Arquivo de janeiro \30\UTC 2010

30
jan
10

O que é o amor?²

Estranhamento. Curiosidade. Indiferença. Provavelmente um dos três sentimentos que algumas pessoas que olharam o “2” no título (potência) devem ter sentido. Utilizei o “2” por um simples motivo – já possuo um post com o mesmo título. O post com esse mesmo título está aqui -> O que é o amor?. Um vídeo acadêmico que fiz em grupo para um trabalho de Sociedade e Cultura. Acontece que devido a restrições disciplinares não pude aprofundar a questão devidamente. Devo admitir que o título para o vídeo produzido por nosso grupo foi deveras pretensioso. Em momento algum o vídeo define o que é amor, salvo suas reações químicas no organismo.

O que é o amor?

Essa é uma questão deveras complexa. Poucas pessoas param para pensar neste sentimento. Apenas costumam sentir algo que associam à amor, devido a experiência prévia do que lhes foi ensinado. Acontece que um sentimento que abrange tantas formas de manifestação diferentes, dificilmente teria uma definição real. Sentimos algo e esse algo por definição de padrões se torna amor. Por exemplo você sente um “gostar” por alguém, algo forte que você jamais sentira antes. Desconhecendo tal sentimento procura descobrir ou conversar acerca do que sente com outras pessoas. Contando tais sintomas para as pessoas elas lhe dirão “Cara, acho que tu tá apaixonado!” Por fim você acaba se convencendo e acreditando que o tal “amor” existe e você o sente. Isso é um exemplo de “amar” que acontece. Obviamente existem diversos exemplos, que infelizmente não poderei citar aqui.

Ok! Disse tudo e não disse nada!

Pois é. Essa é a questão. Amor não tem definição. Arriscaria dizer que o amor como nos é passado não existe. Amor é algo individual, uma percepção do sujeito. Para mim amar é uma coisa. Para o cara do lado amar é bater na mulher, demonstrando que só bate pois ama. Para outros amar é algo tão “profundo” que seriam capazes de matar o seu objeto de amor caso fosse decepcionado. Alguns matariam em nome do amor que sentem por algo, como os religiosos fanáticos o fazem. Como podem existir tantos tipos de “amor” assim? E com que autoridade nós desclassificamos o jeito de “amar” do próximo? Baseado em que? No nosso bom senso? No nosso conceito de certo/errado? No nosso conceito de amar? Quais são os critérios que determinam o “verdadeiro amor”? Sabe quais são? Nenhum. Pois o “verdadeiro amor” não passa de um conceito sem o menor embasamento (mais um deles) criado por nós.

Então você não amaria ninguém?

Amaria sim. Já amei e amo! Muitas pessoas. Acontece que uso o termo “amar” por mera convenção, pois eu não sei o que é que tantos chamam de amar. Vejo pessoas que mal se conhecem e já dizem que se amam fervorosamente. Outras que vivem meses e anos e nunca conseguiram dizer que se amam. Afinal como saber o que é amar de verdade?! Não há segurança para tal! Apenas isso que penso. Apesar dessa indefinição e minha compreensão do que seria o “verdadeiro amor” eu diria que creio nele. Pois já o senti/sinto em relação a diversas pessoas. Ceticamente falando – sinto o que seria classificável como amor por diversas pessoas. Agora se realmente é ou não é amor, não saberia dizer.

Amor = fé?!

Uma questão um tanto pertinente. Eu diria que muitos aspectos gerais sim. Falando por mim, não. Acho que amar uma pessoa ou objeto que existem é bem diferente de amar algo que não se tem a menor idéia de sua existência. Obviamente que a existência ai passa pela razão e grande parte dos que acreditam em deuses, tal existência, passa pela emoção. “Sentir o amor” do espírito santo sobre suas cabeças. Eu diria que o amor até certo ponto é evidenciável. Saber se uma pessoa te ama através das ações dela contigo. Jeito de olhar, carinhos, toques e etc. Claro que infelizmente isso irá passar por um julgamento individual seu – caso as ações daquela pessoa estejam de acordo com o seu padrão de amor, logo você verá evidências que ela te ama. Portanto não é algo realmente seguro de ser evidenciado.

Apenas assim. Amamos muitas vezes sem saber, sentimos, choramos nos deixamos levar. Mesmo sendo algo quase inexistente jamais conseguiríamos viver sem amar ou ser amado. Essas são parte de minhas idéias acerca do amor. Quem sabe um “3” apareça por ai…

27
jan
10

A “milagrosa” cura?

Olá pessoal. Tudo bom? Férias no fim. Aulas irão começar!

Assistindo a televisão hoje aleatoriamente me deparei com uma matéria em um dos jornais noturnos (não lembro se era band ou record) sobre as curas milagrosas. A fé que cura doenças. Assisti na esperança que alguém com uma postura cética fosse ser entrevistado. Alguém que pudesse levantar algumas questões pertinentes acerca deste assunto um pouco polêmico. Nem devo dizer que minha espera foi em vão…

Um rapaz tinha um problema na tireóide, depositou sua fé nas rezas diárias que fazia. Numa consulta posterior o médico lhe disse que “Eu não sei o que você tinha, mas sua tireóide agora está normal.” O rapaz de imediato disse “Glória a Deus então!”

Agora nos aproximemos da questão de maneira cética e vamos levantar algumas questões pertinentes, que ao meu ver demonstram que nem de longe “deus” foi responsável pela cura.

Primeiro – Realmente nosso cérebro é um orgão poderoso. Em testes duplos cegos de farmaco (onde têm-se grupos de controle – um recebe o medicamento real e outros placebos) em muitos casos o grupo “placebo” demonstra sinais de melhora. Levantando a possibilidade de que nosso cérebro tem um “poder” de sugestão bem grande e pode ser capaz de aumentar nossas chances contra doenças. Até mesmo nos curar. Portanto basta ter fé na pílula de açucar ou na cadeira de sua sala que os efeitos seriam os mesmos. Acontece que normalmente as pessoas preferem depositar sua fé no deus cristão (no caso do Brasil) dando-lhe uma maior chance de receber créditos por tais curas. Sortudo!

Segundo – A conclusão visto que já que eu rezei e melhorei de minha condição, logo deus existe. Bem ela infelizmente não possui nada além de uma interpretação do fato em si. Interpretação essa que admite tantas hipóteses mais plausíveis, que cogitar que “foi o deus curador” logo de cara, seria um erro. Mais uma vez a fé depende de algo para existir, mas não é por que temos fé nesse “algo” que ele passará a existir. “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade.” Ok, mas não iremos exagerar nessa “mentira”.

Terceiro – Quantas pessoas, estatisticamente falando, se curam “milagrosamente”? Quantas outras pessoas que tiveram fé pereceram diante de suas moléstias? Quantas outras que não tiveram fé e simplesmente tiveram um tratamento médico adequado sobreviveram? Se analisar estatisticamente os ditos “milagres da fé” são raríssimos e ínfimos se comparados ao “comum”. Comum entenda-se pessoas que se submeteram a tratamentos médicos e não “gurus” ou “pastores sai-caroço”. Na série feita por Richard Dawkins “Root of all evil?” (Raíz de todo mal?) ele visita um local onde mais de 80 mil pessoas por ano vão em busca de cura milagrosa. Devotos levam seus doentes procurando a cura. Sendo que têm-se registro aparente de algo em torno de 40 curas de fato. Vejam bem, 80 mil pessoas por ano, por vários anos e apenas 40 casos de “cura milagrosa”? Uma estatística um tanto quanto desencorajadora.

Não subestimo a fé em si e do que ela é capaz. Sim no que ela se deposita. Acreditar que através de reza somente iremos curar todos os males é muito arriscado. Abandonar tratamentos médicos embasados em estudos e evidências, jogar estatísticas fora em troca de um “milagre” é apostar no improvável.

Gostaria muito que a “série da fé que cura” colocasse alguém que levantasse essas questões. Muito fácil encontrar profissionais para desenvolver esses questionamentos de maneira mais suscinta que eu. Só não sei se interessaria ter esse tipo de postura num espaço “reservado” para a fé.

Apostar em um milagre é brincar de roleta russa. Minto, pois se o tambor da arma utilizada tiver 6 espaços totais e apenas um conter a bala, as chances de morrer são de 16,6% aproximadamente. Bem maior que qualquer cura milagrosa que existe por ai.

24
jan
10

Insustentável utopia

Olá leitores. Bom domingo e bom início de semana para todos, de antemão. Férias acabando, aulas chegando! =)

Quanto mais eu penso, leio e encuco com a idéia de deus, menos plausível ela se torna. Costumo fazer um exercício interessante, quando quero problematizar questões assim. Faço o que chamam do papel do “advogado do diabo” e tento levantar argumentos que defendam/sustentem as idéias contrárias as minhas. Quando o assunto são “deuses” devo assumir que é bem difícil ser tal advogado.

Bom sei que muitos teístas dirão que é bem fácil concluir que deus existe e demonstrar sua existência. Pois bem, se você que está lendo esse blog está neste grupo, por favor o faça. Gostaria muito de ver tais argumentos.

Levando em conta o dia-a-dia básico, nossa vida em si, aonde está deus? Simplesmente não consigo encontrá-lo em lugar algum. Na prática diária, deus ao meu ver é insustentável demais para ao menos cogitar sua existência. A única sustentação de sua existência vem da interpretação de cada crente dos fatos ocorridos. Para eles isso configuraria uma evidência “prática” da existência de deus. Exemplo – Conseguir aquele emprego que tanto precisava ou ser bem sucedido em qualquer objetivo que tenha traçado – isso é tão comum de acontecer, mas são pequenas coisas atribuídas a existência de deus. Eu pergunto por qual razão deus iria favorecer uma pessoa específica dentre tantas para ganhar aquele emprego? As outras não merecem o emprego tanto quanto aquele merecedor? Ou simplesmente não teve deus nenhum ali, foi apenas uma análise de curriculum do RH da empresa?

Esse pensamento soa muito egoísta. Achar que deus fica 24 horas por dia prestando atenção em tudo e todos. Favorecendo você e desfavorecendo os outros. Quão cristão esse pensamento é! Que lógica é esta? Quando se acontece uma tragédia (como essa do Haiti, por exemplo) muitos dizem que era o “plano de deus” e os mais fanáticos e vingativos (ao estilo velho testamento) dirão que “O terremoto foi mais que merecido, afinal o Haiti sempre teve fama de ter um povo macumbeiro. Adoram magia negra!” Acreditem isso faz parte de um desdobramento dentro da lógica cristã. Muitos dirão que são cristãos e jamais diriam tal absurdo, mas eu digo – nem todo cristão é brando.

Há também a perguntinha básica, mas que não me satisfaz e acho meio descabida “Aonde estava deus quando aquilo tudo aconteceu?” Apenas deixo aqui, pois ela é comum e vejo muitas pessoas se questionarem acerca da malevolência de deus. Como Epícuro disse:

“Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?”

Muitos dirão que deus nos deu o livre arbítrio, portanto o mal é uma escolha nossa. Fazemos mal pois somos malvados. Ponto final. Bem eu lhes diria e aquelas crianças que nascem com doenças genéticas sem cura? Doenças degenerativas? Foi culpa do homem? Esse tipo de “mal” não é pensado. Apenas o mal direto/indireto. E os desastres naturais (como do Haiti) também é culpa do mal do homem? Talvez algum país tenha construído uma super máquina que gera choque de placas tectônicas e nós nem sabemos disso…

Apesar deu achar meio descabido atacar deus com tais argumentos, acho válido quem o faça. O fiz neste post apenas para demonstrar que são alguns questionamentos existentes. Para mim todos os “males” citados acima tem resposta e NENHUMA delas evoca deus como causa. Nem para bem nem para mal.

Acho que o que realmente “sustenta” (reforço nas aspas!) um deus é a idéia da vida após a morte. A recompensa divina ou a idéia de reencarnar e evoluir eternamente (ou quase isso de acordo com a doutrina espírita). Lembrando que as idéias por mais que nos agradem, não necessariamente constituem verdade. Portanto dizer que é bem bacana acreditar num paraíso quando morrer, não necessariamente o torna real.

Porcaria, 700+ palavras de novo. Vou parando por aqui! Abraço a todos!

21
jan
10

Estrutura argumentativa

Olá pessoas e seres extra-corpóreos que visitam meu blog. Hahahaha, ok ok.

Esse post irá falar um pouco sobre estrutura de argumentos e sua importância. Bom como todos sabemos, a nossa escrita nos permite a comunicação e exposição de nossa idéias. Saber escrever bem é um exercício e exige muita prática. Eu por exemplo, posso dizer com uma segurança que este blog está contribuindo e muito para o desenvolvimento de minha escrita e estrutura argumentativa, visto que exponho diversas de minhas idéias e argumentos que as apoiam.

Bom mediante alguns fóruns, debates e até mesmo de comentários feitos em meu blog, achei interessante fazer um post, mesmo breve que reunisse alguns exemplos de estruturas argumentativas falhas (ou falácias, como mais conhecido) das quais, quando utilizadas em um debate, tendem a dificultar a exposição das idéias. Por mais óbvio que muitos dos exemplos que eu irei utilizar aqui possam parecer, acreditem – eles são bem comuns e fáceis de se encontrar por aí. Especialmente no meio acadêmico.

Digamos que você está na faculdade, no curso de desenho industrial. O professor em uma questão da prova diz – “A tipografia é a essência do design gráfico.” Mediante a afirmativa, ele desenvolve o resto da questão sem mencionar como ele chegou a tal conclusão. Veja bem, ele acabou de definir a ESSÊNCIA de algo. O algo é o design gráfico. Sem desenvolver o raciocínio para aquela possível TEORIA acerca da essência do design gráfico. O aluno naturalmente pergunta ao professor “Professor, discordo dessa afirmativa. Da onde você tirou essa afirmação tão absoluta?” e o professor responde “Não há nem o que discutir. Tá escrito até em livros isso!

Isso foi um fato real, de sala de aula. Percebe-se claramente a pobreza de argumentação do professor e o seu apelo à autoridade (ad verencundiam). A estrutura do argumento dele é “Se está no livro do autor X, logo é verdade.” O aluno no caso, não precisa nem mesmo entrar no mérito do conteúdo da questão em si, mas apenas de sua estrutura completamente falha. Faltou ao professor neste caso 2 coisas – Desenvolvimento da afirmativa (tipografia é a essência do design gráfico) e deixar claro que não passa da idéia de um autor ou de um grupo deles, mas que não constitui verdade absoluta.

Outro exemplo bem comum é o apelo a ignorância (ad ignorantiam) ou aos ataques pessoais (ad hominem) (essa segunda então, é encontrada absurdamente em qualquer lugar, desde política até no parquinho da escola.)

No apelo a ignorância, devido a falta de conhecimento sobre algo faz-se afirmações sobre tal. Exemplificando “A ciência não consegue provar que deus NÃO existe. Logo ele existe.” Já vi este raciocínio ser utilizado diversas vezes. A falha dele é simples – o argumento possui uma premissa, mas sua conclusão não apoia tal. Imaginem se usássemos como base tal argumento – o limite das coisas “verdadeiras” seria nossa imaginação – duendes, gnomos, dragões e tudo que quiséssemos se tornaria “verdadeiro”, pois tais objetos não são passíveis de serem “provados”.

No ataque pessoal, tenta se desqualificar o argumento do outro atacando sua pessoa. “Você não gosta de religião pois é ateu!”. Se neste caso o “ateu” fez uma argumentação embasada acerca de seu “não gostar” esse argumento se torna falho, pois a refutação não possui argumentos contra, apenas um ataque pessoal. Essa é muito comum na política, onde tenta se desclassificar o pensamento do outro, pois o mesmo gosta de “beber” fim de semana ou de ver “futebol aos domingos”. Exemplificando “Senador fulano suas opiniões sobre a crise econômica não deveriam nem ser ouvidas! Você não passa de um beberrão de fim de semana!”

Importante para qualquer debate produtivo observar a estrutura dos argumentos ali expostos. O exercício da escrita, quando bem desenvolvido nos ajuda a desenvolver nossos argumentos e evitar tais problemas.

Estas falácias são comumentes encontradas em diversos meios. Penso eu que antes mesmo de entrarmos no mérito do conteúdo de um argumento em qualquer debate, deve-se verificar sua estrutura primeiro. Se sua estrutura constituir uma falácia “logo de cara”, de que adianta entrar no mérito do conteúdo em si?

Acho importante este conhecimento estrutural acerca de argumentos, especialmente no meio acadêmico. Evitar armadilhas acerca do conhecimento exposto pelos professores e desenvolver senso crítico.

19
jan
10

Crianças de cristo

O perigo do pecado

– Quanto a estes pequeninos que crêem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço. Marcos 9 – 42.

Executando minha leitura tranquila do novo testamento dei de cara com essa passagem. Jesus dando suas demonstrações de sabedoria divina (literalmente). Uma das coisas legais da bíblia é que ela nos permite ler e interpretar suas colocações cheias de sabedoria. Apesar que com certeza, acho péssimo retirar fragmentos isolados de um contexto, lhes digo que o resto do texto que o segue não menciona mais crianças.

Bom ao analisar cuidadosamente esta passagem, ao meu ver ao dizer “…estes pequeninos…” ele estaria se referindo as crianças. Provavelmente um punhado de crianças deveria estar a sua volta no momento (em Marcos 9-36 ele abraça uma criança e a coloca no meio dos discípulos). Ok tendo entendido isto, vamos prosseguir.

Bom essa passagem, claramente mostra um argumento bíblico a favor da doutrinação de crianças. Jesus até mesmo mostra sua parcialidade a respeito daqueles que porventura, instigassem suas crianças a serem céticas ou seguir qualquer outro deus que não o “seu pai”. Vou dizer que após a leitura de Mateus e agora progredindo com Marcos venho mudando minha opinião acerca de quem foi Jesus (considerando que de fato tenha existido, como narrado nos evangelhos). Não direi se para melhor ou pior, visto que ainda falta muito a ser lido. Mudando se considerada a visão de Jesus que eu costumava ter.

Considerando essa passagem agora, faz algum sentido dentro da lógica cristã de levar seus filhos aos cultos/missas o quanto antes. Afinal se Jesus com toda sua bondade, foi capaz de desejar tal destino as pessoas que desviassem crianças deste caminho, imagine o quanto isso é condenável aos olhos de deus.

Acho que o problema é que na época que a bíblia foi feita não se tinha a visão de criança que se tem hoje. Hoje em dia é sabido que uma criança não tem maturidade para discutir política, economia ou história com um grau de entendimento de um adulto. Ela pode decorar e cuspir conhecimentos, mas fazer uma reflexão e entendimento daquilo (veja bem, assuntos complexos, não qualquer coisa!) é muito difícil para uma criança. Portanto na época que Jesus viveu provavelmente crianças eram “pequenos adultos” com ligeiras diferenças. Eram outras condições, outros tempos outros VALORES.

Imagine explicar para a criança toda uma doutrina cristã, seus dogmas, suas estruturas e quem foi Jesus de modo que ela entenda de fato. Seria isso realmente possível? Dirão que sim, pois diversos pastores espertamente, desenvolveram programas de doutrinação bíblica voltado para uma criança. Os soldadinhos de deus, como são chamados carinhosamente. Queria ter a oportunidade de conversar com uma criança doutrinada (o máximo que vi foram programas, alguns chocantes, crianças com um nível de alienação e preconceito tremendo).

Devido a complexidade do assunto, creio eu que religião não deveria ser um tema abordado tão cedo. No caso das escolas – filosofia. Existem metodologias filosóficas para crianças, desde cedo, aprenderem a desenvolver raciocínio e capacidade crítica – a entender alguns conceitos básicos. Se quisessem inserir religiosidade mais adiante, que colocassem o conhecimento religioso com a clareza de um professor e não um doutrinador – A religião (escolha a de sua preferência) é uma visão de mundo, não constitui verdade absoluta e é questionável como diversas coisas. Colocando-se este conhecimento iria da criança/jovem se aprofundar mais ou não naquela religião. Mais tarde passar a acreditar ou não, mas com base em seu senso crítico e íntimo. Não pois seus pais obrigam a ir a cultos/missas todo domingo ou por que irá para o inferno caso não acredite.

Aqui no Brasil eu desconheço, mas nos EUA é muito comum igrejas evangélicas terem as famosas “Hell Houses” que são pessoas encenando em um palco coisas monstruosas. Pecados são retratados de maneira alegórica por artistas de teatro afim de demonstrar para crianças que o inferno é um lugar que elas NÃO querem ir. Engraçado que o público alvo deles são crianças de 12 anos. Abaixo segue um vídeo de uma “hell house” autêntica evangélica.

Infelizmente não achei legendado. Quem entender inglês, reparem na letra. As imagens são retiradas destas peças encenadas. Reparem na do aborto, feito de maneira bem açougueira e pasmem – o público alvo é 12 anos. Criado por um pastor evangélico, este tipo de prática tem se tornado bem comum no que chamam de “cinturão bíblico” americano.

Creio eu que é apenas uma questão de tempo até que “espetáculos” como este cheguem as nossas crianças…

18
jan
10

As origens críticas…

Como muitos já notaram falo de religião sobre este blog. Critico, reflito e a cada momento que se passa vejo o quão impossível seria sustentar deus em minha vida novamente. Quão difícil seria (se eu o tentasse de modo honesto) acreditar em toda essa fábula bíblica de deus. Quão difícil seria!

Quando critico religiosidade (cristianismo e seus desdobramentos, em geral – mas não exclusivamente) falo da grande maioria, do que vejo, do que leio. Não sou onisciente e muito menos conhecedor de todas as igrejas praticantes de tal doutrina. O motivo pelo qual religiões me incomodam é o fato de possuirem verdades fundamentais ou dogmas, onde sustentam toda a razão de sua existência. Essa seria a origem de minha crítica a diversos sistemas religiosos.

Falando brevemente do protestantismo de Lutero. Aonde teve-se uma chance de finalmente quebrar o catolicismo, acabar com todo aquele niilismo cristão! Alguém levantou-se contra a igreja, desafiou-a! Tão somente por apenas uma maldita reforma. A reforma protestante que não desconstruiu o cristianismo e seus dogmas, apenas os moldou – dando início a um novo desdobramento do cristianismo. O niilismo cristão continuaria a perpetuar-se paralelamente. Catolicismo de um lado, protestantismo do outro.

Hoje temos inúmeras igrejas evangélicas – Nova Vida, Adventista do sétimo dia, Jesus Cristo é o Senhor, Tá Amarrado em nome de Jesus etc. Cada uma com suas ligeiras peculiariedades – geradas pelas interpretações acerca do novo/velho testamento. Completamente descabidas muitas delas, algumas até explicam “biblicamente” por qual razão as mulheres não são permitidas se rasparem ou fazerem sexo oral. Incrível.

Temos o intrépido grupo dos criacionistas da terra jovem. Onde acreditam e fundamentam que a terra tem menos de 10,000 anos de idade. Qualquer geólogo daria boas gargalhadas. Temos zilhões de evidências que demonstram justamente o contrário. Afinal eles se blindam de qualquer conhecimento que venha confrontar suas verdades bíblicas, verdades essas que são passíveis de interpretação. Até onde a razão pode defender a fé?

Sem comentar no doutrinamento feito em milhares de crianças pelo mundo. Escolas associadas massivamente a religiões ensinando essas “verdades” morais e únicas as crianças. Verdadeiros abusos mentais. As aulas de “ciências” demonstram a Teoria da Evolução como uma “alternativa” ao Criacionismo. Perai?! Alternativa?! Criacionismo é teoria desde quando?! Incrível! Lamentável! Cristão! Deplorável…

Devo dizer que reconheço a existência de teístas moderados, muitos deles apenas cultuam seus deuses de maneira tranquila, sem se importar se o outro acredita ou não. Respeitam as diversas religiões e não tem problemas com isso. Sei que existem, conheço gente assim. Acontece que mesmo as pessoas de “crença moderada”, digamos assim (reconheço que o termo é meio insatisfatório), servem de base para os fervorosos. Imagine-se ao ir numa dessas migrações atrás de santa ou passeios religiosos feitos hoje em dia, você chegar em um lugar e se deparar com milhares de pessoas com o mesmo objetivo e crença que você? Que impacto teria se eu ao me inscrever numa “passeata atéia” ao chegar lá visse 1000 pessoas que partilham de uma idéia em comum comigo ao invés de 2 ou 3? Ter esse “reforço” de sua “crença” (aspas, pois no caso de uma passeata atéia, não seria bem reforço de uma crença e sim da não crença) é algo muito positivo. Ai fervorosos e moderados se misturam.

Fundamentalismo, dogmas, verdades absolutas. Ai que está o grande problema. Olhar o mundo diante de um filtro tão certo e completamente INCERTO ao mesmo tempo. O pior é acreditar veemente que este é o certo, sem titubear. Afinal a fé inabalável é uma virtude! Sejamos virtuosos! Retirar a moral da bíblia. Se não temos razões morais bíblicas para seguir, se deus não existe, por que ser bom? Incrível. Então essas pessoas são boas pois temem a deus? Não são boas pois simplesmente acreditam que fazer o “bem” é satisfatório por si só? Sistema de recompensa/punição divina? Meu palpite é que não, elas fariam o bem mesmo sem crer em deus, mas o fundamentalismo delas jamais permitiria tal conclusão.

É complicado falar desses assuntos, pois infelizmente religião em nossa sociedade tem um status de intocável. Colocou-se em um pedestal e quem ousar criticá-la (com ou sem embasamento racional) automaticamente é um ser desrespeitoso.

É acho que ando sendo desrespeitoso demais…irei ficar por aqui, contador de palavras me lembrando que não devo me exceder…

17
jan
10

História de descrença.

Então! 2000 visitas foram atingidas. Aliás 2030! Como de costume, quando atingi 1001 visitas, gostaria novamente agradecer aqueles que frequentam o blog e gostam de ler meus devaneios. Como de costume irei fazer um post pessoal. A história de minha descrença.

Bom como provavelmente já citei aqui antes, nem sempre fui ateu. Essa posição foi algo adquirido em uma progressão de pensamentos. Evolução gostaria de dizer, mas essa evolução é questionável, portanto utilizarei o termo progressão – um raciocínio foi concluindo outro – de maneira a chegar a minha atual posição.

Bom desde que me entendo por gente, sempre desprezei as instituições religiosas. A igreja e qualquer outro templo físico com intuito de adoração a alguma entidade. No entanto seus dogmas e doutrinas eram bem aceitas por mim. Jesus e a presença de um super-ser tomando conta de todos nós – seja punindo ou recompensando – era algo perfeitamente plausível quando eu tinha meus 12 anos aproximadamente. Eu rezava, tinha medo de espíritos e acreditava no capeta. Acreditava que quando morríamos, teríamos todos nossos lugares no céu. Assim havia sido me ensinado, quando criança, diante da minha primeira experiência com a morte de um parente – “Está vendo aquela estrelinha lá? Então, ela estará lá te olhando sempre!” Quem nunca escutou isso quando criança?

Alguns anos se passaram e devido ao ligeiro conhecimento de história medieval no ensino médio, pude reparar quanta merda foi feita em nome deste suposto “Deus” católico. Inquisição me deixou chocado – pessoas serem queimadas pelo simples fato de serem “bruxas” (porra!) ou ameaças a igreja, hereges! Dai comecei a me desvencilhar do cristianismo – sem falar que os milagres de Jesus e o fato dele ter nascido de uma virgem já não faziam o menor sentido para mim. Joguei Jesus e o catolicismo fora, mas não a existência de um super ser onipotente.

Por volta dos meus 15-16 anos, era uma espécie de Deísta. Acreditava que existia um “poder superior”, mas não sabia definí-lo. Erroneamente me chamava de agnóstico, achando que agnósticos são aqueles que acreditam em “algo não definido”.  Seu “deus” pessoal, logo agnóstico. Santa ignorância (ah, santa!). Estava com “meu deus” e moldava ele de acordo com os meus questionamentos – Mas se tem um poder superior, pq existe tanta miséria? Pois ele criou as coisas como são, mas não interfere, somos livres e perguntas do gênero. Fui questionando tanto esse poder superior que uma hora a pergunta foi “Porra, se ele não interfere em nada, pra que ele existe?“. Percebi em meu íntimo que sustentá-lo já não era mais possível e conclui que nada do meu dia-a-dia (ou experiência prática) corroborava com minha idéia de “poder superior”.

Aos 17-18 anos já me considerava descrente, mas era pouco familiarizado com o ateísmo em si. Via evangélicos fanáticos ou argumentos pró-deus e por mais que me incomodassem não sabia como refutá-los. Pareciam fechados, perfeitos e infalíveis. Somente com meus tardios 21-22 anos que comecei REALMENTE a me interessar pelo assunto. Ler, ver vídeos, palestras e a procurar conhecimento neste assunto. Hoje entendo que o desenvolvimento de minha postura cética que me levou ao ateísmo.

Ainda não descarto 100% a existência de um deus, diria que empiricamente falando, dia-a-dia, na prática não existem deuses. Nada aponta para tal, somente os fatos simplórios como “consegui um emprego” ou “tirei uma nota boa na faculdade” que são atribuídos a um “graças a deus!”. De maneira absurda e infundada, mas acontece. Filosoficamente falando talvez. Não possuo calibre (ainda) para refutar algumas posições teológicas, não conheço a fundo para saber o que foi dito por ai a respeito. Então deixo meu “muito improvável que exista um deus, mas não o descarto totalmente.” Até por que, ao afirmarmos que “Não existe um deus e ponto!” me soa um bocado dogmático, mas sei perfeitamente que existem pessoas que saberão embasar brilhantemente tal afirmação. O que não seria o meu caso, ainda.

É isso, de uma maneira bem resumida. Mais uma vez, obrigado a todos que colaboraram para que mais uma marca fosse atingida – rumo ao 3000! Abraços a todos!




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Ronaldo o FENOMENO?!

Oi, queria agradecer ao espaço cedido pelo amigo e também entusiasta da copa, Bocadoogro.
Vocês sabem que eu sempre fui brasileiro desde que nasci no Brasil. Gosto muito do brasil e vou curtir muito assistir a copa do meu telão de cinema na minha casa lá na europa.

Mas vim aqui para um assunto mais importante. Essa palhaçada toda de protesto a respeito de usar dinheiro da copa para fazer hospital. Amigo, repito e disse, não se faz copa com hospital! Precisamos de estádio. Esse dinheiro que foi pro estádio não iria para hospital. Se não fosse pela copa o estádio nem o hospital existiria.

Vocês reclamam de hospital, não entendo! Sempre que fico gripado ou preciso de médico o Sírio-Libânes tá lá de boa. Não entendo essas reclamações. Neste ponto eu apoio meu amigo Pelé, grande sábio. Vamos esquecer essas bobeiras e focar na copa.

Grande abraço para vocês, do Ronaldinho Fenômeno.