altruísmo. É possível se quisermos, ao analisar profundamente o caso um, descobrir que sua ONG tinha como objetivo significar sua nova vida, desesperadora, presa a uma cadeira de rodas. Logo se pensarmos que ele fez isso para significar sua vida e trazer conforto a sua condição? Seria uma interpretação cruel demais? Humana demais?

Logicamente que por tabela ele ajudou várias pessoas. O ser humano, penso eu, procura muito agir em benefício próprio. Mesmo ajudando o próximo, a sensação de ajudar e o bem que trás é uma recompensa e nós costumamos buscá-la. Bom e mal são apenas palavras, consequências – prazer próprio. Claro que as consequências externas a nós de cada lado são diferentes. O prazer que um assassino em série (não patológico) tem ao matar uma vítima seria o mesmo que um padre ao salvar uma vida da pobreza (atentai, são prazeres não mensuráveis – são apenas ilustrações!)

Falo isso pois simplesmente é uma ótica um tanto quanto ignorada como possibilidade. Pensar que mesmo dos atos supostamente altruístas temos apenas uma espécie de egoísmo acontecendo. Será que sem o estímulo de se “sentir bem” após um ato bondoso, as pessoas continuariam a praticá-los?

Desculpem a falta de clareza no texto. Esse texto serviu de esboço para um pensamento que ocorreu. Irei desenvolver esse assunto de maneira mais clara, apesar de não estar muito bom, achei interessante expor esse “esboço”.

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Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.


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