09
jan
12

Não há fadas no jardim.

Era um pequeno povoado. Pequeno mesmo. Cerca de 50 habitantes…homens, mulheres e um punhado de crianças.

Viviam em meio a floresta onde tinham água, comida e caça. Eram bons agricultores e plantavam de tudo…de tudo que a terra e o clima permitiam.

Mas a sobrevivência deles, de acordo com o líder do povoado, possuia apenas um culpado – as fadas que habitavam aquela região – sempre garantindo boas colheitas e fartura nas caças. Todo mês separavam mais da metade de seus suprimentos estocados para oferecer as fadas. Iam de tardinha, deixavam toda a comida e partiam antes da meia noite – horário que as fadinhas vinham coletar as oferendas.

Uns diziam que eram ninfas, belas com asas, outros diziam que eram parecidos com leões e possuiam asas de águia. Alguns diziam até ter conversado com as fadinhas, mas fato era que não havia um consenso – cada um pintava a imagem das fadinhas como bem queriam.

Alguns meses se passaram e a situação não estava boa…a caça havia se esgotado e o solo também. As colheitas já não eram mais fartas e começava a faltar carne na mesa. Preocupados os líderes do vilarejo se reuniram, temendo que a falta de alimento prejudicasse a oferenda às fadas, complicando ainda mais a situação. Apesar da situação crítica, era unânime – não poderiam faltar com as fadas, que tanto fizeram por eles por todos esses anos…algo de errado devia estar acontecendo, mas com certeza era só esperar que as fadas iriam resolver. Bastava que fizessem sua parte – dar metade de todo seu suprimento em oferta.

Sem que notassem, apenas um jovem do vilarejo decidiu se esconder próximo ao local da oferenda. Após o ritual ser feito e os alimentos postos no local, todos foram embora menos ele. Escondeu-se em um rochedo próximo. Resolveu ficar lá para tentar conversar com as fadas, ele precisava descobrir o que havia de errado para tentar ajudar sua vila. Sua irmãzinha chorava toda noite com fome, pois não tinha o que comer devido ao racionamento – que reduzira a 1 refeição por dia sua rotina. Ele queria fazer um apelo aquelas doces fadinhas que haveriam de lhe atender, afinal sempre estiveram lá por tantos anos.

Horas, dias, semanas…bebia água do riacho próximo e comia um pouco da comida oferecida…afinal elas teriam que entender, ele tinha muita fome e precisava esperar por elas lá…após 4 semanas fora encontrado por um grupo de homens do vilarejo, dizendo que já procuravam por ele fazia semanas devido a seu sumiço. O jovem explicava aflito que não haviam fadas! Que ele havia ficado escondido ali o tempo todo e que quem acabava devorando as oferendas expostas, eram a fauna local. Ele viu tudo acontecer.

Os homens furiosos lhe perguntaram como havia se mantido por 3 semanas ali. Ele mostrou o riacho próximo e disse que havia comido um pouco da oferenda para se manter, mas que mais da metade fora devorada por animais da floresta. Irritados arrastaram o jovem de volta para a vila e o julgaram. Disseram que ele havia comido toda a oferenda e por esta razão as fadas não ajudariam mais o vilarejo – ele havia condenado a todos.

O rapaz chorava e tentava explicar os fatos, mas era abafado pelos gritos e vaias de ódio dos habitantes. O líder disse que somente sacrificando o próprio menino como sinal de boa fé, mostraria que eles não concordavam com o que o menino havia feito – sua morte mostrará as fadas que nós não tivemos nada com isso!

Assim foi feito. O jovem foi morto e oferecido no mesmo local de oferendas. Deixaram seu corpo lá e foram embora, pouco antes do anoitecer. Ele ficou lá…servindo de alimento para os animais da floresta…

Poucos meses depois todos morreram devido a fome. Não se mudaram para terras novas, pois um dia as fadinhas havia de lhes salvar…

31
dez
11

Finitude do ser

Quantas pessoas aqui já não tiveram que lidar com esse eterno vilão do homem – a morte? Um dos primeiros passos que nos diferenciou das outras espécies de animais – o cuidado e sepultamento de nossos mortos, quebrando um ciclo natural. Afinal por qual razão não deixamos nossos mortos servirem de alimento para outras formas de vida? Não deixamos…tratamos nossos mortos com um diferencial…velamos, sepultamos, colocamos em caixões, arrumados e maquiados e depois enterramos.

Mas não é o ponto de vista antropológico acerca do fenômeno que pretendo tratar aqui, mas de um aspecto menos interessante e mais irritante – a total inaptidão de lidar com a  impotência das pessoas a volta.

Por que quando alguém morre nós vemos uma enxurrada de pessoas “tentando” dizer palavras, quando não há? “Força! Fé, lembre dos bons momentos!” ou “Meus pêsames, mas não fica assim não, já já passa, o tempo ajuda!”. Sinceramente não compreendo. Simplesmente calem a boca. Calem. Digam meus pesames, se realmente acharem NECESSÁRIO DAR UM PITACO ou apenas deixem a pessoa desabafar.

Morte de algo querido trás dor e sofrimento NECESSÁRIOS E INEVITÁVEIS. Então não adianta vir com 30 quilos de fé e 150 toneladas de “FORÇA CARA!” que as coisas não irão mudar. Suas palavras não terão a MENOR DIFERENÇA NA SITUAÇÃO!

Claro, se você busca redenção de sua consciência, se te faz sentir mais humano “Fiz minha boa ação do dia, cuspi umas palavras meio óbvias lá para meu amigo e agora me sinto bem melhor! Ajudei uma pessoa em um momento de sofrimento! Mamãe, posso comer a sobremesa agora?!” Vá em frente. Continue reproduzindo comportamentos que não levam absolutamente a nada e não ajudam a pessoa de verdade.

Aquele clássico do amigo/a que tem problema amoroso e você manda um “Poxa, segue o seu coração que tudo dará certo!” Hahahahahahaha! Isso funcionava em desenhos da Disney, pois eles tinham um roteiro de como tudo ia acontecer, mas infelizmente, na vida não temos um storyboard com a prévia do que está por vir.

A morte é algo doloroso para nossa cultura e não há “melhor jeito” de lidar com ela – existe apenas o SEU jeito – e isto basta. O luto é necessário, cair a ficha e compreender que as coisas mudaram. Então por favor, peguem suas “forças” e “fé” e…vocês sabem.

Quanto mais eu observo algumas coisas mais fico me perguntando se pra tudo existe um motivo mesmo, uma razão. Existir existe, problema que motivos, cada um possui o seu…e tem cada um…

13
dez
11

A vontade de compartilhar.

Notável o quanto as redes sociais alastraram-se horrorosamente pela internet. Myspace (um dos primeiros), orkut, facebook, google + (não dando muito certo até então) dentre outras que eu sequer conheço.

Alguns afirmam que o Facebook é um dos maiores “cases” de sucesso e que o Orkut tá indo pro pau, perdendo “seguidores” por dia para o facebook. Já ia esquecendo, o Twitter – claro – na minha opinião o mais inútil e o mais bem explorado para inutilidades. Acho que existem apenas uns 10% de twitters informativos e úteis. Daqueles que as pessoas que seguem recorram diariamente pois as informações ali postadas impactarão em suas vidas por algum motivo e não para saber que Valesca Popozuda ou…sei lá, qualquer ex BBB da vida ai fez um piercing no cuzinho.

Voltando ao Facebook e ao Orkut. As pessoas lembram como era o Orkut e como ficou. No início era tudo diversão, até que alguém tinha um olho furado. O orkut se popularizou de tal forma que uma quantidade infinita de lixo começou a ser depositada nele – piorando a situação. Recadinhos brilhantes para múltiplas datas festivas, alguns até música tinham. Você entrava para ver se havia algum recado e de repente começava ouvir Simone cantando músicas natalinas sem nem saber da onde vinha aquela merda.

As vésperas de largar o orkut de vez, notava todos colocando em seus “status” o ódio da dita “favelização” do orkut. Não partilho desse estigma social, que todo favelado é desordeiro e gosta de porcaria, apenas reproduzo o termo utilizado por diversos “manifestos” que vi.

Agora no facebook, dito “elitizado” na época de transição vejo essa mesma merda acontecer. Não aguento mais abrir o facebook e ver 40 quilos de “compartilhar” de imagens do 9GAG. A impressão que tenho que as pessoas ficam o dia inteiro compartilhando fotos de lá. Tinha um cara que até já deletei, por que era 24/7 compartilhando fotos desse site. Meu feed de notícias era praticamente 9GAG.

Felizmente o facebook, possui diversas ferramentas de bloqueio de histórico/conteúdo (das quais eu uso amplamente) para evitar coisas como fotos do 9GAG, bichos esquartejados e supostas frases de famosos. É cômico você ver frases de Albert Einstein sendo ditas por Fábio Assunção ou pelo Papa – e ver a quantidade de imbecis que compartilham elas sem ter a menor noção.

Problemática exposta, agora a pergunta – por qual razão as pessoas sentem TANTA vontade de compartilhar?

Pela facilidade?

Acho que o motivo principal – nunca vi ninguém ligando para a outra de 5 em 5 minutos com o papo “Ei ei, checa seu e-mail, te mandei uma foto do 9GAG, MUITO BOM! KKKKKKKKKKKKKKKKK”. Simplesmente não acontece. Tudo bem que já está mais que discutido que agimos de maneira bem diferente em redes sociais online do que na vida real. Especialmente quanto a “ser amigo” dos outros.

Pela necessidade?

Talvez muitos sintam a necessidade de compartilhar com todos algo que ache engraçado pelo simples fato em si. “Achei isso ótimo, logo todos precisarão saber que ao compartilhar isto, eu possuo alguma espécie de opinião acerca.” Você pode conhecer um pouco de uma pessoa pelo material que ela compartilha. Pessoas que compartilham zilhões de fotos de cachorrinhos fofinhos e felpudos, provavelmente gostam de animaizinhos. Pessoas que compartilham fotos de cachorros mutilados podem ser sádicas, idiotas, doentes ou apenas acreditam estar fazendo um bem maior e se posicionando firmemente “EI, COMPARTILHO PARA DEIXAR CLARO QUE SOU CONTRA ISSO.”

O caso mais recente que lembro, foi daquela campanha idiota de por fotinho de desenho animado no Avatar “contra a violência infantil”. É um modismo e consequência dessa geração – as famosas revoluções da cadeira do computador. Muitos aderindo por ser “legal” ou pois “aww todo mundo tá fazendo!”. Afinal não deixa de ser uma tentativa de pertencimento/inserção em algo, se sentir útil. Acreditar que você está fazendo a diferença, não faz de fato a diferença.

“EI EI! MAS VOSSE POÇUI UM BLOG PRAS PESSOA VER O QUE PENÇA?!?! QUE QUE VOSSE TÁ FALAMDU AI?!?!”

Bingo! Descobriu a pólvora! Pois bem, sim, eu possuo um blog por um bom tempo pelo simples motivo de ter um espaço público onde eu possa organizar ideias e pensamentos. Simples. Não faço muita questão de promover ou propagandear demais isso aqui. E é um espaço livre – todos podem opinar a vontade (se procurarem verão diversos comentários, até mesmo me ofendendo hehehehehe) não possui censura nem espaço para recriminação, de forma que se alguém se sentir incomodado com este post “Ei, eu fico o dia inteiro no 9GAG, que cara idiota!” pode expor sua opinião de maneira que quiser. Logicamente que aqueles que trouxerem argumentos inteligentes, irão gerar discussões e reflexões proveitosas.

E procuro diversificar assuntos, já falei desde bobeiras até coisa séria. Política, religião, sexualidade, arte, design, antropologia, ciências em geral e até jogos. Aw e claro – 90% ou mais – do material exposto aqui é de MINHA autoria. Pois melhor do que compartilhar é criar.

22
nov
11

Sobre a belo monte…

Para todos aqueles que ferozmente defenderam o vídeo dos Globais em sua suposta cruzada cheia de cunho social, moral, ético e…nossa Julia paes é uma gata! Sobre o que que era o vídeo mesmo?!

Enfim…assistam, esse vídeo não possui atores globais lendo cartazes, mas possui dados e mostra aonde encontrá-los para que VOCÊ possa procurar informações acerca deste empreendimento e julgá-lo.

14
out
11

Design publicitário?

Dando continuidade aos posts voltados para design, agora com um foco maior no gráfico.

Palavrinhas chaves nos dias de hoje, enquanto sociedade, Mercado e Propaganda. Quem nunca ouviu falar dessas palavrinhas? Podemos até não compreende-las corretamente (o que é comum, visto que todas abrangem significados bem complexos de sistemas), mas certamente se pudéssemos entrevistar pessoas nas ruas e perguntassem o que é publicidade/mercado/propaganda para elas, muitas teceriam comentários no mínimo, pertinentes acerca dessas áreas.

Existem diversas formas de publicidade/marketing e propaganda. Se estudarmos a fundo essas áreas veremos milhões de estratégias, modos, pensamentos e até mesmo gestalt atuando na construção e funcionamento das mesmas. A verdade é que a definição destas três disciplinas ainda não são claras para mim – muitos dizem que são coisas distintamente diferentes, mas ao meu ver as três se complementam e atuam uma sobre a outra. Para fins objetivos irei me ater neste momento ao marketing/publicidade inicialmente.

No design gráfico é comum associarmos de maneira quase que inerente a publicidade ou o marketing a área. Pois lidamos com o público alvo, famoso alvo de pesquisas e análises. Conhecer seu público/cliente é algo considerado obrigatório afim de se ter um “bom” design (aquele que comunica visualmente sem esforço, lembram?). Felizmente existem designers gráficos que discordam disto, o que gera discussão e no mínimo, nos fará pensar – Publicidade e marketing tem presença obrigatória no design gráfico?

Eu diria, não, não tem. Depende de sua finalidade com aquele projeto. Se for para agradar o cliente que tá te pagando, então terá sim, você fará de tudo para vender sua ideia e agradar. Se seu projeto for para a solução de um problema de um sistema ou projeto gerado por você, onde o cliente tem consciência que seu gosto pessoal não é importante, então não, seu objetivo estará claro como uma resolução sistemática de um problema e não em agradar um possível público alvo.

Segue uma citação abaixo do livro “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” da Cosac Naify, para fins ilustrativos da questão levantada.

Quando o departamento de marketing, mais ligado à publicidade, faz a intermediação, o cliente sempre vai dizer coisas do tipo: “Não gostei desse vermelho, consultei minha mulher e ela me disse que não pode ser vermelho.” O diretor de marketing vai ao escritório e pede para mudar. Eu não posso fazer isso.

Wollner expõe um fato comum, que já vi diversas vezes ser retratado por professores militantes na área, por mim e diversos outros amigos que trabalham com freelas ou estagiam – o gosto “pessoal” interferindo em seu trabalho e a intermediação do cliente feito por um departamento “comercial” ou de “publicidade/marketing.”

O compromisso do design gráfico (nestes casos, ao meu ver) não é ser uma máquina de agrado e sim de resolução de problemas em um nível semiológico. Não é apenas apertar a porca e evitar o vazamento do cano de água velho e enferrujado e sim a substituição do sistema inteiro para evitar futuros vazamentos.

Penso em design como projeto, sistema. Podemos desenvolver sistemas para uma identidade visual completa ou até mesmo para cartazes. Talvez por um motivo cultural brasileiro (o famoso dá um jeitinho ai) não tenhamos essa cultura de pensarmos a longo prazo e planejar. O Design na maioria dos casos (pequenas e médias empresas) é visto de maneira errônea e completamente menosprezado.

Quantas vezes já ouvi de colegas de trabalho, quando surgia uma demanda “Pô, tem um cliente ai, que quer uma peça X. Então faz uma arte bem maneira ai, tipo assim e depois manda pra aprovar.

Esse era o briefing. Claramente minha função era de adivinhar e fazer algo que o cliente gostasse e não projetar algo efetivo para os fins daquele cliente, fossem propaganda, divulgação ou quaisquer que pudessem ser seus motivos.

Tudo se resumia em “deixar o cliente feliz” e não em realmente resolver um problema.

Colocar isso de maneira suscinta, estudar 4 anos, aprender sistemas, gestalt, tipografia além de diversos outros conhecimentos teóricos como semiologia, linguagem visual, signos e etc, para ser um profissional que “Agrada clientes.” ou que “Faz uma arte maneira.” ?

Sinceramente, não precisamos estudar design para sermos artistas. Mesmo. Qualquer um pode ser artista. O sucesso dele dependerá de quantidade de pessoas que ele conseguir agradar. Simples assim. Ele correrá atrás do conhecimento necessário em um caso ou outro para agradar aquele cliente em específico, que quer um efeitozinho de carimbo ali, que requer um brushzinho do photoshop especial aqui e etc.

Infelizmente isso só mostra que nossa profissão não está consolidada e oficializada no papel, como também no mercado. Design pode desempenhar a função do “agradar o cliente”, mas ele não se resume a isso.

Acontece que o lucro bruto, em sua maioria, está na mão daqueles que agradam o cliente fazendo que os que reclamam deste tipo de prática do mercado escutem coisas como “Aw, então morre de fome ué!“.

Continuação em breve…

08
out
11

O que é Design?

Em inglês a palavra design é tanto verbo quanto substantivo. Como substantivo significa – dentre outras coisas – “intenção,” “plano,” “intento,” “objetivo,” “enredo,” “padrão,” “estrutura básica,” todos estes (e outros significados) estando conectados com “astúcia,” eengano“.

Como verbo (“to design”), significa incluir “inventar alguma coisa,” “simular,” “rascunhar,” “desenhar,” “criar,” “ter design em algo.” A palavra é derivada do latim signum, que significa “signo” e possui a mesma raiz antiga. Assim, etimologicamente, design significa “de-sign.” Isso levanta a pergunta: Como a palavra design atingiu o significado que possui nos dias de hoje?

Essa pergunta não é histórica, no sentido de enviar alguém para examinar textos e documentos atrás de evidências do aonde e quando a palavra veio a ter os significados do dia de hoje. É uma questão semântica, no sentido de nos fazer considerar precisamente no por que desta palavra possuir um grande valor cultural ligado ao seu discurso contemporâneo.

- Vilém Flusser – O mundo codificado.

Flusser nos diz que a palavra design nem sempre foi “design”. Que sua humilde origem, de-sign, ou seja, des-significar, remover signifcado, negar signficado. Como a palavra atingiu este significado moderno atribuido a tantas profissões, todas curiosamente, voltadas para o âmbito criativo?

Design gráfico, design de móveis, design de embalagem, design de jóias, design até de cabelo ou “hair designer” (pois é muito mais chique assim) todas usam a criatividade. Podemos discordar que design de cabelo nunca existiu e é errado usar tal termo? Obviamente! A questão apenas não é essa.

O que é o exercício da criatividade? Ser capaz de criar, conceber, significar, desenvolver, projetar algo. Tudo é um exercício de criatividade, quando consideramos a criação apenas. Criatividade não deve ser associada com originalidade ou singularidade (no sentido de ser inédito). Criar é apenas criar. Comum vermos em requerimentos de emprego, por exemplo – “Indispensável ser criativo” – oras, criativos todos nós somos! Ao falarmos proferimos fonemas que ao atingirem um receptor apto, irão criar/gerar/ter um significado. Criar é parte de nosso cotidiano. Somos todos criativos.

Quanto a comunicação visual. Vemos constantemente como definição de design, tudo aquilo que transmite uma mensagem, comunica visualmente (no âmbito do design gráfico). Uma definição bem comum que ouço dos professores na faculdade, que todo processo gráfico que envolva comunicação através de signos ou linguagem visual em geral, é design. Portanto nossa função como estudantes é aprender/enriquecer ao máximo nosso alfabeto visual de possibilidades, para que no futuro nos tornemos grandes comunicadores visuais.

Será que design e comunicação visual são uma simbiose ou apenas coexistem? Então para ser design gráfico, tem que comunicar? Se tem que comunicar, comunica como? Objetivamente ou Subjetivamente? Se objetivamente teremos como grande exemplos do design as campanhas publicitárias por ai (o que na minha opinião, seria um exemplo muito pobre para design gráfico) se subjetivamente teríamos quadros em galerias de arte o que iria deixar muitos designers putos da vida “Belas artes não é design gráfico!” Poderia adentrar ainda mais a questão, pois existem muitos artistas plásticos que comunicam objetivamente através de suas obras.

Removendo comunicação visual e criatividade como órgãos vitais do design gráfico, o que sobra?

O que sobra é que estamos longe de uma definição satisfatória para design. Quanto mais definições surgem para design gráfico mais profundo o abismo se torna e voltamos sempre a estaca zero. Talvez não se consiga uma resposta reta e de fácil compreensão e apreensão do que é design gráfico devido ao seu apêndice cultural.

Por motivos mercadológicos seremos em grande parte vendedores de ideias. O grande desafio é conseguir fazer sua ideia tornar-se defensora do seu ideal.

 

06
out
11

English try outs #1

Hey fellows citizens of the world.

Well the reason for the upcoming post to be in english is simple – i need to practice – and a lot!

I´ve got an exam in a few days (TOEFL) so I have got to practice the most I can. The subject of this post will be a simple one – how´s my life going those last months. No big deal about it, but I´ve got to practice, so…BORING!

Well I am a graphic designer student (nothing new in that) for 2 years. Things going pretty well into college, good grades, some amazing teachers and making up some networking – new friends too.

Few months ago, I got a job in a company that worked in the marketing/entertainement area. I was assigned to the “creative design area” which I had few simple tasks to accomplish – Flash animations about any events happening and photos manipulation for their website.

I was no fully functional designer there, although they insisted to call me “designer” all the times. It was funny, because when I said that, people used to ask “So…what do you do?” and eventually I had no answer to that…how was I supposed to explain that they had no need for a designer there? Any regular guy with adobe package knowledge would suffice.

Well months had passed and my contract was over. I chose to end it, instead of renew it for more 6 months. I had no one to teach me stuff there, no graphic designer nor someone in my workfield with enough knowledge to show me how things works into GD.

1 month had passed since then approximately and I´ve got involved into a few projects.

The big one is the reason of this post and the TOELF exam : I need a good score so i can have bigger chances on winning a scholarship to USA universities. The chances are small (only 500 will be selected in Brazil) but I am willing to try anyway. What have I got to lose besides 160 US dollars (TOELF exam fee)?

If I pass and get selected, I´ll be there for an entire year. Studying full time then working in the last 3 months. I don´t have to mention how awesome that would be.

Well that´s it for now dear readers. Now i´ve got to practice some of my pronounce/speech which unfortunately, cannot be done here at my blog.

Godspeed.

=)

14
set
11

Finito

Existem dias que eles caminham para pontas…outros para curvas.
Existem aqueles que eles nem sequer caminham. Ficam parados olhando as placas de sinalização.
Manchadas, borradas e totalmente apagadas. Não sabem nunca ao certo o que o horizonte reserva.

Existem outros dias, daqueles, que querem sangrar de ódio e chorar de alegria. Dias bipolares.

Ainda sim caminham a passos largos uns, quase parando outros. Não importa para onde, são como balas perdidas chocando-se e furando os ares do “por ai”.

Não importa o quanto tentam mudar, resistir ou pensar – no final são 2 pontos que constróem uma reta – Nascimento e morte, os vértices constituintes. Reta finita.

Pobres deles, seres mortais e finitos! Ainda contam com superstições de que suas retas se prolongam após o final. Talvez de um plano X somente, continuem no Y. Não há Y. Não entendo por que eles insistem tanto nessas baboseiras.

Pobres deles! Se matam, cansam, desgastam e nada! Continuam miseráveis vivendo de pequenas migalhas de alegrias. Seus intelectuais, como eles costumam dizer, blindam suas existências com ideias – chamadas de “filosofias de vida” – de “viver cada momento” ou “aproveitem o hoje, pois amanhã é outro dia”. Ideias óbvias. Lógicas. Irrefutáveis.

É. Eles descobriram a pólvora.

Continue respirando máquina. Repouse suas horas biólogicas necessárias. Amanhã é outro dia. Sequência maldita. Colecionem horas. Subtraiam tempo. Pereçam.

Engrenagens, ferrugem, ácido e óleo. Oxidando…oxidando…oxidando…

Único jeito de trapacear suas condições naturais. É. Curiosamente eles foram capazes de trapacear a morte, o fim, a finitude de suas curtas retas. Através de legados ideais! Sim! Deixaram conhecimentos – aquilo que realmente vale – tornando-os vivos a cada momento que são citados ou lembrados por outras retas.

Quer a imortalidade?

Contribua.

 

15
ago
11

Do Design como tecnologia

Recentemente adquiri o livro (e já o li) “Alexandre Wollner e a formação do Design Moderno no Brasil” em uma promoção destas aleatórias da vida. Como estudante deste ofício (de 5º período) a busca por um entendimento do que “design gráfico” viria a ser, vem tomando um bocado de meus pensamentos, leituras e reflexões. Sei que não há definição satisfatória o bastante para design, pois ao tentarmos definí-lo, iríamos acabar caindo na velha armadilha que já ocorre com arte. Como definir arte? A mesma dificuldade é, definir design.

Por motivos lógicos e para evitar um post prolixo, irei focar no design gráfico.

Wollner certa ocasião, em um dos seus workshops, soltou a seguinte frase, mais ou menos assim (não lembro com tanta exatidão) – “O Design não tem compromisso em ser esteticamente belo e sim, tecnologicamente correto.” Não preciso dizer o quão polêmica essa frase é, tampouco teria bagagem suficiente para falsear tal afirmativa, mas poderia tecer algumas colocações a respeito.

Tendo em vista a relação e o entendimento de Wollner a respeito deste ofício, esta frase não seria tão polêmica. Irei tentar explicar o que entendi, quando Wollner proferiu tal sentença.

Para Wollner, design gráfico está intimamente ligado a tecnologia. Para ele o designer gráfico é um projetista preocupado com o todo. Por exemplo ter um “corel” ou “.ai” de uma logo não é design para Wollner.  Projetar uma logo isolada de seu sistema, função, conceito e aplicações técnicas funcionais – para Wollner – não seria considerado design, pois uma importante etapa do processo foi pulada.

É comum vermos diversas empresas ai, até algumas com uma quantidade de tempo razoável de mercado que ignoram para este processo. Muitos pedem pra “priminhos” executarem suas logos ou até mesmo os próprios chefes o fazem, sentam no computador, abrem o seu software favorito e executam a “logomarca” de suas empresas em 30 minutos.

Mediante a grande fatia do mercado que ignora completamente a função e a importância da construção de uma identidade visual funcional e completa, passo a entender melhor o que poderia ser considerado uma opinião “radical” do Wollner acerca de alguns aspectos do design gráfico.

Fácil seria culpar o mercado, mas temos que responsabilizar também, aos profissionais e aos que estão em processo de formação. Alguns deles não fazem a menor ideia do que fazem. Ignoram muitos aspectos de seu ofício contribuindo e muito para o não reconhecimento da profissão.

Prática comum no meio empresarial o viver constantemente no simulacro. Nada se pesquisa, tudo se “emula” ou “imagina.” Irei exemplificar.

Digamos que você tem uma empresa que está já a uns anos no mercado. Agora você quer abrir um novo ramo e atingir um novo mercado. Você sabe muito pouco do seu público alvo, apenas coisas bem genéricas como “São jovens” ou “Gostam de festa.” Você não faz a real noção de onde está pretendendo pisar, portanto para não arriscar uma quantia grande de dinheiro, o sensato a fazer seria uma pesquisa e levantamento de dados acerca do que pretende-se visar. Público alvo, gastos a longo prazo, planejamento a curto ou a longo (depende do projeto).

Não. Você se reune com seus sócios e alguns de seus funcionários e em uma tarde, resolve tudo. “Como devemos projetar essa interface? Aww, tipo, o cara quando entra qual a primeira coisa que vê? Esse botão, claro. Eu pelo menos todo site que vou sempre vejo isso de cara.” Esse tipo de comportamento “simulado” é um recurso útil, quando temos uma certa segurança acerca de algo ou quando precisamos cumprir prazos apertados. Acontece que tornar este tipo de ação prática predominante em sua empresa, especialmente a respeito de sua identidade visual corporativa, pode gerar problemas a curto ou a longo prazo.

Design gráfico e sua importância no âmbito empresarial, especialmente identidade visual, é algo subestimado e constantemente ignorado aqui no Brasil. A quem cabe conscientizar e tornar esta prática mais transparente e informativa? Nós, estudantes e formados. Apesar de ser exaustivo discutir e ter de explicar milhares de vezes a mesma coisa em alguns casos, creio eu que devemos fazer a nossa parte.

Próximo post irei aprofundar mais acerca de Wollner e meu entendimento do mesmo.

28
jun
11

Diálogos – Esporos

- Vamos parar por aqui…não dá mais…

- Que?! Como assim?! Do que tu tá falando?!?

- Olha foi bacana te conhecer, mas…já deu…cabou-se. Fica por aqui e por isso.

- Hã?! Mas estamos nos dando tão bem…tá dizendo que tá ruim?!

- Não…mas não vai dar. Simplesmente não vai dar. Eu sou 8 e você 80.

- Como assim?

- Eu sou um cara escroto. Não queira estar comigo. Para você o mundo é colorido e perfumado, pra mim é preto e branco. Não vejo nada de mágico nessa vida. Não consigo ter sua euforia quase transcendental ao ver uma comédia romântica meia boca…achar tudo tão “fofinho” e lindo. Não sou assim. Não consigo aguentar isso.

- …

- Entenda, o problema não é você nem eu. Sim nossos pontos de vista. Nossa maneira de ver o mundo. Conflitos de ideais, interesses, visões, ideologias, enfim, escolha o nome que lhe couber melhor.

- Você não é escroto como diz…para com isso…

- Hahahahahahahaha…você não me conhece. Escroto aqui, tem um significado bem diferente do usual. Se me conhecesse entenderia o que quero dizer quando digo isso.

- …

- Sim. De algum modo eu sou “quebrado”…não sei explicar, mas é o que sou. Estilhaçado, não dá para explicar…o mundo não é um arco-íris e agora, em especial, não posso perder tempo com cores. A vida é ótima como está e as coisas fazem muito mais sentido para mim agora. Tenho segurança aonde piso e de quem sou.

- Eu…

- Adeus.

-…




Aterro Sanitário

Lixo da Vez - Lobisomem

Hugo Weaving, Benicio Del toro e Anthony Hopkins. Imagine um filme com esses três. Automaticamente pensaremos "Hmmmm deve dar um bom filme!" Agora imagine um diretor juntar esses três com um roteiro HORROROSO e conseguir produzir um filme CAGADO. Impossível! Blasfêmia! Não! É verdade. O filme é uma porcaria.
Lixosomem consegue juntar uns 30 tipos de clichês batidos e horríveis de outros filmes. A história babacamente simples (até ai tudo bem) acontece que muito mal explorada. O pai é lobo. Mata a mãe. O irmão. O filho vira lobo. É preso. Se solta. Volta e tira x1 com o pai. A lutinha de lobo x lobo foi uma coisa linda de se ver. Destaque para o clássico "amor bestial" quando o lobo está prestes a dilacerar aquele gostosa da Gwen, mas ao olhar nos olhos dela fica "boladinho" e não faz nada. Igual a King Kong, Hulk e qualquer filme que tenha um ser virando algo. Por fim ela mata ele com uma bala de clichês, digo prata - na mais completa trairagem.
Assistam essa obra cinematográfica.
Dado Dollabela, infectado pela Lixontropia, em noites de lua cheia vira o que? O homem-lixo? Atentai com as pessoas que possuem pedal!


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